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CULTURA CERVEJEIRA BELGA - Patrimônio Imaterial da Humanidade

 

 

  Cervejas belgas, complexas e de perfil frutado, são apreciadas mundialmente e algumas delas chegam a ser consideradas as melhores do mundo.

 

 

No dia 30 de novembro de 2016, a rica cultura da cerveja belga foi declarada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. Conhecida como "paraíso cervejeiro", a Bélgica conta com um expressivo setor cervejeiro, com números muito significativos levando-se em conta as diminutas dimensões do território belga (30.528 km²), um pouco maior que o Estado brasileiro de Alagoas.

 

Segundo o Belgian Brewers Annual Report 2015 (Relatório Anual de Cervejarias Belgas de 2015), os números do setor são: 199 cervejarias, com 1500 marcas de cerveja, que investiram em 2015 cerca de 223 milhões de euros em ativos imobilizados. Empregando diretamente e indiretamente perto de 54 mil pessoas, respondendo por quase 900 milhões de euros de encargos sociais e fiscais. Estima o Gabinete de Planejamento Federal belga uma contribuição econômica do setor de 4 bilhões de euros. 66% da produção de cerveja belga é exportada.

 

Um gole de História

 

A tradição cervejeira belga tem uma longa história. Desde antes da conquista pelo Império Romano, há mais de dois mil anos atrás, já se produzia cerveja na região dos países baixos. Com a queda de Roma, o poder da Igreja cresceu e começaram a surgir alguns monastérios, que já vinham equipados com cervejarias para suprir a demanda dos próprios monges e, também, da população local.

 

“Com o tempo, os monastérios foram refinando suas técnicas e aprimorando as cervejas, que se desenvolveram com um perfil complexo, intensamente aromático, alcoólico e com uma complexidade transcendental de aromas e gostos. Ao mesmo tempo em que os monges ampliavam seus conhecimentos, as cidades cresciam, o que incentivou o surgimento de cervejarias que produziam em escala industrial. Algumas seguiam o padrão de produção das cervejas de abadia, enquanto outras mantiveram as técnicas de fermentação espontânea em tanques abertos, produzindo as chamadas cervejas Lambics. Assim, aos poucos, foi se desenhando o que atualmente chamamos de Escola Cervejeira Belga”, afirma Daniel Wolff, sommelier de cervejas e diretor da rede Mestre-Cervejeiro.com, condecorado novo membro honorário da Cavalaria da Pá de Brassagem, tradicional grupo da Confederação das Cervejarias Belgas, durante a cerimônia de abertura do Brussels Beer Challenge 2016.

 

Fica em Bruxelas, a capital belga, o bar com a maior carta de cervejas do mundo, mais de três mil rótulos. É o Delirium Café, de propriedade dos mesmos donos da cervejaria Huyghe, produtora da famosa cerveja do elefante cor de rosa, a Delirium Tremens. “

 

Estilos das cervejas belgas 

 

“As cervejas belgas, complexas e de perfil frutado, são apreciadas mundialmente e algumas delas chegam a ser consideradas as melhores do mundo. Muitas vezes elas são uma porta de entrada ao universo das artesanais – principalmente para quem gosta de vinho”, avalia Daniel Wolff. 

 

Entre os principais estilos que compõem a rica paleta de cores, aromas e sabores da Escola Belga, estão:

 

Witbier - cerveja de coloração amarelo-palha, normalmente turva, com boa formação de espuma densa e cremosa, com aromas cítricos e condimentados devido à adição de raspas de laranja e sementes de coentro. Na boca, baixo dulçor e leve acidez. É uma cerveja refrescante, ótima para dias de calor. Alguns rótulos para conhecer: Hoegaarden, Celis White, St. Bernardus Wit.

 

Trapistas - apresentam perfil aromático frutado, alto teor alcoólico, alta carbonatação e paladar seco. Entre os estilos trapistas estão a Belgian Blonde, com aromas remetendo a frutas amarelas, como pêssego e damasco; Belgian Dubbel, com aromas remetendo a chocolate e frutas secas como figos e ameixa; a Belgian Tripel, que também traz aromas remetendo a frutas amarelas porém com maior potência alcoólica e maior presença de lúpulos florais; e a Belgian Dark Strong Ale, versão mais potente das trapistas, com alto teor alcoólico e aromas complexos remetendo a tosta, frutas passas e licor. Alguns rótulos para conhecer: La Trappe Blond, Chimay Rouge, Westmalle Tripel, Rochefort 10, Orval.

 

Saison - Em geral, são cervejas cuja cor vai do dourado ao âmbar, com grande formação de espuma e apresentando aromas complexos com notas cítricas, condimentadas e terrosas. Seu baixo corpo e alta carbonatação torna as Saison cervejas muito refrescantes, porém o teor alcoólico pode variar bastante – as receitas antigas tinham por volta de 3,5%, para poder ser consumida durante um dia de trabalho nos campos, porém hoje existem versões com mais de 8%. Recentemente houve uma febre de Saisons por todo o mundo e, no Brasil, este estilo tornou-se muito apreciado pelas cervejarias brasileiras por sua versatilidade permitir a inclusão de frutas regionais, com resultados bastante interessantes. Alguns rótulos para conhecer: Fantôme Saison, Tupiniquim Saison de Caju, Invicta / 2Cabeças Saison à Trois.

 

É uma cerveja de trigo elaborada segundo o tradicional método da região sul da Alemanha, produzida com água mineral, puros maltes de trigo e cevada, lúpulo e levedura de alta fermentação. O estilo é perfeito para acompanhar, pratos levemente condimentados, como bolinho de bacalhau, frutos do mar, aves, saladas, weisswurst (salsicha branca) com mostardas apimentadas, pretzel, queijos de cabra leves, além de caviar e scargot.

 

Lambics - a família Lambic engloba diferentes estilos produzidos através de fermentação espontânea. Ou seja, as cervejas Lambic são fermentadas através da ação de leveduras presentes no ar ao invés de serem inoculadas com variedades selecionadas, como é prática comum nas Ales e Lagers. Por conta disso sua produção é delicada e feita tradicionalmente entre os dias 29 de setembro (Dia de São Miguel) e 23 de abril (Dia de São Jorge), quando as temperaturas estão mais amenas na Bélgica, assim evitando contaminações. O resultado são cervejas efervescentes, de caráter ácido e geralmente trazendo notas aromáticas rústicas que remetem a couro e feno. Por vezes contam com adição de frutas como cerejas (Kriek), são blends de Lambic nova com Lambic envelhecida (Gueuze), ou então tem adição de açúcar (Faro). Independente da variação, todas representam a tradição cervejeira da Bélgica e merecem fazer parte do repertório de quem curte cerveja. Alguns rótulos para conhecer: Lindemans Kriek, Boon Mariage Parfait.

 

Flanders Red Ale e Oud Bruin - as Flanders Red Ale e Oud Bruin são cervejas tradicionais da região de Flandres. Em sua produção, parte delas passa por extenso envelhecimento – chegando por vezes a 18 meses – em grandes dornas de carvalho, o que contribui com um caráter acético à bebida, lembrando vinagre balsâmico, devido a ação de bactérias. Esta cerveja envelhecida é então misturada com uma parcela de cerveja “nova”, o que equilibra os aromas e gostos do conjunto. Alguns rótulos para conhecer: Rodenbach Classic, Duchesse de Bourgogne, Bacchus Vlaams Oud Bruin.

 

Além dos estilos descritos acima, a tradição cervejeira belga conta com outros estilos como: Belgian Pale Ale, Strong Golden Ale, Bière Brut.

 

Fonte: www.mestre-cervejeiro.com

Belgian Brewers Annual Report 2015

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Atualizado em: 15 dezembro, 2016.

 
 

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