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BOLO SOUZA LEÃO

Iguaria de Imperador

 

Virgínia Barbosa

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco 

 

 

O doce tem lugar de destaque na culinária nordestina e traz referências do passado e do presente, frutos de heranças culturais diversas – portuguesa, hispânica, africana, ameríndia. A história nos mostra que a presença de doces é marcante na alimentação do brasileiro. Nos engenhos, as prendadas senhoras da casa-grande trouxeram de Portugal uma vasta experiência no preparo dessas guloseimas, muitas originárias das cozinhas dos conventos, que passaram a compor a doçaria tradicional portuguesa. Na terra colonizada, foram feitas adaptações ou acréscimos em suas receitas com os ingredientes locais disponíveis, sem comprometer o sabor.

 

Gilberto Freyre (1987, p. 57) no seu livro Açúcar, afirma: “a marmelada, o caju e a goiabada tornaram-se desde os tempos coloniais, os grandes doces das casa-grandes. A banana assada ou frita com canela, uma das sobremesas mais estimadas das casas patriarcais, ao lado do mel de engenho com farinha de mandioca, com cará, com macaxeira; ao lado do sabongo [doce de coco com o mel de engenho] e do doce de coco verde e, mais tarde, do doce com queijo – combinação tão saborosamente brasileira”. 

 

Ao lado dos doces, o Nordeste brasileiro é área por excelência dos bolos, principalmente dos bolos autorais, de receita especial de família. A exemplo deste, encontramos o Souza Leão que ganhou valor de patrimônio regional e mesmo nacional. 

 

Segundo pesquisadores, o Bolo Souza Leão entrou na história da culinária pernambucana por intermédio de Dona Rita de Cássia Souza Leão Bezerra Cavalcanti, esposa do coronel Agostinho Bezerra da Silva Cavalcanti, proprietário do engenho São Bartolomeu, povoado de Muribeca, município de Jaboatão dos Guararapes. De Dona Rita, renomada quituteira da época, tem-se conhecimento de que muitas de suas receitas ficaram famosas, como a do Bolo São Bartolomeu e o Bolo Souza Leão. Alguns ingredientes do Souza Leão, originalmente europeus, foram substituídos: o trigo pela massa de mandioca e a manteiga francesa, por manteiga feita na cozinha do engenho. O sucesso ficou garantido até a atualidade e é considerado o mais aristocrático bolo nordestino. Inclusive, na tradição de servir o bolo, existe a obrigação de utilizar pratos de porcelana ou de cristal. Provavelmente, esta exigência deva-se a importância dos Souza Leão, que o batizaram. Conta-se, também, que ele foi servido ao imperador Dom Pedro II e sua esposa, Tereza Cristina, quando de passagem por Pernambuco, no ano de 1859. 

 

Atualmente, é tarefa difícil identificar a receita original, que se atribuiu a Dona Rita de Cássia. Freyre (1987, p. 77), confirma: “Consegui várias receitas desse manjar, mas todas se contradizem, a ponto de me fazerem duvidar da existência de um bolo Sousa Leão ortodoxo [verdadeiro]. Consegui-as quase como quem violasse segredos maçônicos”. Os descendentes da família Souza Leão são provenientes de onze engenhos de Pernambuco. Com o passar dos anos, a receita original foi sofrendo pequenas variações nos ingredientes, e cada ramificação da família afirma ser sua a receita verdadeira. Deixando à parte essa disputa, a verdade é que qualquer que seja a versão apresentada, o bolo é sempre bom, cremoso, lembrando um pudim, e quem o degusta, nunca o esquece. 

Fonte: BARBOSA, Virgínia.

Bolo Souza Leão - Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

Disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar

Acesso em 25 fev. 2016.

O BOLO SOUZA LEÃO: PERNAMBUCO DOS SABORES CULTURAIS 

 

O Engenho Moreno serviu de descanso para o Imperador Dom Pedro II, sua esposa D. Tereza Cristina e toda a comitiva real, no ano de 1859, quando de passagem pelas "terras dos Tabajaras”, pararam para repousar nas "terras dos Souza Leão". Família tradicional, os Souza Leão, encarregada de recebê-lo e a toda sua comitiva e foi então que Rita de Cássia Souza Leão Bezerra Cavalcanti, que exercia liderança no meio das outras mulheres da família, além é claro, de ser muito dedicada no preparo de pratos na culinária. Segundo os relatos da família, Rita de Cássia, por conta disso, ficou responsável pela preparação da culinária que seria servida ao Imperador e a Imperatriz. A referida sinhá, Senhora do Engenho que hospedaria a real comitiva, entendeu que durante a visita do imperador teria que ser servido algo muito especial. Não poderia ser servido cardápio de rotina ou trivial para os ilustres convidados. Então pensou que a solução, seria servir uma sobremesa especial e única – um bolo. Com toda sua bagagem culinária e usando sua criatividade, se apropriou de parte dos ingredientes de uma receita já existente e a partir da inclusão de ingredientes nativos apropriou o formato original e criou uma nova receita. Assim, após o serviço tradicional, foi servido à realeza um bolo cuja receita "incluía ingredientes nativos", numa oferta especial ao imperador, que de acordo com o relato da família: “O monarca mostrou grande interesse em saber como era feito aquele delicioso bolo e tomou para si, a partir daquela data, a sua divulgação.

 

Rita de Cássia decidiu que a aquela receita que fora criada para ocasião tão especial, deveria ficar restrita às mulheres da família, passando a ser segredo de família e assim continuou durante muitos anos”. Dona Rita de Cássia criou a receita, mas esta foi enriquecida com “o sentimento e a magia das mãos das quituteiras" da Casa Grande do Engenho Moreno. Ingredientes nobres agregados aos ingredientes da terra, entrelaçados entre si a partir da criatividade da sinhá Rita de Cássia, contudo, não teriam o mesmo sabor especial caso não fossem “misturados” com a história sentimental, o carinho, amor e rituais da antiga vida de família das casas-grandes e dos sobrados. Surgiu assim este delicioso doce atemporal! Sua criadora não lhe deu um nome específico, porém, anos depois, o bolo recebeu o nome da procedência. A receita, no entanto, continuou a ser sigilo da família. Segredo que, ao longo do tempo foi passado verbalmente de mãe para filha para esconder técnicas ou ingredientes culinários de cada um dos 11 engenhos da família. Ao longo dos tempos, a família continuou a não passar a receita do Bolo Souza Leão para ninguém, ficava restrito às mulheres da família. Comercialmente, não era vendido, não era considerada "mercadoria" para obtenção de lucro. Quando se desejava obtê-lo ou se buscava junto à família ou então não se obtinha.

 

Sociólogo e antropólogo, nascido no Recife, Gilberto Freyre, nos primeiros anos da década de 60, pediu uma reunião com os representantes da família e durante o processo, Gilberto levantou a seguinte questão: "vocês têm aí, uma preciosidade que é o Bolo Souza Leão, que se mantém como segredo de família e nós não podemos admitir que uma linhagem que dominou a área açucareira de Pernambuco, dona de tantos engenhos e que tenha preparado esta iguaria para uma homenagem tão divulgada, mantenha esse segredo até os dias atuais. Isto precisa se tornar público, permitir que a população do Recife, de Pernambuco e do Brasil, venha conhecer a receita, dominar e divulgá-la para o exterior. Peço que a Família Souza Leão se comprometa em abrir mão desse mistério e oferecer a receita autêntica do bolo”. A partir de então, tempos depois, após inúmeras reuniões dos membros da família, decidiu-se que a receita seria divulgada para a sociedade, ocasião em que Gilberto Freyre comentou "que esta receita venha a ser fixada na entrada do Museu do Açúcar, localizado no Bairro de Casa Forte, na Cidade do Recife, Pernambuco, como uma das dádivas do Museu à população". E assim aconteceu. 

 

O Bolo Souza Leão é resultado de um processo de popularização, bastante presente no ideário das festas populares e familiares de Pernambuco. Essa iguaria nasceu na aristocracia a cerca de 150 anos e a partir da década de 60 do século passado, sob a união das famílias Freyre e Souza Leão, a receita “da família” passou a ser de domínio público e desde então caiu no gosto e no saber popular, sendo hoje, encontradas com facilidade em delicatessem, padarias e confeitarias, fazendo assim parte da cultura culinária e importante instrumento de socialização da cultura pernambucana. 

 

 

 

O BOLO SOUZA LEÃO: PERNAMBUCO DOS SABORES CULTURAIS

Neide Kazue Sakugawa Shinohara

Conceição Martins

Karlla Karinne Gomes de Oliveira

Maria do Rosário de Fátima Padilha

Isabel Maria de Araújo Pinto 

Contextos da Alimentação – Comportamento, Cultura e Sociedade

Artigo, Volume 2, Número 1, Ano 2013 

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COZINHA DE PERNAMBUCO
Bolo de Rolo
Bolo Souza Leão

 

 

No dia 22 de maio de 2008, o Bolo Souza Leão tornou-se Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco, pela Lei Ordinária n. 357/2007. 

 

Dom Pedro II e Dona Tereza Cristina

 

O sobrado do Engenho Morenos é um dos mais perfeitos do Brasil, no seu equilíbrio e elegância. A surpreendente mansão, de estilo singular na zona açucareira, ainda se conserva bem mobiliado, apesar de a Baronesa, quando viúva, ter transferido para a sua residência do Recife, as melhores peças, a louça brasonada, os cristais e a prataria e os ricos álbuns de retratos. Guarda, todavia, nos mesmos lugares, além dos móveis, as telas e os tapetes que ali se encontravam quando da visita dos Imperadores do Brasil.

Na capela do engenho (algo afastada e sobre o alto da colina), apresentando um frontão barroco, do tipo tradicional, com fachada neoclássica, acha-se enterrado no tumulo o Barão de Morenos, belo ataúde de carrara, encimado por uma urna e ostentando as armas da família, em baixo relevo.

 

 

Texto de João Carneiro da Cunha, retirado do livro Moreno 50 anos 1928 a 1978

 

 

 

O engenho Moreno está localizado às margens da PE-07, próximo ao entroncamento da BR-232 com a PE-07, distante apenas 3 km da sede do município. 

 

  Engenho Moreno - Engenho de Açúcar da Família Souza Leão, onde ficou hospedado o Imperador Dom Pedro II em Pernambuco Voltar ao topo  


 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 

 

 

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