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Gastronomia e o Automobilismo - duas paixões com muito em comum

HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO

 

 

 

Quando o  alemão Nikolaus August Otto (1832-1891) inventou o motor de combustão interna de quatro tempos (four-stroke), em 1876, fez nascer, também, um esporte apaixonante que rapidamente conquistou o mundo - o automobilismo. Curiosamente, Otto interessou-se por mecânica quando era vendedor ambulante de comida; na verdade, até então, sempre trabalhara com comida - aos 16 anos, deixou a escola e foi trabalhar em um mercado em Colônia; depois, foi balconista em uma loja de alimentos em Frankfurt, até aventurar-se como vendedor autônomo no mesmo ramo (terá sido este o primeiro elo entre Gastronomia e Automobilismo?)

 

Em 1894, quando o automóvel ainda era novidade, o Petit Journal de Paris promoveu uma corrida de Paris a Rouen, a primeira competição para viaturas sem cavalo, a propulsão mecânica. Para ganhar o prêmio de 5000 francos, o vencedor deveria usar um veículo que não oferecesse perigo de vida e ferimentos, fosse de fácil manejo e não desse muita despesa. O primeiro a chegar foi o conde de Dion, num carro a vapor, que fez o percurso em 5 horas e 40 minutos, à velocidade média de 21km por hora. Sua vitória não parece uma grande façanha, para os padrões atuais, mas o acontecimento tem importância histórica: ele inaugurou o esporte do automobilismo.

 

Um ano depois, também na França, foi organizada outra competição, desta vez entre Paris e Bordeaux, cobrindo uma distância de 1.189km. Tinha a mesma finalidade - descobrir um veículo prático e seguro: o vencedor foi um carro com motor de combustão interna, que provou sua supremacia em relação aos motores a vapor, atingindo uma velocidade média de 24,15km. Nesse mesmo ano, o automobilismo chegou aos Estados Unidos, com a realização de uma prova de 87km no Estado de Illinois, de Chicago a Evanston.

 

Com a criação do Automóvel Clube da França, também em 1895, o país alcançaria a vanguarda do automobilismo. Em 1898, a entidade organizou a primeira corrida em circuito fechado, o de Périgueux. As corridas de uma cidade a outra tornaram-se muito comuns na França, e a prova Paris-Marselha-Paris, por exemplo, nasceu em 1896. Os destaques da época eram os carros Panhard e Peugeot, com velocidade média superior a vinte quilômetros por hora. Mas a indústria evoluía rapidamente, e, em 1900, a velocidade média, nas competições já atingia 80 quilômetros por hora. Entre 1895 e 1903, realizaram-se pelo menos 35 provas, todas elas tendo Paris como partida, mas com diversos destinos, como Amsterdã, Berlim e Viena, além das realizadas entre cidades francesas. No ano de 1903, havia sido programada a prova Paris-Madri, mas os acidentes foram tantos que se interrompeu a prova ainda em sua primeira etapa, em Bordeaux. Durante 25 anos, essa corrida serviu como justificativa para a proibição das provas de estrada na Europa.


Os clubes nacionais de automobilismo, a exemplo da França, já existiam em diversos países. Em 1900, o proprietário do jornal The New York Herald, James Gordon Bennet, criou, nos Estados Unidos, um troféu a ser disputado anualmente por clubes nacionais de automobilismo, cada um dos quais podia participar com três carros. A prova foi disputada na França em 1901, na Irlanda em 1903, na Alemanha em 1904 e novamente na França, em 1905.


A posição de vanguarda da França se afirmou novamente em 1906, com a criação do Grand Prix do Automóvel Clube. Começou, também, a construção de circuitos fechados de competição, com pistas especiais para corridas. O primeiro autódromo, com as mesmas características que se conhecem até hoje, surgiu em 1906, em Brooklands, Sul da Inglaterra. O ano de 1911 marca dois importantes acontecimentos para o automobilismo mundial: inaugura-se em Monte Carlo uma competição em terreno montanhoso durante o inverno e nos Estados Unidos constrói-se a pista de Indianápolis, desde então palco de uma das provas mais importantes até os dias de hoje: as 500 Milhas de Indianápolis.


Na Itália, onde desde 1900 já existia uma prova em estrada de montanhas, instituída por Vicenzo Florio, o automobilismo crescia rapidamente. A partir de 1906, aquela prova passaria a ser disputada na Sicília, com o nome de Targa Florio. A prova se manteve ao longo dos anos, em distâncias que variavam de 72 a 1.049km. O primeiro Grande Prêmio da Itália aconteceu em 1908, em Brescia.


Atividade especializada

 

Nas competições dessa primeira fase do automobilismo, tanto na Europa como nos Estados Unidos, os carros que competiam eram protótipos de modelos que seriam lançados no mercado no ano seguinte. Foi depois da Primeira Guerra Mundial que o automobilismo passou a ser uma atividade especializada demais para os carros da linha de produção comercial.

 

É certo que alguns modelos que chegavam ao mercado como veículos de passeio eram lançados em corrida, pois conseguiam alto desempenho quando despojados de carroceria e providos de assentos, tanques e pneus especiais. Nos Estados Unidos, o automobilismo tomava um rumo diferente, com predominância de provas em circuitos fechados, que variavam desde pistas de terra, com 800m, até o quadrilátero de 4.000m onde se disputavam as 500 Milhas de Indianápolis. Na década de 1930, surgiram as corridas de carros de linha, disputadas à beira-mar em Daytona Beach, mas depois essas provas também passaram para as pistas.


Na Europa, entre 1930 e 1933, ocorria entre as fábricas italianas Alfa Romeo, Maserati e Bugatti, "a guerra das corridas", na qual cada uma delas tentava a supremacia nas competições esportivas européias. Em 1934, porém, a Alemanha de Hitler, tendo como motivação principal afirmar sua superioridade industrial, lançou-se nas competições esportivas com veículos nunca vistos até então: com 600 cavalos de potência, ultrapassavam 300km/h. O domínio da Mercedes-Benz e da Auto-Union era total. Nessa época surgiram os pilotos que transformaram seus nomes em verdadeiras lendas no automobilismo: Tazio Nuvolari, Bernd Rosemeyer, Achile Varzi, von Brauchitsch, Hans von Stuck e Carlo Pintacuda.


Os alemães trouxeram às corridas inúmeras inovações técnicas: rodas com suspensão independente; chassi tubular; amortecedores hidráulicos; molas helicoidais; rodas dianteiras e traseiras com dimensões diferentes; utilização de líquidos especiais, de alta temperatura de ebulição, para refrigeração dos motores. A supremacia alemã era então inquestionável. Entretanto, em 1938, os italianos desenvolveram na fábrica da Alfa Romeo um motor com 16 cilindros, que não chegaria a ser concluído. Em 1939, o início da Segunda Guerra Nundial suspendeu as provas de automobilismo na Europa. Nos Estados Unidos, porém, continuaram as competições esportivas em circuitos fechados.


A primeira corrida no pós-guerra ocorreu no Bois de Boulogne, Paris, em 9 de setembro de 1945. Luigi Villoresi, com uma Maserati, foi o vencedor. No plano internacional, a primeira competição organizada foram as 500 Milhas de Indianápolis, a 30 de maio de 1946. Já bastante sofisticados, os veículos de competição exigiam novas formas de organização nas pistas. Em 1947, surgiu nos Estados Unidos a National Association for Stock Car Auto Racing (NASCAR), que regulava as corridas com carros comuns e adaptados. No deserto do Sul da Califórnia, surgia uma outra modalidade de competição, as provas de aceleração (drag racing), enquanto surgiam novas modalidades de competição e diversas categorias.
 

 

Veja, também, a História do Automobilismo no Brasil, clique aqui.

 

 


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Atualizado em: 06 julho, 2008.