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GUIAS GOURMANDS
GUIA DO MERCADÃO DE SÃO PAULO
 

 
no CORREIO GOURMAND

       


 

 

 

 

 

 

Mercado em construção
Fonte Fau-USP
 

 

 

 

 

 

Mercado logo após sua conclusão
Fonte Fau-USP

 

 

Mercado no dia da inauguração - 1933
Fonte Fau-USP

 

 

Mercado após inauguração - 1933
Fonte Fau-USP

 

 

 

 

Banca da Casa Irmãos Borges - anos 50 

 

 

Banca do Empório Chiappetta - 1970

 

 

Mercado nos anos 90
Eduardo Albarello/Abril Imagem

 

 

Projeto fachada restaurada

 

   

 

Projeto do novo mezanino

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

No início do século 20, havia na cidade de São Paulo uma série de pequenos mercadinhos onde eram vendidos legumes, verduras e frutas produzidos em chácaras das imediações do Vale do Anhangabaú. Sua unificação num mercado central começou a ser cogitada em 1914.

 

Foi, entretanto, apenas em 10 de abril de 1925, por iniciativa do então prefeito, José Pires do Rio, que o Mercado Municipal Paulistano começou a ser construído na Várzea do Carmo, nas imediações do parque Dom Pedro II, bem ao lado do rio Tamanduateí, principal via de transporte fluvial da cidade.  A idéia era abrigar os comerciantes da região central da cidade que vendiam seus produtos ao ar livre, num espaço único, junto ao rio, para que os barcos com produtos vindos das chácaras próximas pudessem aportar.

 

O edifício deveria estar à altura da emergente “metrópole do café”, que queria ganhar ares cosmopolita, deixando para trás as construções coloniais. Para tanto, foi contratado o escritório do já então renomado Francisco de Paula Ramos de Azevedo, também responsável pelo Fórum, o Palácio das Indústrias e o Teatro Municipal de São Paulo, que encarregou o arquiteto italiano Felisberto Ranzini¹ do projeto.

 

A obra

 

As obras do Mercadão, como é conhecido pelos paulistanos, arrastaram-se por quase oito anos e custaram, na época, dez mil contos de réis. Numa mistura de estilos arquitetônicos -  neogótico, neobarroco e neoclássico, cujas elegantes fachadas se impunham na paisagem, o majestoso edifício foi erguido num grande quarteirão de 22.230m², delimitado pelas ruas da Cantareira, Mercúrio, Assad Abdala e avenida do Estado.

 

Com  uma excelente solução de iluminação natural graças ao uso de clarabóias e telhas de vidro, a área construída  de 12,6 mil m² teve um requintado acabamento (painéis de azulejos provenientes da Alemanha e da Bélgica; escada de mármore carrara, por exemplo) e era muito bem planejada e funcional, tendo sido originalmente dividida da seguinte forma: 40% para cereais, legumes, frutas e flores; 20% para laticínios e salgados; 10% para carnes verdes; 10% para peixes e os 20% restantes para aves, caças e outros animais.

 

Na estrutura do edifício, cujo pé-direito chegava a atingir 16 metros, foi usado concreto armado, material que começava a se popularizar em São Paulo. A composição da fachada é marcada por uma série de arcos, com fecho em forma de mascarões de rostos femininos, encimados por cornucópias cheias de frutas. Na rua da Cantareira e na avenida do Estado, há duas torres que se projetam da fachada, sendo que apenas na rua da Cantareira são coroadas por cúpulas revestidas de bronze. Os arcos dessas torres são fechados pelo brasão da cidade de São Paulo, criado poucos anos antes pelo artista J. Wasth Rodrigues, por iniciativa do então prefeito Washington Luís.

 

Vitrais de Conrado Sorgenicht Filho

 

O ponto alto da decoração eram os 55 vitrais em estilo gótico, executados com vidros coloridos vindos da Alemanha, retratando cenas do campo - a lida com o gado, o plantio e a colheita do café – base das atividades econômicas do Estado no período. As peças eram de autoria de Conrado Sorgenicht Filho, o grande nome da arte em vitral de São Paulo. De uma família de mestres vitralistas alemães de apurada técnica, que, com Conrado Sorgenicht pai, chegou à São Paulo em 1888 e fundou a Conrado Vitrais e Cristais, ele também foi o autor dos vitrais da Estação Sorocabana e de vários outros edifícios importantes, como o Teatro Municipal, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a Catedral da Sé e mais 300 outras igrejas brasileiras. A confecção dos vitrais do Mercado Municipal demandaram a Conrado cinco anos de trabalho árduo. E no final dos anos 80, Conrado Sorgenicht Neto se encarregou da restauração dos vitrais que seu pai havia criado sessenta anos antes.

 

A Inauguração

 

Em 1.932, as obras foram concluídas, mas a inauguração teve de ser adiada por conta da Revolução Constitucionalista - o prédio do Mercado foi requisitado para servir de paiol e estocou armas e munições das tropas paulistas. Conta-se, ainda, que os soldados, para treinar sua pontaria, miravam as cabeças das figuras dos vitrais e que, depois, Sorgenicht trabalhou por mais dois meses para repor os fragmentos quebrados.

 

Derrotada a Revolução, finalmente, no dia 25 de janeiro de 1933, quando a cidade contava com uma população de um milhão de habitantes, foi oficialmente inaugurado “O mais vasto edifício municipal de sua espécie na América do Sul”, como anunciou o jornal O Estado de São Paulo, que foi considerado, na época, "majestoso demais para a sua finalidade".

 

Os primeiros tempos

Após a inauguração, entretanto, não foram muitos os interessados em transferir-se para lá, pois os comerciantes, muitos deles imigrantes – italianos, espanhóis, portugueses e libaneses, estavam receosos, assim como os fregueses, por conta de ser a Várzea do Carmo um enorme pântano e não haver nenhum meio de transporte que ligasse a região com o restante da cidade. Foi somente em 1939, quando começaram a circular as três primeiras linhas de bonde servindo as ruas próximas, que o Mercado se tornou atrativo e interessante, tanto para a população da região central da cidade, quanto para os comerciantes para os quais, a título de incentivo, a Prefeitura da época resolveu oferecer os boxes gratuitamente.

 

No início de seu funcionamento, o piso inferior era utilizado para a venda de verduras e legumes por atacado e, no superior, para a venda a varejo.

 

Segundo depoimento de Jorge Americano, em seu livro  São Paulo nesse Tempo (1915–1935), no mercado da Cantareira "havia frutas, cereais, legumes, verduras, lingüiças, frangos, toda a pequena produção das chácaras dos arredores e um setor de peixe, vindo de Santos. Nada de artigos que não fossem comestíveis, a não ser as cestinhas e peneiras tecidas em taquara e os potes e moringas de barro".

 

O Correr do Tempo

 

No pós-guerra, o Mercadão viveu a sua fase de maior esplendor e solidificou sua fama e prestígio como Templo Gastronômico. A economia estava aquecida; a cidade recebia muitos imigrantes, gente de todos os lugares faziam compras ali. 

 

Mas o período áureo acabou ainda no final da década de 50, quando a região passou a enfrentar uma série de enchentes do Tamanduateí (só controladas no final dos anos 70), que culminaram com a inundação de 1966, quando as águas chegaram a mais de um metro de altura dentro do mercado. Ainda nessa época, São Paulo assistia à abertura de seus primeiros supermercados. Os anos 60 foram de tempos difíceis para o Mercadão, chegando-se, mesmo, a se cogitar a sua demolição. Mas, felizmente, os comerciantes se uniram, conseguiram seu tombamento pelo Condephaat e adotaram um perfil mais varejista, mantendo-se os tradicionais boxes que passam de geração para geração.

Durante mais de 3 décadas, o Mercadão da Cantareira foi o grande entreposto de alimentos de São Paulo, centralizando a distribuição atacadista de frutas e verduras. Mas, como os mercados públicos que o antecederam, acabou, ele próprio, se tornando insuficiente para a cidade que mais crescia no mundo, malgrado suas dimensões colossais. Foi substituído pelo CEASA, construído entre 1961 e 1966 às margens de outro rio - o Pinheiros (curiosamente, o próprio CEASA já se tornou obsoleto, e está sendo planejada uma nova central de abastecimento no rodoanel, a Ciap).

 

A Restauração

 

Apesar de sua importância, o Mercadão não recebeu, ao longo do tempo, o cuidado que merecia e necessitava. Somente em 1974, a Prefeitura da cidade realizou pintura nas fachadas e outras pequenas reformas no edifício, mas muito ficou faltando. Uma outra reforma, nos anos 80, também pouco resolveu. Um Projeto de Requalificação do Mercado Municipal Central ficou pronto em 1989,  mas, por inúmeras razões, sendo a mais relevante o custo do empreendimento considerado muito elevado para a época, nunca saiu do papel.

 

Para a sorte de São Paulo e de todos nós, a gestão da Prefeita Marta Suplicy (2001-2004) teve como uma de suas prioridades a implementação do Programa de Revitalização do Centro de São Paulo que, entre outras ações, incluiu a completa restauração do Mercadão. O projeto de 1989 foi, então, revisto, havendo a readequação da infra-estrutura geral  do edifício para a atual realidade do centro da cidade e do vai-e-vem de seus cidadãos, evidentemente muito diferentes da realidade de sete décadas atrás, quando ele foi projetado e construído.

 

Observando a tendência do Mercado Municipal como centro gastronômico aliado ao histórico varejista, a Prefeitura resolveu não só requalificar a infra-estrutura, mas, também, fazer um outro projeto que adicionasse novas funões ao espaço. Assim, o programa de intervenções foi dividido em duas etapas:

 

- a primeira tratou da infra-estrutura em relação ao conforto, segurança, acessibilidade dos portadores de deficiências físicas a todas as dependências do edifício, tratamento seletivo e acondicionamento do lixo, doca de carga e descarga adequada, “piso flutuante” sobre galerias;

 

- a segunda, dotou o Mercadão de novas áreas, como restaurantes, Escola de Culinária e um Mezanino de 2.000m² para funcionar como uma espécie de varanda gastronômica com vista para o interior do edifício, privilegiando os vitrais. O antigo salão de Leilões do Mercado Municipal foi totalmente restaurado, tornando-se um amplo espaço destinado para exposições e eventos.

 

Os 12.600m² de área construída do Mercado Municipal ganharam mais 8.000 m2 entre áreas construídas e reaproveitadas. Além dos 281 boxes que comercializam alimentos variados, o local passou a abrigar nove restaurantes de cozinhas de diferentes especialidades, padaria, choperia e uma ampla rea de serviços com sanitários, fraldário e enfermaria. Sempre preservando o patrimônio histórico, nas adaptações arquitetônicas realizadas, adotou-se, intencionalmente, uma linguagem contemporânea que permitisse a distinção clara entre o que é característica do projeto original do edifício e o que havia sido feito agora.

 

O piso foi trocado por placas de granito flaneado; o telhado reformado; o teto ganhou novas luminárias e pintura original, e os vitrais, foram minuciosamente recuperados. Houve, também, a retirada da fiação até então existente sobre os boxes. O projeto previu, ainda, cuidados com a iluminação interna, nova iluminação externa, a chamada "iluminação monumental" que valorizou a fachada do edifício que recebeu pintura original. Com a obra, os 1.600 funcionários locais se beneficiaram com um novo refeitório e vestiários. Também foram realizadas melhorias no entorno do edifício, como redimensionamento do estacionamento e calçadas mais amplas para a acessibilidade ao Mercadão. 

 

Com projeto do arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva, as obras tiveram início em agosto de 2003 e, valendo-se de uma logística especial, foram realizadas sem que o funcionamento normal do Mercadão em todos os dias da semana fosse suspenso. Exatamente um ano depois,  no dia 26 de agosto de 2004, como parte das comemorações dos 450 anos da cidade, lindo e majestoso, o Mercado Municipal Paulistano, foi entregue à população.

 

Ao longo de mais de sete décadas de existência, o Mercadão da Cantareira  manteve o seu charme, tradição e a qualidade de seus inúmeros produtos, vendidos tanto no atacado quanto no varejo, sendo aclamado por uma fiel e variada clientela, que inclui donas de casa, gourmets exigentes, proprietários e chefs de restaurantes famosos. como templo de especiarias e produtos gastronômicos em geral.

 

Virgínia Brandão

 

 

 

Números do Mercado Municipal Paulistano:

  • 1.600 funcionários trabalham no Mercado;

  • 1.000 toneladas de alimento são movimentadas por dia (atacado e varejo) 

  • 298 é o total de boxes;

  • 14 mil visitantes circulam por dia (durante as obras, verificou-se que esse número não diminuiu e, em alguns momentos, até mesmo elevou a média das vendas dos boxes).

  • Após a reforma, a média de público saltou para 20 mil pessoas/dia;

  • 90 caminhões, em média, chegam e saem do Mercado por dia com mercadorias;

  • 1.200.000 litros de água é o gasto mensal;

  • 780 kw/h é o gasto mensal de eletricidade.

 

 

 
 

Felisberto Ranzini

 

O arquiteto do Mercado Municipal, nasceu em 18 de agosto de 1.881, e morreu em São Paulo, em 22 de agosto de 1976. Foi professor de Composição Decorativa da Escola Politécnica, e um aquarelista e desenhista consumado. Desde 1.904 trabalhava para Ramos de Azevedo, e a partir de 1.920, com a morte de Domiziano Rossi, passou a ser o principal projetista do escritório Ramos de Azevedo, onde trabalhou por quarenta e dois anos. Pouca gente sabe, mas a maioria dos projetos atribuídos a Ramos é na verdade de seus colaboradores e auxiliares. Ramos de Azevedo foi sobretudo o grande empreiteiro de São Paulo na República Velha, graças a suas excelentes conexões políticas.

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Saiba mais sobre o Mercadão e a História do Abastecimento na cidade de São Paulo, CLIQUE AQUI.

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Mercado Municipal Paulistano

Prefeitura Municipal da Cidade de São Paulo

Piratininga.org

Arquivo Histórico Municipal

Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - USP

 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 
 
 

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