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COZINHA DE MÃE

Virgínia Brandão


 

 

Talvez o mais amado, mas, com certeza, o mais polêmico e marcante personagem da humanidade, a MÃE é uma instituição universal.

 

Diz-se que são todas iguais, só mudam de endereço. Pode ser que seja verdade, pois não importa onde viva, a religião que professe, sejam quais forem as suas origens, seu nível cultural ou social, em qualquer lugar do mundo mãe é sempre tida como exemplo maior de amor e dedicação.

 

Idealização ou não, o fato é que todo mundo tem uma, ou teve, e grande parte das pessoas traz consigo um carinho enorme que invade o coração e faz surgir um sorriso, nem que seja "de levinho", no canto da boca, cada vez que a lembrança dela aflora. É ou não é verdade?

 

E se tem um assunto que, normalmente, faz lembrar a mãe da gente, é comida. Alguém cozinha melhor que a sua mãe? Fora raríssimas exceções, daquelas que ficam famosas exatamente pela total falta de talento na cozinha, a mãe de todo mundo é a maior cozinheira do planeta.

 

A minha mãe era uma grande cozinheira, claro... Mas não sou só eu que digo. Os lugares na mesa da minha infância eram muito disputados. Havia, sempre, pelo menos, um convidado - em geral, bem mais que um. Nunca vi alguém recusar um convite dela, mas me lembro, perfeitamente, do quanto era comum alguém chegar para almoçar ou jantar sem nem ter avisado.

 

Mineira de nascimento, minha m��e aprendeu a cozinhar com minha avó, outra mineira, filha de espanhóis - ou melhor, bascos, como meu bisavô faria questão de ressaltar, e herdou um patrimônio culinário que mesclava o bem comer das Minas Gerais com as técnicas da milenar cozinha basca e, ainda, era enriquecido pelos pratos, aromas e sabores da cozinha do Piemonte, que veio através do pai dela, filho de italianos.

 

Nesse caldeirão de culturas, entrou um marido bom de garfo, um gourmet dos tempos que essa palavra quase nem era usada por aqui, mineiro autêntico, do interior, herdeiro de tradições culinárias portuguesas que vinham dos primórdios dos tempos coloniais. O casal viveu em São Paulo, uma das capitais mundiais da gastronomia. O resultado dessa mescla toda foi uma mesa farta, onde se tinha de tudo - do arroz, feijão e angu obrigatórios de todo dia, sempre acompanhados de, pelo menos, dois tipos de carne e umas três variedades de verduras (refogadas, empanadas, em bolinhos, tortas, suflês, cruas), às rãs, capivaras, pacas, catetos, marrecos, cabritos, leitoas, polvos, peixes exóticos, codornas e outras aves estranhas. Por falar em aves, não era raro um frango vivo chegar no sábado para e ser servido ao Molho Pardo no domingo.

 

Meu pai era o responsável pelas compras "gastronômicas", digamos assim. Metódico, todos os sábados, por volta das 11h00 da manhã, ele ia ao Mercado Municipal da Lapa buscar o "almoço" de domingo. Cabe dizer aqui, que as refeições na minha casa eram momentos sagrados aos quais eram necessárias razões prá lá de plausíveis para se faltar. Todos os dias, entre 12h30 e 13h00, a mesa do almoço estava posta e até que todos estivessem em seus lugares ele não era servido. O mesmo acontecia com o jantar, entre 20h30 e 21h00. Só aos sábados a coisa ficava mais liberada, o almoço saía mais tarde e não tinha jantar, tinha lanche, as vezes pizza, as vezes outras coisas, mas, aí, cada um podia fazer como quisesse. Mas almoço de domingo era sagradíssimo - não só todo mundo junto como, ainda, sempre uma comida especial.

 

Lembro da minha mãe na cozinha, "recepcionando" as compras que chegavam do Mercado da Lapa. Muitas vezes ela olhava meio espantada pro meu pai e perguntava: - mas como se faz isso? Ele sorria e respondia: - ora, você sabe, e ia saindo de fininho. E não me pergunte como, mas ela sabia. Era dom. Embora tivesse diversos cadernos de receitas preenchidos, caprichosamente, com sua letra linda, dificilmente seguia alguma delas, só mesmo as de massa de torta e doces, e, ainda assim, os mais elaborados. Não provava a comida, não sei como acertava sempre o tempero; nas situações de mais cerimônia, garantia-se pedindo pra alguém provar. Ia cozinhando e conversando, tranqüila, mesmo, muitas vezes, sabendo que haveria um monte de gente pra comer. Nunca soube fazer pouca comida ou pouca variedade de comida, mas, mesmo assim, quando terminava de cozinhar, não tinha uma só louça ou panela pra lavar. Em compensação, em dias de festa, não deixava que se desmontasse a mesa, só recolhia travessas de comida que precisassem de geladeira, pratos e talheres usados. Os "não perecíveis", sobretudo doces, ficavam na mesa de jantar. Quando acabava a festa, ela cobria a mesa com uma outra toalha e ficava assim até o dia seguinte. A louça usada ia pra pia, organizada lá, mas, também, só seria lavada no dia seguinte. Ela nunca me disse porque fazia isso, mas eu faço exatamente a mesma coisa na minha casa e, cada vez que fiz e faço, me lembro dela. Mais que lembro, vejo, feliz, o quanto dela trago dentro de mim.

 

Alguns de seus pratos ficaram famosos, eram sempre solicitados, inclusive, pelas visitas: Canjiquinha (com quirera - ou xerém - de milho e costeleta de porco, uma comida da roça, que dá sustância pra lida nas fazendas, quase uma sopa grossa, pra se comer pura ou com arroz e couve fininha), Bacalhoada (feita na panela, cozida no azeite com batata, cebola, tomate, pimentão, ovo cozido, azeitona verde e aromatizado com orégano), Frango com Quiabo e o já mencionado ao Molho Pardo, Arroz com Suã de Porco, Dobradinha, Rabada, Peixada, Camarão com Catupiry e Empadinha de Camarão, Feijão Tropeiro (mas não o tradicional que todo mundo conhece, um diferente, com feijão preto misturado com farinha de mandioca, cebola, salsinha, muita lingüiça e torresmo, que passa pelo forno antes de ir à mesa - uma coisa divina), Lombo Assado (suculento por dentro e sequinho por fora), Rosbife, Tender Natalino (que ficava pelo menos 3 dias de molho no suco de laranja com mostarda antes de ir ao forno), Lasanha (que dormia montada no leite e depois derretia na boca), Gnocchi (que todo mundo ajudava a fazer e cujo molho, de tomates frescos, ia pro fogo logo cedo e ficava por horas fumegando na panela de pedra), Panquecas, Bolinhos de Arroz e de Espinafre, Pizza de Panela de Pressão, Antepasto de Berinjela Assada, Patê de Pimentão -  nossa, tanta coisa... Fazia Pão de Queijo e um Pão de Mandioquinha que cheirava na rua toda e levava a vizinhança a bater na porta pra provar junto com seu cafezinho mineiro, fraquinho para os padrões paulistanos, que ela chamava de "chafé". Nos doces, a especialidade dela eram as frutas em calda, figo, laranja da terra, cidra, cozidos em tacho de cobre. Também, era ótima no doce de abóbora, no de leite e no cural de milho. Mas o grande sucesso, mesmo, era o quindim. Amo quindim, mas nunca comi nenhum melhor que o da minha mãe (isso, por acaso, lhe soa familiar?).

 

Fui escrevendo e minhas lembranças se encheram de sabores, de cheiros, de texturas e de saudade. E, como aconteceu comigo, creio que cada um que começar a se lembrar da cozinha da sua mãe, vai ter essas mesmas sensações, pois comida de mãe faz isso mesmo, mexe com a gente.

 

Pra aqueles que, como eu, não podem mais se deliciar com as iguarias maternas pois ela já se foi daqui, ou aos que, por uma razão ou outra, estão longe delas, fica a sugestão de, no Dia das Mães, buscar alguma das receitas que ela fazia, talvez a que mais lhe agradasse, e incluí-la no cardápio dessa data especial - afinal essas receitas são elos que sempre nos unirão a elas. Aos que têm a felicidade de tê-las ao lado, que tal presenteá-las de forma original, oferecendo a elas suas próprias receitas feitas por você? E não venha me dizer que ninguém cozinha como sua mãe...

 
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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 
 

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