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Os Engenhos de Farinha de Mandioca da ilha de Santa Catarina

 

Virgínia Brandão

 

 

Os açorianos que chegaram ao litoral catarinense a partir de 1748, eram, basicamente, lavradores, acostumados a plantar o trigo, principal fonte de alimentação do arquipélago, e a cevada. Trabalhavam com atafonas na moagem do trigo, utilizando a força eólica para movimentar os poéticos “moinhos de vento”, muito comuns no arquipélago de Açores. Aqui, o trigo não vingou, as terras não eram apropriadas para esse tipo de cultivo, pela presença de densas florestas.

 

Assim, os açorianos acabaram se adaptando ao alimento da terra, a mandioca. Foi o beijú que salvou a necessidade básica desses colonos, substituindo o pão. Eles aprenderam o cultivo da mandioca e sua utilização como alimento e, ainda, a extrair, também, o polvilho com o qual produzem roscas, broas e outras iguarias.

 

O método indígena de fazer a farinha era bastante rudimentar e pouco rendoso. Com a tecnologia que conheciam, dos moinhos de vento, criaram adaptações para que fossem movimentados os engenhos, utilizando-se da força de um boi. A criação desse processo de beneficiamento da mandioca, já no final do século 18, levou a antiga Vila de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, a exportar excedentes de farinha de mandioca e polvilho para o Rio de Janeiro e para a província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

 

Do encontro das culturas indígena e açoriana, surgiu o Engenho de Farinha. Visitar um engenho é fazer um passeio pela História da principal atividade econômica da Ilha de Santa Catarina durante dois séculos. No inverno, toda a família, auxiliada pelos vizinhos, punha-se na lida da farinhada. Atividade que atravessava as noites e era acompanhada de cantorias e fandangos até o romper do dia.

 

A Farinhada

 

A Farinhada começa quando os bois são cangados no carro para ir a roça de mandioca que esta plantada a mais de um ano. Trazendo estas raízes para dentro do engenho , começa-se com a tirada do capote, isso é, raspar a casca para que fique somente a raiz nua. Na raspagem da mandioca é onde se dão as cantorias e brincadeiras, conta-se causos e esta lida vara dia e noite.

 

Após a raiz raspada é lavada e vai para o sevador, o qual é encarregado de sevar (ralar ) a mandioca. Tem que ser uma pessoa experiente na arte de sevar. Com a massa da mandioca pronta, isso é "sevada" vai para a prensa dentro dos tipitis e fica prensando durante uma noite inteira até sair bem a água e ficar só a farinha. Depois desta etapa, o bolo do tipiti é desfeito é peneirado, indo daí para o forno para torrar. Terminado a torração vai a farinha pro paiol para ser estocada até ser vendida. Durante este processo, ainda retiramos polvilho de mandioca através da decantação da água da mandioca. Antes de se torrar a farinha, ainda se faz o beiju e o cuscuz. Com a farinha torrada são feitas iguarias da culinária ilhoa como "Manoel pança, rosca de polvilho, rosca de massa, bolinho de graxa, coxinha de velha e outras".

 

A forma mais comum de consumo da farinha de mandioca é o pirão. Feito de água quente (nalho ou escaldado) ou água morna (de jacuba ou de pinto, pirão cru) também o pirão pode ser feito com os caldos de feijão, caldo de peixe, caldo do cozido e de tudo que é caldo.

 

Os Engenhos

 

Os engenhos são classificados em:

 

Engenho de Cangalha - O boi tem o andame ao redor do forno e do sevador em geral roda sob a roda grande ou Bolandeira, é o típico engenho da ilha.

 

Engenho de Chamarrita - É aquele que o boi trabalha tocando somente a roda do sevador , o forno é tocado  manualmente. ( é muito rudimentar, também chamado de Pouca Pressa ou Caranguejo )

 

Engenho de Mastro - Em geral o boi tem o andame fora da roda grande, esta roda é tocada por um mastro comprido, que liga o Andame até a roda grande ou Bolandeira, muito pouco usado na Ilha.

 

VOCABULÁRIO PRÓPRIO

 

Ao visitar um engenho tem-se contato com palavras pouco conhecidas: sevador, prensa, fuso, antrolhos, tipiti, cangalha, quarta, paiol, almanjarra, canga, rodete, hélice, etc. Além da farinha de mandioca, também chamada de farinha de guerra. Conheça algumas delas e os seus significados:

  • Almanjarra - Madeira curva que liga o Peão da Roda a Cangalha;

  • Andame - Caminho por onde o boi passa no trabalho do engenho em geral é forrado com capim melado;

  • Antrolhos - Vendas colocada nos olhos do boi para que ele rode no Andame;

  • Canga - Suporte de madeira com dois rebaixos que complementada com o Canzil para juntar os bois no carro;

  • Cangalha - Canga colocada no Almanjarra para que o boi trabalhe no Andame;

  • Canzil - Cada um dos dois paus da canga, entre os quais o boi mete o pescoço;

  • Fuso - Parafuso de madeira que ira fazer pressão na Prensa;

  • Helice - É a pá do forno que tem duas pontas e um rodete embutido

  • para mexer a farinha no forno de torração;

  • Paiol - Local destinado a estocar a farinha depois de pronta, para o consumo e ou para a venda;

  • Peão da Roda - é o mastro que segura a Roda Bolandeira;

  • Prensa - Local onde se coloca os Tipitins para retirar a água da massa da mandioca;

  • Roda Bolandeira - É a roda grande do engenho;

  • Rodete - É a engrenagem de madeira em forma de dente com a finalidade de tocar o engenho

  • Sevador - É a pessoa encarregada de Sevar (ralar) a mandioca;

  • Tipiti - Cesto feito de taquaras usado para colocar a massa da mandioca na prensa

  • Quarta - É uma medida volume é ¼ do Alquer. Um saco de farinha tem 2 alqueres.

  • ¼ Alquer = 1 Quarta = 10 Litros = 05.50 Kg

  • ½ Alquer = 2 Quarta = 20 Litros = 11,00 Kg

  • 1 Alquer = 4 Quarta = 40 Litros = 22,00 Kg

  • 2 Alquer = 8 Quarta = 80 Litros = 44,00 Kg

 

Em geral os engenhos de farinha são tocados por um único boi.  O engenho de Açúcar, também chamado de moenda trabalha em geral com dois bois , usado para moer a cana de açúcar de onde é tirado a garapa. E com o cozimento dela é que obtém primeiro o melaço de cana , depois o açúcar (grosso ) . Também através da destilação da garapa fermentada pode se fazer a aguardente e do melaço fermentado a cachaça.

 

Perigo de extinção

 

Os engenhos de farinha, movidos a tração animal, que antes eram a alavanca da economia do litoral catarinense e o ganha-pão de muitos agricultores, entretanto, estão fadados a ficar apenas na memória da população ou servir de decoração em ambientes de grandes mansões. De centenas existentes no passado - até meados do século 20, a Ilha de Santa Catarina possuía mais de 300 engenhos de farinha - hoje não passam de uma dezena em funcionamento. Os engenhos representam a fase do apogeu econômico vivido pela agricultura na Ilha. A partir da década de 60 ocorreu a decadência motivada por vários fatores, entre eles a especulação imobiliária e a queda da renda na venda de farinha.

 

Há, realmente, muita dificuldade para se encontrar um engenho tocado a boi na Ilha de Santa Catarina. Boa parte dos remanescentes está funcionando à base de energia elétrica. Para piorar, os que trabalham pelo sistema antigo, praticamente, já fizeram a última fornada, ou estão servindo de atração em festas que cultuam a tradição açoriana. Os existentes obrigam o agricultor/proprietário a buscar mandioca em outras localidades. Já se pode constatar que o cultivo do produto, base da economia do Estado em tempos idos, está se acabando.

 

Os problemas começaram com um decreto municipal, da década de 50, que proibia o funcionamento dos engenhos sem piso no chão e azulejos nas paredes. O pretexto era preservar as condições de higiene, mas era uma determinação completamente fora da realidade, já que os engenhos eram abrigados em grandes ranchos cobertos com telhas de calha e com paredes barreadas ou tábua corrida.
 

Assim, impossibilitados de cumprir a exigência da lei, os engenhos foram sendo paulatinamente demolidos, antes que algum fiscal os surpreendesse fabricando a farinha de modo artesanal. Depois, veio a urbanização descontrolada, o local da roça foi loteado e transformado em conjuntos habitacionais.

 

Em todo o Brasil ainda é produzida a farinha de mandioca de forma artesanal. No entanto, os catarinenses afirmam que nenhuma farinha se compara àquela produzida no litoral catarinense: "somente aqui, ao mesmo tempo, ela é fina, torrada e alva", dizem eles orgulhosos.
 

 

VISITE UM MOINHO EM FUNCIONAMENTO

 

Engenho do Caminho dos Açores

 

Entre os poucos engenhos que sobraram em Florianópolis, recomenda-se a visita a um típico engenho de cangalha em atividade - o Engenho do Caminho dos Açores.

 

Este engenho de farinha fica junto ao casarão da família Andrade. Lá você também encontra uma exposição permanente dos irmãos artistas plásticos; Neri Andrade e Cláudio Andrade. O primeiro, considerado pela crítica um dos "naïfs" do Sul do Brasil. O segundo, utiliza a cerâmica como matéria prima para criar a escultura sacra.

 

Esta aberto a visitação pública nos horários das 9:00 as 12:00 e das 14:00 as 19:00 horas.

 

Casarão e Engenho dos Andrade

Caminho dos Açores, 1180

Santo Antônio de Lisboa

Localizada a 13 km do Centro, no Norte da Ilha

Florianópolis  -  Santa Catarina

Fone: (48) 235-2572

 

 

 

 
Saiba mais sobre:
Cozinha Brasileira
Cozinha de Santa Catarina 

Santa Catarina

Mandioca
 

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Em Florianópolis, desde 1666, tem-se notícias de que haviam lavouras e construções de engenhos, quando do início do processo de colonização do Rio Vermelho, onde se originou uma das três mais antigas freguesias da Ilha, fundada por açorianos, em 1750.

A localidade foi rica em engenhos de farinha e de açúcar (ainda existentes na Costa da Lagoa) e próspera no cultivo da terra e na pesca. Eram produzidos, também, tecidos de algodão, em teares rudimentares, nos séculos 18 e 19.

Sambaqui, Sertão da Lagoa do Peri e Ribeirão da Ilha também tiveram seus engenhos. Em Santo Antônio de Lisboa resta o Engenho da Família Andrade, que foi recuperado e voltou a funcionar.

De acordo com dados do NEA/UFSC, há, hoje, engenhos em Ratones, Vargem Grande, Lagoinha da Ponta das Canas, Ribeirão da Ilha, Tapera e Sertão do Peri.







 

Engenho do Caminho dos Açores

O engenho, também conhecido como Engenho de Farinha da Família Andrade, é um local acolhedor aos visitantes, pois leva a mente a imaginar um tempo em que a Ilha estava começando a ser colonizada e que foi à principal atividade econômica durante dois séculos. Produzia-se farinha de mandioca (cultura indígena), que foi durante muito tempo à base da alimentação dos colonizadores açorianos no litoral catarinense. O engenho e o casarão formam um pequeno complexo histórico, que conta ainda, com um restaurante especializado em comidas típicas da Ilha.

 

Como chegar: Saindo do Centro rumo ao Norte da Ilha. Antes da cabine de pedágio desativada, pegar sentido ao Bairro de Santo Antônio de Lisboa.




Fontes: Universidade Federal de Santa Catarina

www.omane.com.br

 


 
 

 

 

 

 


 

 


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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 
 

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