Localizado na Região
Sul do País, o Estado de Santa Catarina possui território do tamanho
aproximado de países como a Áustria, Irlanda ou Portugal. Suas
características climáticas diferenciam-se da maioria dos outros Estados
brasileiros, apresentando as quatro estações do ano bem definidas, com
verões ensolarados e um dos invernos mais rigorosos que encontramos em
nossa terra tropical.
A colonização catarinense começa com alguns pontos de ocupação para
expedições portuguesas e espanholas no Rio da Prata. Com o fim da União
Ibérica, Portugal incentiva o povoamento e os açorianos ocupam as
primeiras vilas do litoral. Então, pouco depois, os bandeirantes abrem
os "caminhos do sul" e pequenas comunidades surgem no interior. De 1829
em diante, os alemães concentram-se no Vale do Itajaí, fundam colônias
como Blumenau, Brusque, Pomerode e Harmônia (hoje, Ibirama). Austríacos
e poloneses também aparecem, apelidando, definitivamente, o vale de
"Europeu". Os italianos chegam e se estabelecem ao redor dos germânicos
(Rodeio, Botuverá, Nova Trento), no Planalto Serrano (Anita Garibaldi,
Lages) e no Sul (Urussanga, Nova Veneza, Criciúma).
A oeste do Estado, a divisa é com a Argentina. Os campos da região
caracterizam-se como uma das maiores áreas de produção de grãos do
Brasil. Também se destaca a criação de bovinos, aves e suínos para a
indústria alimentícia, sendo Chapecó, considerada a Capital
Latino-Americana de Produção de Aves e Centro Brasileiro de Pesquisas
Agropecuárias.
Na fronteira leste, encontra-se o oceano - são mais de 400 km de faixa
litorânea e como a maioria das praias brasileiras, famosas
internacionalmente. Geram muito lucro à economia de Santa Catarina,
através da maricultura e do turismo. Lugares como o Balneário Camboriú,
por exemplo, com população fixa de aproximadamente 74 mil habitantes,
chega a receber quase um milhão de turistas durante o verão. No litoral
também fica Florianópolis, Capital do Estado e um dos pólos
econômico-turístico-culturais do Sul do País. A culinária local deixa
evidente a influência açoriana no cardápio, com o uso de peixes, ostras,
lagostas e camarões, em preparados à base de técnicas lusitanas como a
caldeirada, o ensopado e o bafo. Os catarinenses festejam a cultura
portuguesa em duas grandes comemorações: a Marejada, também conhecida
como Festa Portuguesa e do Pescado, em Itajaí e a Fenaostra (Festival
Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana), que acontece em Florianópolis
e comemora o título do Estado de Capital Nacional da Ostra.
A região central é formada pelo Vale do Itajaí e pelas várias
comunidades de pequeno e médio porte do Meio-Oeste. O vale Europeu
abriga cidades onde a colonização, principalmente a alemã, ficou
enraizada na gastronomia (Chopp, Kassler, Einsbein, Chucrute e Marreco
Recheado, são exemplos da culinária germânica), arquitetura e festas,
como a Oktoberfest (Blumenau), Fenachopp (Joinville), Fenarreco
(Brusque), Schützenfest (Jaraguá do Sul), Kegelfest (Rio do Sul) e
Tirolerfest, em Treze Tílias, cidade fundada por imigrantes austríacos,
que conserva a tradição também em pratos típicos como o goulash (tipo um
ensopado de carne), spätzel ("mini-nhoque") e scheiterhaufen (torta de
maçã).
No Sul, fica o Planalto Serrano, uma das regiões mais frias do País.
Algumas cidades, como São Joaquim e Lages, têm direito à neve e
temperaturas que podem cair até -10ºC. A cultura italiana domina grande
parte da região, popularizando seus costumes através das festas (como a
Festa do Vinho, de Urussanga), da culinária e da tradição vinícola.
A principal característica da gastronomia catarinense é essa
diversidade. Pela culinária típica dos alemães do Vale do Itajaí, pela
técnica pesqueira que os portugueses legaram ao litoral ou pela "Pequena
Itália" encontrada ao Sul, percebemos como as raízes gastronômicas de
Santa Catarina refletem essas diferenças entre os povos colonizadores, e
que, sua culinária típica, agrega harmoniosamente elementos de todas
essas culturas.
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