CORREIO GOURMAND    

Home

|

O CORREIO GOURMAND

|

CUPOM GOURMAND

|

SORTEIO DO MÊS

|

PREMIADOS

|

PROMOÇÕES

PROMOÇÕES

CORREIO GOURMAND

CADERNO DE CULTURA GASTRONÔMICA CADERNO DE NOTÍCIAS DICIONÁRIOS GASTRONÔMICOS CADERNO SAÚDE & SABOR

CADERNO FOODSERVICE

CADERNO DE RECEITAS VÍDEOS GOURMANDS

CADERNO ROTEIROS TURÍSTICOS

 

CADERNO DE CULTURA GASTRONÔMICA

CADERNO DE NOTÍCIAS

DICIONÁRIOS GASTRONÔMICOS

CADERNO SAÚDE & SABOR

CADERNO FOODSERVICE

CADERNO DE RECEITAS

VÍDEOS GOURMANDS

CADERNO ROTEIROS TURÍSTICOS

CORREIO GOURMAND

Mapa do Portal

 

GUIAS GOURMANDS

GUIA ONDE COMER BEM

GUIA ONDE SE HOSPEDAR

GUIA FAZENDO FESTA

GUIA DE ESCOLAS E CURSOS DE GASTRONOMIA

GUIA ONDE COMPRAR PRODUTOS GASTRONÔMICOS

GUIA DO MERCADÃO DE SÃO PAULO

 

   

Alimentando o saber, aprimorando o paladar...

 

Apoio cultural:

 

 

Curanto veja mais...

 


 

COZINHA ARGENTINA

 

 

 

A rica e substanciosa cozinha de "los hermanos"

 

 

Virgínia Brandão

 

 

Síntese cultural de influências indígenas e mediterrâneas (espanhola, italiana e árabe) com a grande variedade de produtos agrícolas e pecuários do seu território, a cozinha argentina é a o resultado da mescla das comidas que os imigrantes europeus trouxeram consigo com as técnicas e os alimentos típicos das culturas indígenas que já habitavam a região quando da chegada dos conquistadores espanhóis.

 

A Argentina é o segundo maior país da América do Sul, depois do Brasil, o quarto das Américas e o oitavo do mundo em extensão geográfica. É bonita, interessante e cheia de surpresas que encantam. Seu povo é alegre, hospitaleiro e, muito ao contrário do que faz crer a nossa tradicional rivalidade no futebol, os argentinos gostam muito dos brasileiros e nos tratam muito bem, da mesma forma que fazemos com eles quando estão aqui. Felizmente, pois esse intercâmbio só enriquece a ambos os países e povos e à nossa maravilhosa América do Sul como um todo.

 

Mas, além disso tudo, a Argentina tem sabores e aromas variados e maravilhosos que, por si só, já são um verdadeiro convite a percorrê-la. Os climas do país deixam sua marca em cada gole e em cada comida; tradição e modernidade se unem em cada um de seus melhores restaurantes.

 

Abaixo, você vai conhecer um pouco da rica gastronomia dos argentinos, elaborada com todo o sincero carinho que temos por "los hermanos". Confira e verá que é impossível não ter vontade de provar de tudo.

 

TRADIÇÃO DE COMENSALIDADE

 

Na Argentina, comida é coisa muito séria e é ao redor dela, que gira boa parte da sociabilidade do seu povo. São muito comuns as reuniões em torno da mesa, seja em locais públicos ou nas residências. Os convites para comer são sinais de amizade, aconchego e integração. As reuniões familiares, aos domingos, geralmente, são ao redor de um churrasco ou um bom prato de massa e uma bela taça de vinho.

 

Outro traço que se mantém entre os argentinos, é a preparação caseira dos alimentos, especialmente, quando se recebe algum convidado, celebra-se um acontecimento ou apenas para uma reunião entre amigos. A tradição de elaborar artesanalmente os alimentos passa de geração em geração e, também, é uma forma de homenagear os seres queridos.

 

Por outro lado, a rede de oferta gastronômica está entre as melhores do mundo, com uma grande variedade de cozinhas, preços e sabores. De exclusivos e elaborados restaurantes de cozinhas internacionais a adegas e restaurantes mais simples, bares e cantinas, que apresentam propostas de pratos a preços acessíveis, não há como não se comer bem na Argentina.

 

OS PRODUTOS DA TERRA

 

A Argentina tem um extenso território, que vai da fronteira com o Brasil e suas florestas subtropicais às terras congeladas da Patagônia e da Tierra del Fuego, tendo todo seu lado ocidental margeado pela Cordilheira dos Andes. Conta, por isso, com diversos tipos de solos e climas, e uma vocação agrícola e pecuária natural que, aliada aos saberes e tradições de seu povo, materializa-se numa infinidade de produtos gastronômicos in natura e processados, via de regra de alta qualidade, muitas vezes de excepcional qualidade. De fato, avaliando as peculiares condições geográficas argentinas que tanto favorecem o país no que tange aos produtos gastronômicos, somos obrigados a admitir que Deus, no mínimo, tem dupla cidadania.

 

Dona de um dos solos mais férteis do mundo, a Argentina destaca-se na alta produtividade de grãos, principalmente milho, soja e trigo.  Outros produtos relevantes, são a erva-mate, aveia, cevada, cana-de-açúcar, girassol, uma enorme variedade de frutas (maçã, pêra, morango, cereja, framboesa, mirtilo ameixa, nectarina, pêssego, laranja, grapefruit, tangerina, limão, melancia, melão, uva, etc.), e de hortaliças (batata, alho, cebola, tomate, batata doce, abóbora, cenoura, alface, feijão, beterrabas, mandioca, abóbora, berinjela e pimentão, etc.).

 

As benesses da natureza e a engenhosidade das suas gentes, também, fizeram do país um dos grandes produtores  de vinho do mundo (ocupa, hoje, o quinto lugar, já tendo sido o quarto produtor nos anos 1980).  Clima, terreno e alto consumo de vinho pela população favoreceram a atividade, que dos anos 1990 para cá, tem se desenvolvido excepcionalmente no país, graças à associação com produtores europeus.  De acordo com a Corporação Vitivinícola Argentina (COVIAR), até 2020, os vinhos argentinos terão 10% do mercado global, colocando-se à altura da Austrália e dos Estados Unidos. Atualmente, cerca de 1000 vinícolas produzem vinho na Argentina. A grande maioria dos vinhedos fica situada no canto Noroeste do país, predominantemente na Província de Mendoza, nas encostas orientais dos Andes.

 

Mas, é a carne bovina o grande produto nacional. Embora tenha perdido para o Brasil o posto de maior produtor mundial que ocupou por décadas, a carne argentina continua, indiscutivelmente, sendo a melhor do planeta.

 

A Argentina tem, também, uma considerável produção suína e avícola. Em determinadas zonas, como no Sul do país, é comum a criação de ovinos, além da pesca de mariscos, crustáceos, moluscos e salmonados. Nas águas mesopotâmicas,  destacam-se os peixes de rio, como peixes-reis surubins, dourados ou bogas, entre outros.

 

Da extensa pecuária de todo tipo deriva uma desenvolvida indústria de laticínios, com leites, queijos, doces e iogurtes, de leite de vaca, ovelhas e camelídeos (lhama, vicunha e alpaca). A Argentina, também, é uma grande produtora de frutos secos, azeitonas, óleos de todos os tipos e especiarias.

 

Esta fonte quase ilimitada de matérias-primas permite uma grande versatilidade na hora de combinar elementos e readaptar tradições culinárias provenientes de outras latitudes.

 

SUA MAJESTADE O ASADO

 

Quando se fala em Argentina, pensa-se logo na carne. E, de fato, desde os tempos de colônia, a carne é o elemento fundamental da gastronomia cotidiana dos argentinos, os maiores consumidores do produto no planeta, com uma média de 70 quilos per capita anual (dados de 2009 da Câmara da Indústria da Carne Argentina - CICCRA). Até mesmo as camadas mais pobres da população consomem carne regularmente. Embora representem apenas 0,6% da população mundial, os argentinos consomem 5% da carne bovina produzida em todo o mundo. No país, convivem 36 milhões de argentinos com 62 milhões de cabeças de gado.

 

A carne bovina é utilizada em várias formas de preparo na Argentina, mas o expoente máximo da culinária nacional, cuja origem está mais vinculada às férteis terras das Pampas, é mesmo o churrasco, mundialmente conhecido e admirado.

 

Iguaria comum no país inteiro é, entretanto, preparado de diferentes formas; dependendo da região. No interior costuma-se fazer o churrasco de “estaca”, prendendo o animal inteiro aberto (porco ou cordeiro), ou apenas uma parte da carne de boi (costela, etc) em uma estaca em forma de cruz que é cravada no chão entre as brasas. Esse é o assado “criollo” ( pronuncia-se criojo).

 

Nas cidades, normalmente, são feitos em uma churrasqueira comum, a que chamam parrilla (pronuncia-se parrija), que pode ser feita de tijolos, concreto, ferro ou mesmo de lata (grandes latas de óleo cortadas ao meio). Na parrilla, não se utiliza o espeto. As grelhas são móveis, e os cortes podem permanecer tanto em paralelo às brasas como um pouco inclinados, o que permite controlar melhor o calor. O declive impede que a gordura caia sobre o fogo, justamente o que provoca a fuligem e a fumaça – ela escorrega direto por cantoneiras até cair num recipiente.

 

Duas peculiaridades envolvem o preparo do churrasco argentino. Em primeiro lugar, a forma de assar a carne: ele é feito na brasa e não no fogo. Seja grelha da parrilla ou no asado criollo, a carne só é colocada para assar depois que a madeira dura ou carvão usado sejam totalmente queimados e se transformem em brasas incandescentes (o que demora, em média, meia hora). A segunda peculiaridade diz respeito à salga da carne que só acontece depois de assada e com sal fino, raramente o grosso. Esses dois procedimentos, garantem os especialistas, são fundamentais para que a carne mantenha a sua suculência natural e resulte naquela delícia que encanta qualquer amante da carne.

 

Os churrascos são habituais nos finais de semana e feriados da Argentina, sempre na hora do almoço e nunca durando a tarde inteira como acontece no Brasil. Em geral, os argentinos apreciam a carne num ponto próximo ao malpassado. É o que eles classificam de "jugoso": tostado por fora e rosado por dentro.

 

A tradicional parrillada é uma mistura de carnes, miúdos e embutidos, que se cozinha a fogo lento, e que saem da grelha mais ou menos ao mesmo tempo, com intervalos para que se termine de comer um corte e passar ao outro. O serviço tem, basicamente, a seguinte ordem: primeiro as achuras (miúdos), como mollejas (timo), riñones (rins), chinchulines (tripas) e criadilla (testículos), a morcilla (lingüiça a base de sangue coagulado) e, às vezes, também, uma provoleta (fatia de queijo provolone grelhado com orégano). Depois, chorizos (lingüiças) e pães que, ninguém resiste, viram um delicioso choripan (sanduíche de lingüiça) e, por último, as carnes, como o asado de tira (tiras de costela), vacío (fraldão), matambre (manta externa da costela), tapa de cuadril (o mais próximo da nossa picanha), colita de cuadril (maminha), entre outros cortes bovinos. A carne cordero (cordeiro), de cerdo (porco), sobretudo pechito e bondiola (costeleta e lombo), e a de pollo (frango), alas y pata (asas, coxa e contra-coxa), também costumam compor a parrillada, assim como, eventualmente, dependendo da  região, o pescado.

 

As guarnições não têm a importância e variedade que usamos no Brasil, fazendo papel de coadjuvante da carne, essa sim, a grande estrela. Além do pão, que nunca pode faltar em qualquer refeição argentina, seja qual for a comida, os acompanhamentos tradicionais do churrasco são os molhos chimichurri e a salsa criolla (ver box na coluna ao lado), os legumes grelhados (sobretudo cebola e pimentão) e saladas básicas, como a mista, de tomate, alface e cebola  (a mais popular do país, presente em praticamente todas as refeições), a rusa (russa) com batata, cenoura, ervilha e maionese e a de aipo, maçã e nozes, entre outras. As batatas fritas e assadas, também, costumam guarnecer o churrasco, sobretudo nos restaurantes, nas refeições domésticas é menos comum. As sobremesas mais comuns nessas ocasiões são sorvete e/ou salada de frutas.

 

A bebida que tradicionalmente acompanha o churrasco argentino é o vinho tinto, mesmo no calor. Sobretudo os homens o consomem. Mulheres e crianças, normalmente, tomam refrigerantes ou água. Algumas mulheres tomam vinho branco doce e alguns homens, muito poucos, tomam cerveja quando faz muito calor. A maioria que segue com o vinho, coloca gelo na taça quando faz muito calor.

 

COMIDAS POR REGIÕES

 

Um caminho gastronômico

 

Os usos e costumes culinários argentinos se estendem por todo o país, e são  parte do complexo alimentício nacional. De qualquer forma, existem peculiaridades regionais que podem ser esquematicamente divididas em quatro  regiões distintas: centro-pampeana; noroeste; mesopotâmica e patagônica. É interessante conhecer de que maneira as vantagens particulares de cada uma dessas áreas enriqueceram o patrimônio gastronômico de "los hermanos".

 

Região Centro-Pampeana

 

As pampas argentinas, como vimos acima, é o berço do asado, ou churrasco argentino. Mas, as zonas urbanas, especialmente Buenos Aires, Rosario e Córdoba, durante longos períodos, receberam imigrantes provenientes da Europa, italianos e espanhóis sobretudo, mas, também, alemães e suíços. Vieram, ainda, muitos imigrantes do Oriente Médio. Este encontro de culturas gerou, entre muitas mudanças, um  grande enriquecimento culinário. Portanto, massas, pizza, polenta, guisados, omeletes, cozidos, croquetes, molhos, embutidos, preparações com frangos e carnes, passaram a engrossar os menus cotidianos. A tudo isso, soma-se, também, o notório desenvolvimento da produção de pães, da confeitaria, pastelaria e dos lacticínios. Com o passar do tempo, o consumo desses pratos adquiriu uma aparência absolutamente argentina. É por isso que, por exemplo, a variedade de massas se abre em um leque extenso: desde talharins, fuzilis, nhoques, raviólis e lasanhas cujas receitas foram trazidas da Itália, até os sorrentinos e agnolotis, criações absolutamente argentinas.

 

A pizza merece uma menção à parte. Com massas altas ou fininhas, assadas no forno ou na pedra, com ou sem queijo, recheadas ou cobertas com uma variedade incomensurável de ingredientes, é um desses pratos que podem ser comidos em qualquer lugar do país com segurança - são deliciosas. Em Buenos Aires, Rosario e Córdoba, é costume que a pizza seja acompanhada de fainá (ou farinata), uma massa fina preparada com farinha de grão-de-bico que é colocada sobre o pedaço de pizza e devorada com ela. Diz-se que o que torna a pizza argentina única é a conjunção entre as culturas italiana e espanhola: no final do século 19, foram os napolitanos e genoveses que abriram as primeiras pizzarias, mas, depois, os espanhóis se encarregaram delas.

 

A mescla de culturas, também, deu origem a uma arraigada tradição na produção de pães e seu consumo se estende por toda a Argentina, o mesmo acontecendo com os produtos de confeitaria. Assim, no país inteiro, é muito comum encontrar padarias com uma vasta oferta de pães, biscoitos, bolos, e roscas doces, simples ou recheadas com doce de leite, creme, marmelada ou maçãs, entre outras delícias. Um dos pães mais populares é a medialuna, também chamada de facturas, que é a versão argentina do  croissant francês, muito parecido, mas ao mesmo tempo diferente e especial. Podem ser de "manteca" (manteiga), mais doces, ou de "grasa" (óleo), mais crocantes. Os dois são deliciosos, por nada, deixe de prová-los.

 

Outra especialidade deliciosa e absolutamente argentina, são os Sanduíches de Miga. São feitos com fatias bem finas de pão de forma, de 1 cm de altura, uniformemente untadas, primeiro, muito levemente, com manteiga derretida, depois com maionese, e recheados simplesmente com presunto e queijo ou com outras combinações mais elaboradas que podem incluir, por exemplo, presunto cru, tomate, azeitonas, ovo cozido, cenoura, peru, atum, alface, pimentão, etc. Podem ser "simples" (duas fatias de pão e uma de recheio), "triple"(com três fatias de pão e duas de recheio), "cuádruple", "quíntuple"..., "chacarero" (o maior deles), "académicos". (o mais clássico, com presunto, queijo e tomate), diet, etc. Se quentes, os sanduiches de miga são chamados de "tostado" ou "carlitos".

 

As sobremesas e alimentos doces estão marcados, em sua maioria, pelo uso do doce de leite, elaborado a partir de leite e açúcar. Costuma ser comido sozinho, como recheio de bolos, alfajores, crepes e roscas, ou, ainda, como acompanhamento de flans. O creme chantilly, também, agrada de Norte a Sul, e é utilizado em inúmeras sobremesas e doces. Os bolos, tanto de chocolate ou baunilha, e pudins são muito comuns. Os sorvetes provenientes da tradição italiana, encontraram na Argentina um notável desenvolvimento, com ingredientes locais que mantiveram o espírito artesanal na sua preparação.

 

Em grande parte das províncias de Santa Fe e Córdoba e no Norte da província de Buenos Aires, onde se estabeleceram muitos italianos, são comuns as preparações de salames, copas e diferentes tipos de salaminhos, bem como a bagna cauda - molho típico da região do Piemonte italiano, à base de óleo, anchovas salgadas, nozes e alho triturados, preparado num recipiente de barro que se esquenta sem chegar a ferver, e com o qual se untam diferentes tipos de vegetais crus e cozidos.

 

Na cidade de Buenos Aires, encontram-se comidas de diferentes regiões. Por zonas, a Costanera Norte e Puerto Madero são famosos por seus churrascos; a Avenida de Mayo é o ponto central da comida espanhola; as pizzas mais tradicionais estão na avenida Corrientes; e as zonas da praça Cortázar, Palermo, Recoleta e Las Cañitas oferecem pratos mais elaborados, refinados e exóticos. As cafeterias, que já foram um dos cartões postais de da cidade já não são tantas quantas no passado, mas ainda é possível encontrá-las e desfrutar do seu clima peculiar e de seus cardápios deliciosos. A mais antiga em funcionamento é o Gran Café Tortoni, fundado em 1858 (veja link para matéria abaixo).

 

Todas as coletividades latino-americanas e européias que moram em Buenos Aires estão representadas por seus restaurantes: bolivianos, peruanos, armênios, espanhóis, italianos, ou uruguaios. Mas existem, também, estabelecimentos especializados em comida hindu, tailandesa, vegetariana, japonesa, chinesa e mexicana, entre outras.

 

Noroeste

 

Talvez seja a área mais influenciada pelas culturas indígenas sul-americanas e isso se manifesta em sua culinária, estreitamente vinculada à tradição andino-incaica. Nas províncias de Jujuy, Salta, Catamarca, Tucumán, Santiago del Estero, Mendoza, San Juan e San Luís a batata e o milho estão presentes quase sempre em suas preparações, assim como a quinoa (um cereal próprio da cozinha incaica), as abóboras, tomates, pimentões e as pimentas. O prato-estrela é a "humita" e o “tamal” (espécies de pamonha - massa a base de milho enrolada na palha do próprio milho e cozida ou assada - em versões doce e salgada). A diferença principal entre as duas é que as humitas são preparadas com milho fresco e os tamales com milho seco.
 

Porém, o Noroeste argentino é, por excelência, a sede das empanadas, especialmente, as de carne, que por esses lugares costumam ser oferecidas em tentadoras variantes, como a empanada saltenha de carne que também leva batata; ou a tucumana, recheada com matambre cortado com faca; ou as de quesillo - requeijão. As empanadas são pastéis salgados fechados, de tamanho individual. Podem ser fritas ou assadas e, geralmente, são pegas com a mão para serem comidas.

 

Os guisados como o locro, um delicioso ensopado preparado com grãos de milho (também pode ser feito com feijão branco), a carbonada (a base de carne, abóbora, diversas hortaliças e, até frutas, e as cazuelas (a base de pescados, como lula, polvo, abadejo, salmões, trutas, centolas, congro, ostras e lagostins), também são pratos próprios dessa geografia, assim como os pastéis de batata ou abóbora com carne.

 

Nas zonas mais úmidas, cultiva-se feijão branco, tomate, abóbora, pimentão e abacate e as principais espécies introduzidas são as videiras, as oliveiras e diferentes tipos de frutas como pêssegos, peras, damascos, ameixas e maçãs.

 

Por conta disso, nessa região da Argentina, também, são produzidas uma grande variedade de doces à base de frutos e tubérculos, como a marmelada, batata, melado e chuchu, que deram origem a uma sobremesa muito comum e muito simples chamada “vigilante”, ou simplesmente queijo e doce, Romeu e Julieta, o qual conjuga um pedaço de queijo fresco com outro de algum desses doces.

 

Mesopotâmia

 

A zona compreendida pelas províncias de Corrientes, Chaco, Misiones e Formosa, bem como parte de Entre Ríos, Santa Fe e Santiago del Estero, também, é outra zona de influência indígena, especialmente, guarani.

 

A abundância de rios e costas oferece uma irresistível diversidade de peixes muito saborosos, como o dourado, pacu, surubim, pati, peixe-rei e a boga, de carne branca consistente e saborosa e com poucas e grandes espinhas. Normalmente os peixes são preparados assados, muitas vezes temperados com suco de limão e outros temperos.

 

A mandioca é um produto de ampla colheita nessa área, portanto costuma fazer parte dos pratos, assim como outros produtos derivados de sua farinha, como o chipá ou chipasito - pão de farinha e mandioca e queijo, primo do nosso pão de queijo, de origem paraguaia. Em relação aos produtos açucarados, o doce de mamão é típico de Corrientes. Há ainda, um consumo maior de arroz que em outras partes do país.

 

O produto mais característico dessa região, entretanto, é a erva-mate, que, como o churrasco, é nacionalmente consumido. Mas, na Mesopotâmia argentina, seu consumo apresenta outra variante à comum utilizada em todo o país que é bebê-lo com água quente. Lá, devido às altas temperaturas climáticas, o mate é muitas vezes preparado com água fria - é o que se conhece como tereré.

 

Patagônia

 

De suas costas se extraem delícias marinhas como salmões, centollas, lulas e outros frutos do mar e moluscos. Ainda assim, os rios da Patagônia oferecem imperdíveis trutas.

 

A diversidade dos cultivos de frutos vermelhos, como cerejas, mirtilos, framboesas, rosa mosqueta e saúco, redunda em deliciosos doces e geléias.

 

Nessa região, o assentamento de europeus do centro e norte desenvolveu uma extensiva produção de chocolates e derivados, convertendo-os em um dos produtos por excelência dessa região. E também cozinha e confeitaria vienense e alemã.

 

Quanto à carne, a de cordeiro e ovelha, também a de javali e de cervo constituem pratos mais que tentadores. E outro produto típico do Sul são os defumados, especialmente, de salmão, veado, javali e o  faisão.

 

A Patagônia, também, possui fortes influências indígenas, especialmente, mapuches e araucanos. Um prato típico desses últimos, é o curanto. Para fazê-lo, cava-se um buraco na terra de 15 cm de profundidade, dentro do qual se colocam pedras aquecidas nas brasas de uma fogueira (daí o nome curanto, que significa pedra quente). Essas pedras são cobertas com um colchão de folhas de nalca ou maqui, e sobre estas, são colocados todos os ingredientes da receita: carne de vaca, de cordeiro, porco, frangos, lingüiças, batatas, batatas-doces, maçãs e abóboras ocas recheadas com queijo, creme e ervilhas. Tampa-se novamente com mais folhas, sobre as quais se colocam panos úmidos para que não se perca o calor, e cobre-se tudo com bastante terra, o que converte tudo num verdadeiro forno à pressão. Quando a cocção está pronta começam a surgir da terra fios de fumaça.

 

Na zona austral da Patagônia, é evidente a influência da Europa do Norte e Central. A imigração galesa introduziu em na região de Chubut a torta negra e o chamado queijo Chubut, enquanto que a centro-européia difundiu a preparação de certas sobremesas e doces, chocolates, bem como as carnes defumadas de javali, cervos e salmões. Dos povos pré-hispânicos herdaram a cultura dos pães e tortas de farinha do pinhão de pehuén (araucária que só nasce na Província de Neuquen), um tempero picante de origem mapuche chamado merken (ou merquén) e os doces de frutos.

O litoral oceânico e os lagos dessa região fornecem peixes para patês e cazuelas. São famosos os ensopados de lula, polvo, abadejo, salmões, trutas, centollas, congro, ostras e lagostins, o mesmo acontecendo com as centollas e caranguejos gigantes da Terra do Fogo.
 

Na região dos Andes, são produzidas cervejas artesanais, tanto do tipo irlandês como do tipo centro-europeu. Nos vales de Río Negro e Neuquén (e inclusive no noroeste de Chubut) são produzidos vinhos brancos finos do tipo Riesling, sendo esses os vinhedos mais austrais do planeta.

 

PRATOS COTIDIANOS E TRADICIONAIS

 

Um menu diário e generalizado de um argentino é provável que inclua: churrasco, bifes à milanesa de carne e frango, massas com molhos - bolonhesa, pesto, branca, rosada, purês, batatas fritas, saladas (alface, tomate, cebola, censura, batata, milho), bistecas e filés, carnes e frangos ao forno com batatas e batatas-doces, guisados e carnes de panela (de arroz, lentilhas, grão-de-bico), cozidos, almôndegas, omeletes de batata ou acelga, pastéis de batata e carne, pizzas, empanadas, pastéis e tortas, risotos, manta externa da costela, filés de peixe, lulas fritas e cornalitos (a nossa manjuba), polenta, pão, torradas, roscas, sanduíches, petiscos (uma derivação das tapas espanholas) e algumas sobremesas ou doces como alfajores, frutas, doce de leite, pastéis doces, tortas fritas, pudim de pão e flans, sorvetes, bolo de ricota ou maçã, bolos de baunilha ou chocolate, pasta frola e torta de limão.

 

A essa lista podem ser acrescentadas outras preparações, talvez mais tradicionais, mas que, seja pela sua elaboração difícil ou por estarem associadas a certas celebrações são menos freqüentes no cotidiano, embora presentes no típico menu argentino, como o locro (refogado de milho e carne de porco) e a carbonada (ensopado de carne, legumes e arroz), ou pratos mais europeus como a paella, a buseca ou o guiso de dobradinha (mondongo).

 

O mate (chimarrão) é a infusão local por excelência, mas o café e o chá têm um consumo massivo. O clássico acompanhante do mate nas tardes são as roscas, a torta frita e os pastelitos-de-membrillo, estes dois últimos típicos delicatessen de qualquer celebração pátria. O pastel é uma massa folhada, recheada de doce de marmelo (membrillo) ou, ainda, de marrom glacê, e frito. A torta frita é uma massa feita com farinha e gordura bovina ou ovina e, claro, frita. O mais recomendável é comê-la morna e com açúcar salpicado na superfície.

 

O chocolate quente, também, é uma bebida muito comum, e o mais popular é chamado pelo sugestivo nome de "submarino", devido à forma como é preparado: joga-se uma barra de chocolate meio amargo em um copo ou xícara com leite bem quente e espera-se que ele derreta no leite. Demora um pouco mas vale a pena.

Os argentinos chamam a água com gás de soda e o uso das garrafas sifão com soda, ou os "sifon de soda", é muito difundido por todo país, tanto nos lares quanto nos bares, cafeterias e restaurantes. É comum misturarem a soda às bebidas alcoólicas, inclusive o vinho.

 

Quanto às bebidas alcoólicas, o vinho nacional goza de reconhecimento mundial e é escolhido para as refeições cotidianas dos argentinos. A cerveja, também, é de consumo popular. E os aperitivos, tipo vermouth e Fernet, não podem faltar em nenhum petisco antes do churrasco. Falando em Fernet, um digestivo de origem italiana, bem amargo, ele é base para o drink favorito dos argentinos: Fernet com coca-cola. A bebida é, realmente, muito popular e pode ser encontrada em qualquer bar ou café. A receita é simples: um copo grande cheio de gelo, uma dose de Fernet (geralmente a variedade Brancamenta, que, como o nome indica, leva menta) e coca-cola para completar. Eles gostam, é provar e conferir.

 

Nas ocasiões festivas é comum, também, o Clericó, bebida feita com vinho branco, muitas e variadas frutas e um pouquinho de suco cítrico (pode ser limão, pomelo e, na maior parte dos casos, laranja mesmo). Eles estão em praticamente todos os bares e restaurantes, e são a melhor pedida para dias de praia, sol e mar.

 

Agora me digam, há como não se comer bem na Argentina?

 
 

 

 

 

 

Fontes: Governo da Argentina

Página Rural

BeefPoint

Rural Centro

 Cocina Argentina - Clásica y Moderna

de Vera Giaconi e Stella Fernández

Jornal O Estado de São Paulo - J. Dias Lopes

Taringa

Enciclopédia Britânica

Bebidinhas

Empanadas con Ferne

 
  Você gostou? então compartilhe!!  
 
 

Voltar à página inicial de Cozinhas DO MUNDO

 

 


COZINHA ARGENTINA

Sí, las empanadas son argentinas!! - ou como los hermanos conseguiram nacionalizar" estas delícias

A Cerimônia do Curanto
Café Tortoni - o mais antigo Café de Buenos Aires 
Argentina 

 

 

DELÍCIAS ARGENTINAS

 

A maravilhosa carne argentina

 

 

A despeito da carne brasileira melhorar cada vez mais, os argentinos continuam produzindo a melhor carne do planeta. Essa qualidade toda se deve, sobretudo, às características físicas de seu território, mais especificamente às relacionadas às planícies férteis da região das Pampas, na metade Norte do país, que concentram as fazendas produtoras de gado e são o centro da riqueza agrícola da Argentina. Ali, em virtude da topografia plana e de uma pastagem nativa de altíssimo valor nutritivo (azevem, trevo, cornichão, alfafa), o gado bovino é criado de forma extensiva, natural, sem o uso de suplementação alimentar e não sendo confinado em nenhum período da sua existência. Além disso, a densidade de animais por área de pastos é baixa, proporcionando uma abundância de pastagens e forragens, o que, também, é um impedimento para o desenvolvimento de agentes infecciosos..

 

Mas, não só as benesses do solo favorecem a qualidade da carne da Argentina. O clima temperado, também, ajuda muito, mas é a forma de manejo do gado o fator decisivo para esse resultado maravilhoso: dificilmente se encontra nas estâncias argentinas uma movimentação de bovinos de forma apressada. Os cães utilizados são treinados para o aparte e condução, sem, contudo, latirem ou atropelarem o rebanho. Os peões com seus cavalos crioulos parecem absorver  a tranqüilidade do gado europeu que cuidam, na maioria das raças aberdeen-angus, shorthorn e hereford, todas de origem britânica, e é nesse ritmo que a manada anda..

 

Esse tipo de criação, além de favorecer a formação de camadas de gordura com Ácido Linoléico Conjugado (CLA) e Omega 3 que, segundo pesquisadores, apresentam características anticancerígenas, proporciona, também, uma carne com baixo índice de gordura intramuscular e colesterol. A carne argentina tem, ainda, proteínas de elevado valor biológico, ricas em aminoácidos essenciais (Leucina, Isoleucina, Valina, Triptofano, Metionina, Fenilalanina, Treonina e Lisina) e não essenciais (Alanina, Arginina, Ácido aspártico, Aspargina, Ácido glutâmico, Cistina, Glicina, Glutamina, Hidroxiprolina, Prolina, Serina e Tirosina), que lhe conferem um elevado valor nutricional e organoléptico. Contradizendo a idéia corrente de  que a carne é um alimento de difícil digestão, estudos informam que a carne produzida na Argentina é de alta digestibilidade, sendo absorvida em 95%. Os consumidores do mundo todo agradecem..

 

Vinho Malbec- a Malbec Argentina é umas das uvas mais deliciosas e de maior sucesso no mundo. Sua coloração intensa, aroma de amora, ameixas e mel, e sua habilidade para amadurecer à perfeição, criam vinhos de uma textura aveludada e duradoura, e agradável sabor.

Salame

Sanduíche de Miga

Empanadas saiba mais....

Choripan

Picada

Pizza

Pizza com faina

Sorrentinos

Sorrentino é uma massa recheada semelhante ao ravióli, mas maior e com forma arredondada. O recheio mais tradicional é o de ricota, presunto e mozarela, mas com o tempo foram surgindo novos sabores. Mas, mesmo com um nome tão italiano, essa delícia nasceu em Buenos Aires, na década de 1930, num restaurante portenho chamado Sorrento..

 

Ensalada Mista, a mais comum no país

Ensalada Rusa

Ensalada de Aipo, Manzanas y Nueces

Bife de chorizo


Chimichurri= molho de ervas utilizado para acompanhar o churrasco, há séculos é preparado da mesma maneira, variando apenas a proporção dos ingredientes. Presente em todas as mesas, leva azeite de oliva, vinagre, orégano, salsa, cebola e alho picados, pimentão, além de Ají moído, a típica pimenta da Argentina..

Salsa Criolla-- como o nosso tão conhecido vinagrete

Provoleta

Hamburguesas

Pastel de Papas

Papas Soufflé- embora  tenham origem francesa, estas batatas fritas estufadinhas se tornaram tão argentinas quanto Maradona. São lâminas finas de batata (3 a 6mm) quee são colocadas para fritar emmóleos em temperaturas diferentes (um menos quente e outro mais quente), o que as deixam estufadas e sequinhas. Uma delícia mesmo..  CLIQUE AQUI e veja a receita..

Humita

Locro

Cazuela de pescados

Carbonada

Bagna cauda

Buseca

Cornalitos

Centolla

Ají

Chipá

Medialunas de grasa

Medialunas de manteca


Dulce de leche =  sobremesa nacionall

CLIQUE AQUI e veja a receita..

Alfajor -  outra guloseima que associamos com a Argentina, é composto de duas bolachas unidas por um recheio, geralmente, de doce de leite, geléia, chocolate, doce de frutas ou nozes..

Torta Negra

Pionono de Dulce de Leche

Churros


Helados = sorvete de todos os tipos

 

Pastelitos-de-Membrillo

"Vigilante" ou Romeu e Julieta

Tortas Fritas

Flan de Leche

Chocolates de Bariloche

Cerezas

 

  Bife de Chorizo Voltar ao topo  


 

  no Correio Gourm@nd  

 

APOIO:

 

 

 

 

Ovadia Saadia Comunicações

 

 

 

 

|

|

 

Copyright ©  -  VB Bureau de Projetos e Textos

Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 

 

 

Voltar ao topo