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A Pasqua Italiana

 

 

A Pasqua Cristiana (desculpem caros amigos, mas deixarei assim mesmo, em italiano) é a festa máxima da liturgia cristã. Poderia eu contar aqui como? onde? por que? etc... surgiu a festa que lembra a Ressurreição de Jesus Cristo, mas talvez esse seja um mistério ainda maior que a criação do nosso universo e, seria longo, muito longo.

Assim, irei “via cozinha”, e de forma muito mais resumida e humilde, poderei contar um pouquinho desta “Pasqua italiana”. Afinal, é, sobretudo, através da cozinha, que se estabelece um relacionamento “ecumênico universal” entre as festas religiosas de todos os credos, seus ritos, tradições, costumes e hábitos, histórias e conhecimentos milenares. Um exemplo disso é a gigantesca herança religiosa comum entre os cristãos e os judeus, que tanto na Páscoa quanto no Pessach, têm como principais símbolos o Cordeiro e o Ovo, presentes nos rituais pascais desde a Antigüidade, até os nossos dias.

Existia na Itália da fórmica, do plástico, dos fast-foods, da comida congelada, etc.. a tentativa de eliminar da grande vida urbana as tradições da vida “camponia” do cotidiano italiano. No entanto, na Itália da Internet tudo mudou e há um enorme movimento de volta às tradições, em especial às religiosas – e um grande interesse no como foram, como eram, como fizeram as civilizações. As religiões, todas elas, e a católica em particular, com suas proibições e permissões, censuras e liberdades, ritos e poder, festejos e fé, crendices e superstições, verdades e mentiras, fizeram construir a nossa civilização.

A Pasqua italiana atual nos dá uma boa medida da grande mudança e ruptura sócio-cultural processada nas últimas décadas (umas quatro só, das milhares já passadas). E para se observar isto não são necessários “acadêmicos”, phds, antropólogos ou sociólogos, bastam memórias de Pasquas passadas, lembranças das mammas , das nonnas ou dos nonnos, dos “párocos di campagna”, e outros que viveram essa época.

Lembranças da festa cristã com o maior número de ritos religiosos, hoje inexistentes, desde o jejum rigoroso da Quaresma até o ressoar dos sinos do Sábado Santo (Aleluia), tão esperado por todos, não apenas pela “fé”, mas, também, pelo “estômago”, afinal de ferro nunca ninguém foi.
 

E o que dizer das procissões? Cada cidade tinha sua maneira de passar as “estações”; às vezes, verdadeiras obras de arte eram exibidas, esculturas fantásticas, pinturas únicas - nada mais grandioso que o meu preferido, o Cristo Morto, de Andréa Mantegna, pra mim, o mais belos dos Cristos do mundo cristão. Impossível não chorar, não se emocionar com essa grande obra renascentista única, que talvez eu nunca tivesse visto não fosse a Pasqua que a trazia para a rua.
 

As crianças todas queriam ser anjos nas procissões, coisa impensável hoje (mas que é uma pena digo eu que prefiro os anjos à Disney. Não que eu não goste, mas prefiro os “anjos”). Durante toda a Semana Santa, as igrejas escuras, cobertas de roxo por todos os lados (algumas casas também cobriam suas janelas com cortinas escuras), as rádios e tvs só com músicas sacras. No lava pés, todos queriam ser o “eleito”, mas os doentes ganhavam sempre e muitos fingiam ser doentes para conseguir a honra de ter um Bispo lavando seus pés, ou até mesmo um príncipe de igreja (e é assim em todo o mundo), um Cardeal (se você acha que isso hoje não tem mais importância pra ninguém, está enganado. Continua sendo uma grande honra para muita gente ser escolhido na Páscoa por um príncipe da Igreja; isto em qualquer lugar do mundo).
 

Porém, aos poucos, o jejum e a quaresma iam chegando ao fim e, no Domingo de Ramos, que maravilha! – a alegria de ir ao campo, no sábado, e, no caminho de olivais milenares, quanta beleza! (a Puglia tem um dos mais antigos caminhos de olivais do planeta, muito perto de onde eu nasci, região das maiores produtoras do mundo de olio di oliva extravergine de altíssima qualidade). Ali, escolher os mais verdes ramos de oliveira, folhas brilhantes de um lado foscas do outro, que seriam abençoados no domingo, colocados na cabeceira da cama, depois, talvez, fazer uma ghiirlanda, quem sabe colocar no cabelo, ou deixar mesmo pendurada na lareira... No caminho dos olivais milenares

Tinha, também, o “Concurso de Santo Sepulcro” - quanta briga isto causava... O concurso acontecia nas paróquias de cada “rione” (bairro) e consistia em num simples e criativo bolo de terra em que se semeavam, em geral, lentinhas secas ou grãos de milho, que cresceriam até uns 20cms e, muito verdes, formariam o “sepulcro” enfeitado com flores, figuras, bichinhos, imagens de carta pesta (papel maché), etc... “Tutto fato a mano in casa”, apropriando diversos’ segredos de ‘ família. No dia de apresentá-lo na igreja, quem ganharia? A vizinha fofoqueira, a prima “invejosa”, ou a nonna menos querida (em geral era a mãe do pai ) ou as “odiadas” sogras? Caros amigos não é piada, essa era a verdade, o clima de rivalidade era terrível.

Porém, na mesa do domingo Pasqual esquecia-se de tudo. Mas não era a mesa da Páscoa o mais esperado, especialmente pelos namorados. O mais esperado era o dia seguinte, a segunda-feira, o dia da Pasqueta.

A Páscoa, na Antigüidade, tinha a ver com a primavera cuja chegada era sempre muito esperada e festejada por dar fim ao frio, à neve e, muitas vezes, à fome. Os rituais pagãos dos festejos do solstício de primavera atravessaram os séculos e foram sendo apropriados pelas diversas religiões, mas nunca se perderam totalmente. E estabeleceu-se que essa festa não mais seria no início real da primavera no hemisfério Norte, mas após a Páscoa ou Quaresma.

Cada cidade tem sua Pasqueta, com suas comidas e seus piqueniques. Na minha cidade tínhamos duas maneiras de festejar, mar e campo - claro o campo era logo ali depois das portas (que portas? bem, assim como toda cidade antiga era murada e fechada com portas, a minha também era e o campo estava a uns 10 km).e o mar, a um quarteirão. Era ele o preferido de todos. Hora do primeiro banho de mar, o padre benzia as águas antes e todo mundo caía nelas depois, não importando se estivessem geladas ou apenas muito frias - o que isso importava?

Depois, música, muita música, dança na praia (hoje aqui chamam de luau?) muita alegria verdadeira e muita, muita comida... Nada de “sobras da Pasqua”, nem pensar. Pasqua é Pasqua e Pasqueta é outra coisa...

Cá entre nós, algumas beatas, padres e igrejas, embora obrigados (obrigados como? Não consegui entender) torciam o nariz, afinal tratava-se de uma festa profana, mas muito, muito feliz.

Assim como o Natal, a Páscoa na Itália (e no mundo todo) tornou-se muito mais uma festa de consumo do que religiosa; um pretexto para viagens, um weekend comum como tantos outros. A praticidade contemporânea está fazendo morrer a criatividade do cotidiano. Daí, na Itália atual, a grande importância do “Ritorno”, assim como em qualquer página da Internet “voltar”, especialmente na Páscoa.

 

A Tavola Pasqual 

Após esta a pequena história da Pasqua Italiana, se me permitem, deixei para o final, a piu importante parte dos ritos pascais: a Tavola di Pasqua e o pic nic da Pasqueta, que superam a espera do ovo de cioccolato por crianças e adultos. As noivas e mulheres casadas ansiosas, muito ansiosas, pois quase sempre para elas o ovo vinha acompanhado de uma jóia, mesmo que muitíssimo singela.
 

A casa limpa e imaculada de ponta a ponta esperando a benção do padre (costume Pascal em toda Itália e levado a muitos outros paises até). As crianças tingirão os ovos, os pintarão e decorarão (a tintura feita em “tinta” de papel crepom mergulhado em água e depois muitos enfeites).

O cordeiro e o ovo pontuam em toda Itália, existem mais receitas de Cordeiro na Itália que em todos paises do Commonwealth
¹ juntos e, com certeza, é por causa da Pasqua católica e hebraica. Há também, naturalmente, as Tortas Pasqualinas, hoje consumidas o ano inteiro, frias e quentes, com diversas versões da original e simples Pasqualina Genovese.

Na minha região, come-se carneiro o ano inteiro e muito, assim como os ovos nas frittatas, feitas de tudo ou quase, e de mil maneiras diferentes.

Agnello Pasqual ao ragu, ao forno, com alcachofras e batatas, com castanhas e leite, com erva doce, com ervilhas, com trufas, com azeitonas, al cartoccio (alcachofra), agridoce, simples ao forno, com ovos e pecorino, com funghi ao forno, etc... etc... A minha região, por puro acaso histórico, é a que oferece mais receitas de cordeiro.

Come-se, também, peixes e frutos do mar acompanhados de pastas e zuppas (sopas) várias e brodetos (caldos), etc... etc... etc...

Há ainda o doce das Colombas,as Cassatas Sicilianas, Pastieras Napolitana,os Campanaru, as Trançadas de Massas Doces com Ovos,as Puviredas (paupérrima em dialeto pugliese) as Scarceddas e Tarrali di Pasqua etc... etc...


Bem, agora só as receitas... Selecionei algumas das minhas preferidas, confira:

 

Cristina Arce

 
 
  Zuppa di Ostriche (Sopa de Ostras)
  Frittata di Menta
  Ragu de Agnello (Molho de Tomate com Cordeiro)
  Scarcedda (Trança de Pasqua e Pasqueta com Ovo Escondido)
 

Cristina Arce é uma gourmet de alto estilo, estudiosa do tema e especialista na Itália, sua terra natal, e na gastronomia italiana. Além de escrever em seu site, www.crisarce.com.br, ela escreve na coluna Cozinha Italiana no Correio Gourm@nd.

crisarce@uol.com.br

 

 
 
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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 

 

 

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