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COZINHA ITALIANA
LA FESTA DELLA MAMMA
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La Pietà - Michelangelo
Capela Sistina - Vaticano |
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Em
dias de tanta informação, as vezes eu “rateio” e me perco, como com essa
data.
Tive um lapso de memória e poderia explicar o porquê, mas isso levaria
muito tempo.
Mas, Imaginem que minhas mal traçadas linhas nesse lindo site do Correio
Gourmand são sobre Cozinha Italiana e, cá entre nós, eu até poderia
escrever sobre outras cozinhas, mas digamos que sobre essa eu tenho um
domínio maior.
Assim, me pediram que escrevesse sobre o Dia das Mães. Na hora achei sem
graça. Cozinha para as mães? Receitas para as mães? É muito brega mas,
de repente: bingo! Existe algo mais italiano que "La Mamma"? Não. E
eu achando o tema insosso, como um prato sem tempero ou pouco sal e
nenhum peperoncino...
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Sagrada Família
c/ Santa Isabel e S. João Batista criança
Andrea Mantegna
Alte Meister Gallerie, Dresden, Alemanha |
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Na Itália, o Dia das Mães é chamado "La Festa della Mamma" o que é um
nome muito cafona. É isso mesmo, apesar da língua italiana ser a mais
perfeita das latinas e com uma melodia, provavelmente, a mais bonita de
todas elas, tem coisas para as quais o italiano é muito ruim, como TV e
publicidade, por exemplo. É inexplicável que o povo que foi
historicamente a maior influência no Ocidente e foi criador de “quase
tudo”, que revolucionou a humanidade com algumas invenções
contemporâneas, seja tão ruim nestas coisas. Com certeza, “Mather’s Day”
ou Dia das Mães , ou “El Dia de las Madres” são, no mínimo, mais
elegantes.
Não tem cultura no mundo que reverencie "la mamma" mais que a italiana.
La mamma italiana é sagrada, conhecida universalmente e faladíssima.
Vejamos: não tem, no cinema, cena mais "mamma italiana" que no filme
“Rocco e seus Irmãos”, dirigido por nada mais e nada menos que Luchino
Visconti, um dos maiores filmes da história da sétima arte. Numa cena
dramática, em que Rocco (Alain Delon) conta o crime que cometeu à sua
mamma (Katina Paxinou), é difícil não se emocionar ante esta cena tão
italiana (imitadíssima).
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Madonna com Criança Dormindo
Andrea Mantegna
Gemälde Galerie, Berlim, Alemanha |
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E o que dizer da música “Mamma”, antiga, gravada por nada mais e nada
menos que Beniamino Gigli, um dos deuses da ópera do séc. XX? Lembra
dela? “Mamma son tanto felice, perche ritorno da te"... Outra estrofe,
aliás a última, diz – “Sei tu la vita e per la vita non ti lascio mai
piu”... Considerada o hino italiano a ‘la mamma", e como tem italiano
pelo mundo todo, esta música, não há "mamma" no mundo que alguma vez não
a tenha ouvido, embora já há algum tempo, porque a LA MAMMA não é mais a
mesma e, no país das "mammas", hoje, é considerada muito brega.
No país das mammas e dos ‘"mamonni" (filhos que só deixam a casa dos
pais após 30 anos e olhe lá, os homens em especial) as mammas resolveram
parar com isso. Explico - a mamma italiana, a mais cantada e decantada,
cansou de ser MAMMA. É isso mesmo, cansou de não ter realmente o seu
papel de mamma devidamente colocado na sociedade atual, apesar do
feminismo desnecessário e inútil, ninguém realmente reflete sobre o
único e mais importante papel nesse mundo atual, de tecnologias de
ponta, PHDs de tudo e por aí afora: o de "la mamma". E, o mais
importante, não há nenhum possível substituto ao papel de mamma.
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Madonna com Criança e Anjos
Andrea Mantegna
Pinacoteca de Brera, Milão, Itália |
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Assim, em português bem claro, a mamma italiana “chutou o balde", não
tem mais filhos. É isso mesmo, a mulher na Itália é a que menos procria
no mundo há várias décadas. É o único país que muito em breve terá sua
população diminuída em mais de 20%. Incrível? Mas é isso mesmo, embora
seu exemplo seja seguido por muitos outros países, em nenhum a mamma tem
tanta relevância cultural e até mesmo folclórica, faz parte do grande
mundo da literatura (Gorki, a mãe, por exemplo), dos cartoons, e charges,
etc...
Assim, ‘La Festa della Mamma” na Itália e no mundo, quase deixará de
existir, os comerciantes não irão gostar, afinal é a festa laica ou pagã
em que mais se ouve o "trim" das caixas registradoras. No Brasil, os
restaurantes são muitos beneficiados mesmo, afinal tem algumas mammas
que neste dia irão pisar pela primeira vez num deles, ou receber uma flor
pela primeira vez e, nos dias seguintes, até a próxima "Festa della Mama" só o silêncio sobre seu papel, tudo descartável, banalizado,
etc...
Por isso "la mamma" italiana deu CIAO a tutti...
Agora vamos festejar La Festa della Mamma...
Não dêem uma flor, porém muitas e o ano inteiro, se possível.
Encontre um tempo toda semana para ela, dê a maior atenção possível,
ouça-a muito, afinal ela viu mais que você... E, assim, faça de todos os
dias, ou quase, o Dia das Mães. Só com isso, você nem imagina como
realmente ela será feliz pelo reconhecimento e você nem precisará
enfrentar aquelas filas enormes nos restaurantes, ou comprar um presente
de última hora escolhido até pelas noras (que sabemos da história) ou,
pior ainda, pelos genros, não é assim?
Outra sugestão – faça um almoço em casa (na dela, se possível) com todos
que puder reunir, encha de muitas flores mesmo, a casa toda, enfeitem a
mesa com muitíssimas delas, cozinhe para ela (nada de churrasco) o que
ela mais gosta ou surpreenda-a com novidades que ela já até imaginou
comer um dia. Acho que seria um dia melhor assim...
Isso tudo, você poderá fazer com pouco ou muito dinheiro, tanto faz,
experimente!
Um pouco de
História...
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A
maioria das mídias, de hoje ate domingo, irão contar a Historia da
“Festa della Mamma”, exaustivamente. Assim, eu também vou, porém vou
esclarecer algo: todas as datas que se festejam no mundo atual, e que se
tornaram verdadeiras e inacreditáveis “caixas registradoras”, foram
copiadas e tiraram a idéia da Antiguidade, a não ser a tecnologia, todo
o resto é antigo, antiqüíssimo, e, assim, o “Mothers Day” vem da Grécia
antiga e da Roma Imperial que festejava no mês da primavera a Deusa
Cibeles e ofertava rosas vermelhas às mulheres mães. A rosa era a flor
preferida dos romanos, natural, tão linda, e não havia tantas flores
assim para se escolher.
Depois disso, a História só faz referência novamente a um dia especial
de homenagem às mães a partir da Inglaterra do século XVII, quando os
patrões deixavam um dia livre para os funcionários irem ver os seus que
viviam longe (não havia folgas). E, foi assim, instituído o “mothering
day” ou ”mothering Sunday” – em que eles levavam de presente às mães um
bolo de frutas. Até hoje, muitos assim fazem, é o ‘mothering cake’
Porém, como não poderia deixar de ser foram os americanos que, no início
do séc XX, transformaram esta data no que hoje vemos. Imaginem o mundo
inteiro esperando contar, na segunda-feira posterior à festa, todos os
lucros e que não são poucos.
Assim, la mamma disse: - ”não sou um objeto”. Mas ninguém ouviu isso e
nem os seus alertas. Desta maneira, como disse Fellini: “La Nave Va”...
‘”La Festa della Mamma não "c'è quasi più",,,
Bom Dia das Mammas!!!
“...e la canzone piu bella sei tu.”
Para contribuir
para um almoço bem gostoso no domingo, vou sugerir algumas receitas, um
menu simples mas muito gostoso para "La Festa della Mamma", Para ver,
clique aqui.
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Cristina
Arce
é uma gourmet de alto estilo, estudiosa do tema e especialista
na Itália, sua terra natal, e na gastronomia italiana. Além de
escrever em seu site,
www.crisarce.com.br,
ela é responsável pela coluna Cozinha Italiana no Correio
Gourm@nd.
crisarce@uol.com.br
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