CORREIO GOURMAND    

Home

|

O CORREIO GOURMAND

|

CUPOM GOURMAND

|

SORTEIO DO MÊS

|

PREMIADOS

|

PROMOÇÕES

PROMOÇÕES

CORREIO GOURMAND

CADERNO DE CULTURA GASTRONÔMICA CADERNO DE NOTÍCIAS DICIONÁRIOS GASTRONÔMICOS CADERNO SAÚDE & SABOR

CADERNO FOODSERVICE

CADERNO DE RECEITAS VÍDEOS GOURMANDS

CADERNO ROTEIROS TURÍSTICOS

 

CADERNO DE CULTURA GASTRONÔMICA

CADERNO DE NOTÍCIAS

DICIONÁRIOS GASTRONÔMICOS

CADERNO SAÚDE & SABOR

CADERNO FOODSERVICE

CADERNO DE RECEITAS

VÍDEOS GOURMANDS

CADERNO ROTEIROS TURÍSTICOS

Mapa do Portal

 
GUIAS GOURMANDS

GUIA ONDE COMER BEM

GUIA ONDE SE HOSPEDAR
GUIA FAZENDO FESTA
GUIA DE ESCOLAS E CURSOS DE GASTRONOMIA
GUIA ONDE COMPRAR PRODUTOS GASTRONÔMICOS
GUIA DO MERCADÃO DE SÃO PAULO
 

   

Alimentando o saber, aprimorando o paladar...

 

   

Apoio cultural: 

APROVADO  

 

 

POIRE BELLE HÉLÈNE

A mais romântica das sobremesas

 

Virgínia Brandão

 

 

Clássico dos clássicos da culinária francesa, a Poire Belle Hélène, além de uma sobremesa deliciosa é, também, um ícone do que eu chamaria de "gastronomia romântica" e muitos outros chamam de "cozinha afrodisíaca".

 

Consiste em peras cozidas numa calda à qual se agregou alguma bebida alcoólica (em geral vinho ou poire) e diversas especiarias, e que são servidas com sorvete de baunilha e calda de chocolate quente. Em versões mais sofisticadas, costuma-se agregar delicadas fatias de amêndoas torradas e chantily à receita.

 

A pêra é uma fruta muito sensual, feminina na alma, no paladar e no estilo. Voluptuosa, ela flerta desejosamente com diversas especiarias e ervas, que a envolvem gerando harmonias sutis, picantes e surpreendentes que convidam a uma viagem pelos sabores. Suculenta, macia, delicada, perfumada, refrescante, seu formato, muitas vezes, é comparado aos seios das mulheres. Ao mescla da pêra com o chocolate, conhecido estimulante do corpo e da alma, beira à perfeição, deixando uma deliciosa e ímpar sensação na boca, que revela os aromas açucarados da pêra, levemente amadeirados, exalados pelo calor do chocolate derretido.

 

Não foi por menos, que essa combinação sempre inspirou chefs, gourmets e gourmands, assim como aconteceu com o criador da receita da "Poire Belle Hélène", cujo nome, infelizmente, não foi registrado pela História, ao contrário de sua criatura, que ganhou notoriedade mundial com correr do tempo.

 

O que se sabe, é que foi criada sob a égide do romance e da sensualidade, na Paris do século 19. Vivia-se, então, o apogeu do movimento romântico que, como podemos observar, fez-se presente em todas as artes, inclusive na gastronomia. Mais precisamente, a receita foi lançada por ocasião da estréia, em 17 de dezembro de 1864, da opereta La Belle Hélène,  composta pelo alemão Jacques Offenbach, inspirada numa famosa e "caliente" história de amor e sedução - a da paixão de Helena, rainha de Esparta, mulher de Menelau, pelo belo Paris, príncipe príncipe de Tróia, que a leva para seus domínios, provocando a famosa guerra que Homero descreveu na Ilíada.

 

O espetáculo tinha como estrela principal a soberba soprano francesa Hortense Schneider (1833-1920), muito admirada por sua poderosa voz, presença em cena e talento para os diálogos cômicos. Um jornalista da época assim a descreveu: "É impossível ser mais picante, mais bonita e mais original...".

 

Apesar de não possuir uma beleza clássica, Schneider era considerada uma mulher muito sensual, e sua vida fora do palco, sobretudo a amorosa, foi muito tumultuada, com uma sucessão de amantes nobres, entre os quais se incluíram o Príncipe de Gales, o futuro Edward VII, Napoleão III e do duque de Morny. As más línguas da época a chamavam de “le passage des princes” (passagem dos príncipes) ou “la divine scandaleuse" (a divina escandalosa). Morreu em Paris, aos 87 anos, mais quatro décadas depois de ter se casado e abandonado os palcos em 1878.

 

Foi essa grande artista e polêmica mulher que, encarnando nos palcos a passional Helena de Tróia, inspirou nosso anônimo cozinheiro a criar a sensualíssima receita da Poire Belle Hélene, presença marcantes nos cardápios românticos daqueles tempos e nos de hoje.

 

Sucesso sem precedentes, La Belle Hélène teve mais de 500 apresentações sem que o entusiasmo do público se arrefecesse.

 

As Mais que uma simples reconstituição da famosa história Antiguidade grega, La Belle Hélène era uma sátira erótica e mordaz sobre uma sociedade hedonista, referência direta à alta sociedade que gravitava em torno de Napoleão III. A cena do primeiro ato, que narra um absurdo jogo de charadas vencido por Páris, constitui uma transposição dos jogos de salão comumente praticados na corte. O terceiro ato, que se passa no mar, evoca um dos destinos turísticos prediletos do Imperador. Com "La Belle Hélène, Offenbach legou à posteridade uma outra obra truculenta e colorida, fiel à espírito do Segundo Império.

 

 

As Operetas

 

As Operetas eram uma novidade daqueles tempos e Offenbach foi um dos precursores do gênero, tipicamente francês. Também chamadas de óperas ligeiras, as operetas eram pequenas óperas que se  caracterizavam por serem mais leves que as óperas tradicionais (chamadas de óperas sérias), tanto pela música, alegre e viva, como pelo enredo descontraído e diálogos falados entre números de música cantada, o que fez com que, rapidamente, caíssem no gosto popular e obtivessem enorme sucesso. A Opereta é considerada a mãe da moderna "Comédia Musical" - peça teatral cantada, que utiliza atores que também são cantores. Graças a Offenbach, a opereta tornou especialmente popular em Paris, e seu nome imortalizou-se ligado a esse gênero musical.

 

 

Como toda boa receita que se preze, a da Poire Belle Hélène permitiu e ganhou complementos e releituras ao longo do tempo. Veja, abaixo, algumas delas:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheça a receita da Poire Belle Hélène, clique aqui.

 

 

Saiba mais sobre:

Peras, clique aqui.
Chocolate, clique aqui.
Sorvete, clique aqui.
   
 

Voltar à página principal de CULTURA GASTRONÔMICA

 
 
 
 

Hortense Schneider - estrela da opereta "La Belle Hélène" e musa inspiradora da "Poire Belle Hélène, a mais romântica de todas as sobremesas.

 

 

 

Jacques Offenbach

(1819/1880)

 

Jacob Ebert, que ficou conhecido com Jacques Offenbach, nasceu na cidade de Colônia, na Alemanha, em 20 de Junho de 1819. Filho de um chantre (cantor) de sinagoga, foi muito jovem viver para Paris, onde estudou violoncelo no Conservatório por alguns anos. Depois de trabalhar como violoncelista na orquestra da Opéra-Comique, assumiu o lugar de maestro no Théâtre Français. Tornou-se conhecido como compositor de cançonetas, iniciando a carreira de compositor de operetas aos 39 anos com "Pépito", que pouco êxito alcançou. Foi dois anos mais tarde, quando se tornou empresário do pequeno Teatro dos Champs Élysées, que batizou de Bouffes-Parisiennes, que o seu sucesso, e prosperidade econômica se iniciaram numa ascensão vertiginosa. Homem certamente possuidor de uma energia invulgar, Offenbach escreveu cerca de 100 operetas e óperas-bufas no espaço de 26 anos.

 Esse o trabalho que sobrevive ao Tempo, porque, mais do que um compositor ou um autor de canções, Offenbach foi, sobretudo, um homem de teatro, um encenador exigentíssimo, capaz de sacrificar alguns compassos para obter o efeito cênico desejado. Foi, também, um homem de teatro no campo comportamental, já que o seu temperamento explosivo ficou para sempre como uma marca da sua personalidade. Um temperamento explosivo que ele próprio reconhecia, sendo seu hábito iniciar os ensaios dizendo: "Meus amigos, peço-lhes que me perdoem em pelas coisas horríveis que lhes vou dizer." E depois... dizia. E fazia. Como daquela vez em que assistia ao final de uma das suas operetas – um final que se arrastava interminavelmente. Doente e febril, saltou da poltrona para a orquestra, com uma energia extraordinária, e emendou o que havia a emendar, sendo aplaudido por todos. Depois voltou a cair, exausto, na poltrona, e exclamou: "Parti a bengala... mas encontrei o final. Morreu em Paris, em 5 de outubro de 1880, aos 61 anos de idade.

Assim era Offenbach, o autor da ópera-buffa "La Belle Hélène", escrita e encenada pela primeira vez em 1864, da qual você vai poder saber um pouco na sinopse abaixo. Confira!!

 

 

 

 

 

La Belle Hélène

 

Música: Jacques Offenbach

Livreto: Meilhac e Halévy

 

 

Estréia: 17 Dezembro 1864
Théâtre des Variétés de Paris

 

duração: 130 minutos

 

Personagens

 

Helena, Rainha de Esparta

Paris, filho do Rei de Tróia

Menelaus, Rei de Esparta

Agamemnon, Rei de Argos

Clachas, enviado de Júpitar

Orestes, Filho de Agamemnon

Achilles, Rei de Phtiotis

Ajax I, Rei de Salamis

Ajax II, Rei de Locrians

Bacchis, Aia de Helena

Parthoenis, um cortesão

Leoena, uma cortesã

 

1.º Ato
A ação se passa na Antiguidade, e la Belle Hélène não é outra senão a lendária Helena de Tróia. A ação inicia durante as festas em honra de Adônis quando o povo deposita as suas oferendas diante do altar do deus. Calchas, grande sacerdote de Zeus, queixa-se de que as oferendas são cada dia mais insignificantes. Depois, é a vez das mulheres se queixarem dos esposos, dizendo que lhes falta ardor conjugal, e, comandadas por Helena, pedem a Afrodite que espalhe mais amor sobre o mundo. Mas a verdadeira preocupação de Helena é o concurso de beleza onde o pastor Páris recebeu de Afrodite, como prêmio por sua vitória, a promessa de ser amado pela mais bela mulher do mundo. E a mais bela mulher do mundo era Helena.

Páris chega disfarçado de pastor e entrega a Calchas uma carta de Afrodite. Nessa carta, a deusa incumbe o sacerdote de reunir Páris e Helena. A paixão é fulminante e recíproca, sendo esse primeiro encontro interrompido pelo cortejo liderado por Agamemnon que decidiu realizar um concurso consagrado às coisas da inteligência. Sempre disfarçado de pastor, Páris ganha todas as provas e é declarado vencedor. Isto gera o pânico entre os grandes: "um pastor
foi declarado mais inteligente do que eles!" Mas os ânimos acalmam-se quando é revelada a verdadeira identidade do premiado: ele é o filho de Príamo, rei de Tróia. Helena convida-o para jantar, e, a pedido de Páris, Calchas encarrega-se de afastar o marido incômodo que parte em viagem durante um mês.

2.º Ato
A ação do 2º ato desenrola-se um mês mais tarde da do 1º. Helena continua a resistir não apenas ao amor de Páris mas ao amor que sente por ele. Mesmo assim pede a Clachas para se encontrar com Páris em sonhos, já que, em sonhos, não corre qualquer perigo. Páris é informado deste desejo de Helena, e insinua-se nos seus aposentos "como se fosse um sonho". Só que o "sonho" torna-se na mais pura realidade com o regresso de Menelau. Espanto, gritos, fúria do marido, e Páris, em fuga, jurando não desistir.

3.º Ato
O 3º ato passa-se na estação dos banhos. Helena tivera alguma dificuldade em convencer Menelau de que aquilo que ele vira fora apenas um sonho. Mas não é isso que preocupa os grandes. Eles estão preocupados sim com a vingança de Afrodite pela expulsão de Páris. É que a deusa decidiu enviar sobre toda a população uma epidemia de infidelidade conjugal! Por tal forma que os príncipes pedem a Menelau que se sacrifique para bem do país. Mas Menelau agarra-se a uma outra solução: invocar Afrodite e transmitir-lhe as suas súplicas. De barco, vindo de Cyther, chega o mensageiro esperado: é de novo Páris com um novo disfarce dizendo que Afrodite está disposta a perdoar desde que Helena passe uma temporada na ilha. Helena embarca na companhia do mensageiro que acaba por lhe revelar a sua verdadeira identidade. Demasiado tarde: o barco deixou o porto. Segue-se a Guerra de Tróia... mas esta é uma outra história que não tem lugar nesta ópera.

 

 

 

 

Fontes:TV RTP Portugal

Wikipedia

História da Ópera

 

 

    Voltar ao topo  

 

  no Correio Gourm@nd  

 

APOIO:

 

 

 

 

Ovadia Saadia Comunicações

 

 

 

 

|

|

 

Copyright   -  VB Bureau de Projetos e Textos

Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 
 

Voltar ao topo