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A
ANCESTRAL ARTE DA CERÂMICA
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ARGILA
Argila é uma rocha sedimentar, constituída basicamente por silicatos
hidratados de alumínio (silício combinado com oxigênio, moléculas de
água e alumínio), além de partículas de ácidos metálicos e matéria
orgânica. Segundo a natureza desses componentes, a argila
apresentará tonalidades diferentes. Assim, enquanto a presença de
óxido de ferro imprime à rocha uma coloração avermelhada, as argilas
ricas em matéria orgânica apresentam tons acinzentados.

A formação dos depósitos de argila se deve a processos de
sedimentação de produtos de erosão provenientes de diferentes
minerais, os quais se acumularam em fendas oceânicas e leitos de
rios, sofrendo aglomeração, graças à atração eletrostática existente
entre as partículas da rocha.
A argila caracteriza-se por sua grande plasticidade
quando úmida, que se solidifica sob a ação do calor, o que a torna
utilizável na modelagem dos mais variados objetos. Sua composição,
que varia de acordo com os locais de onde seja extraída, apresenta
certos elementos minerais que, além da cor, determinam a porosidade
e dureza da peça, bem como a temperatura a que pode ser submetida
sem que sofra deformações.
Além de sua aplicação nas indústrias cerâmicas e de
construção, a argila é também utilizada com fins medicinais (geoterapia).

TERRACOTA
( Argila vermelha)
Popularmente conhecida como “barro”. De grande
plasticidade e em sua composição entram uma ou mais variedades de
argilas. Produzidas sem tanta preocupação com seu estado de pureza,
quando queimadas no máximo até 1100°C adquirem colorações que vão do
creme aos tons avermelhados, o que mostra o maior ou menor grau da
porcentagem de óxido de ferro. Formadas por argilas ferruginosas, dá
origem a uma cerâmica rígida e durável.

GRÊS
Nome de origem francesa, aplicado à cerâmica
vidrada, às vezes pintada, feita de pasta de quartzo, feldspato,
argila e areia, e queimada a uma temperatura normalmente superior
aos 1200°C, Massa altamente refratária.
Também conhecida pelo termo inglês stoneware - "barro- pedra".

PORCELANA
Tipo de cerâmica translúcida, cozida a altas
temperaturas. Impermeável, em geral branca, de massa
fina, com ou sem vitrificação, preparado pela cozedura de uma argila
branca especial, o caulim, com o qual se fazem vasos, serviços de
mesa, estatuetas, bibelôs etc.
A porcelana é um produto branco
impermeável e translúcido. Ela se distingue de outros produtos
cerâmicos, especialmente, da faiança e da louça, pela sua
vitrificação, transparência, resistência, completa isenção de
porosidade e sonoridade.

Cerâmica
vidrada
O exemplo mais conhecido é o azulejo

FAIANÇA -
Louça de pó de pedra
Variedade de cerâmica vitrificada com banho de estanho. Seu nome
deriva de Faenza, localidade italiana onde foi produzida pela
primeira vez nos séculos XV e XVI.
A faiança tal como os
azulejos são peças em barro cozido, vidradas ou não e posteriormente
decoradas com pigmentos cozidos entre os 980º e os 1020º graus. |
Cerâmica vem do
grego - κεραμικος - "keramikos"
que significa "de argila".
A cerâmica é o
material que acompanha o homem há mais tempo. Quando saiu das cavernas e
se tornou um agricultor, ele necessitava não apenas de um abrigo, como
de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes
para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso,
impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram
encontradas na argila que, portanto, foi
a
primeira matéria prima
dos
utensílios domésticos.
A capacidade da
argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e
de endurecer sob a ação do calor, permitiu que, além de matéria prima para
vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos,
óleos, perfumes, etc., também fosse utilizada na construção de casas,
urnas funerárias e, até, como "papel" para escrita.
A arte da cerâmica manifesta-se na cultura
de todos os povos.
O estudo das técnicas de
fabricação e decoração dos objetos de cerâmica é tido como o "alfabeto"
de arqueólogos e historiadores, pois fornece base segura para a
reconstrução de muitos aspectos da vida de antigas civilizações.
Os tipos
A cerâmica consiste na fabricação de objetos, tanto utilitários quanto
artísticos, modelados em uma pasta composta de argila e de materiais
purificadores. Após moldada, a peça passa por uma secagem lenta à sombra
para retirar a maior parte da água e é submetida a altas temperaturas
que lhe atribuem rigidez e resistência mediante a fusão de certos
componentes da massa, fixando os esmaltes das superfícies.
Os objetos de cerâmica podem ser lustrados ou esmaltados e dividem-se em
três grupos diferentes de produtos segundo o grau de cozimento e a
composição química do material utilizado:
terracota, grés e porcelana.
Dentro de cada grupo, e de acordo com a variação da temperatura,
obtém-se uma série de produtos diferenciáveis em consistência e
aparência. À temperatura de 800 a 1.100°
C produz-se uma peça em geral
avermelhada, porosa, dura ao tato. É a terracota, cerâmica que parece
ter substituído a primitiva, simplesmente cozida ao sol. A variação de
temperatura entre 1.100 e 1.300° C dá como resultado matéria mais densa
e sem porosidade, dura, lisa e elástica., é o grès. De 1.300 a 1.500° C, obtém-se
matéria ainda mais dura, e mais lisa, que pouco a pouco se torna vítrea,
até se transformar em porcelana, que é sempre translúcida. O grés é, em
última análise, uma porcelana não translúcida.
A porcelana foi
criada na China durante a Dinastia Tang (618-906 d.C.). Muito cobiçada
pelos ocidentais, que a importaram em grande quantidade, teve,
entretanto, o segredo de sua fabricação cuidadosamente guardado pelos
chineses e a técnica só foi descoberta na Europa no início do século 18.
As
Técnicas
As cerâmicas podem apresentar uma superfície vítrea, capaz de receber
decoração. Obtém-se tal aspecto vítreo pelo emprego de silicatos
compostos, que se liquefazem entre 600 e 1.500°
C, aderindo fortemente
ao material subjacente. A temperatura em que se dá a liquefação não pode
ser superior à que foi necessária para o cozimento da peça, sob pena de
vir esta a se arruinar. Quanto ao aspecto e à qualidade da camada
vítrea, dependerão do gosto e da técnica utilizada: seu colorido resulta
do emprego de tal ou qual óxido metálico.
Não raro, a aplicação dessa camada vítrea segue-se a um cozimento apenas
provisório. O procedimento mais simples de decoração é aquele em que a
peça recebe uma só camada vítrea, sob ou sobre a qual se acrescenta a
decoração, pintada ou modelada. Quando a decoração é aplicada sob a
camada vítrea, as cores utilizadas endurecerão sob a ação do calor.
Quando, pelo contrário, são empregadas sobre a camada, o procedimento
comum é o esmalte, que os chineses levaram à perfeição. Quanto à
maiólica (ou majólica) lança mão de motivos decorativos aplicados por
pincel sobre uma camada vítrea à base de óxido de estanho.
Quando os produtos se resfriam, uma tensão se estabelece entre a
cerâmica propriamente dita e a camada vítrea, produzindo-se às vezes
rachaduras nessa camada. Tais rachaduras podem ser evitadas, mas se
convenientemente realizadas constituem um dos maiores encantos da arte
da cerâmica.
Cerâmica
artística
Com possível exceção do fabrico de tijolos e telhas, geralmente
utilizados na construção desde a antiguidade na Mesopotâmia, desde muito
cedo a produção cerâmica deu importância fundamental à estética, já que
seu produto, mor das vezes, destinava-se ao comércio. Talvez por esta
razão a maioria das culturas, desde seus albores, acabou por desenvolver
estilos próprios que com o passar do tempo consolidavam tendências e
evoluíam no aprimoramento artístico, a ponto de se poder situar o estado
cultural de uma civilização através do estudo dos artefatos cerâmicos
que produzia. Afora a cerâmica para a construção, a cerâmica meramente
industrial só ocorreu na Antiguidade em grandes centros comerciais,
iniciando vigorosa etapa com a Revolução industrial. Com a utilização da
porcelana, a cerâmica alcançou níveis elevados de sofisticação.
História
Acredita-se que o homem tenha começado
a fazer cerâmica durante o período Neolítico, por volta de 6000 a.C
no Oriente e na Europa,.
Os achados mais antigos provêm de jazidas neolíticas na Anatólia,
Palestina, Mesopotâmia e Tessália.
Era
uma cerâmica muito rudimentar,
vasos de talhe grosseiro,
feitos
à mão.
sem elementos decorativos
e secos ao sol.
Posteriormente, evoluíram para
artigos mais elaborados, com bocais e alças, imagens em relevo, ou com
pinturas vivas que possivelmente passaram a ser considerados objetos de
decoração. Imagens em cerâmica de figuras humanas ou humanóides,
representando possivelmente deuses daquele período também são
freqüentes. Parte dos artesãos também chegou a usar a argila na
construção de casas rudes.
Em lugares como na China e no Egito,
a cerâmica tem cerca de 5000 anos. Tendo destaque especial o túmulo do
imperador Chi-Huand-di e seus soldados de terracota. No Egito, a arte de
vidrar é datada em cerca de 3000 anos a.C.. Colares de faianças vidradas
aparecem entre as relíquias do 3o. milênio, juntamente com estatuetas e
amuletos. O mais velho fragmento de cerâmica vidrada foi feito em
policromia, trazendo o nome do rei Mens do Egito.
Outras manifestações importantes na
História da cerâmica foram os babilônicos e os assírios que utilizavam
cerâmica com ladrilhos esmaltados em azul, cinza azulado e creme e ainda
relevos decorados (século 6 a.C.), bem como os persas com sua fabricação
de objetos em argila cozida em alto brilho, e das cores obtidas
misturando óxidos metálicos, método usado ainda nos nossos dias. Com o
tempo, a cerâmica foi evoluindo e ganhando os nossos dias, mas não sem
contar com os esforços dos gregos, romanos, chineses, ingleses,
italianos, franceses, alemães e norte-americanos.
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Sobre a Arte da Cerâmica
“A cerâmica é ao mesmo tempo a mais simples e a mais difícil
de todas as artes. A mais simples, por ser a mais elementar; a mais
difícil, por ser a mais abstrata. Historicamente, encontra-se entre
as artes mais primitivas. Os vasos mais antigos que se conhecem eram
modelados à mão em barro cru, tal qual era extraído da terra, e
secos ao sol e ao vento. Mesmo nesse grau do seu desenvolvimento,
antes de possuir escrita, literatura ou mesmo uma religião, o homem
possuía já esta arte, e os vasos que então produzia ainda são
capazes de nos sensibilizar por suas formas expressivas. Quando o
homem descobriu o fogo e aprendeu a tornar seus vasos rijos e
duradouros, quando inventou a roda e como oleiro pôde acrescentar
ritmo e movimento ascensional ao seu conceito de forma, estavam
presentes todos os elementos essenciais da mais abstrata de todas as
formas de arte. Esta foi evoluindo desde as suas humildes origens
até que, no final do século 7 a . C., se tornou a arte representativa da raça
mais intelectual e sensitiva que o mundo conheceu. Um vaso grego é o
verdadeiro protótipo da harmonia clássica. Depois, para o Oriente,
outra grande civilização fez da cerâmica a sua arte mais típica e
mais estimada, e levou-a a requintes mais delicados que os próprios
Gregos. Um vaso grego é harmonia, mas um vaso chinês, uma vez
liberto das influências impostas por outras culturas e outras
técnicas, alcança harmonia dinâmica: já não é só uma relação
numérica, mas um movimento vivo. Não é um cristal, é uma flor. Os
tipos perfeitos de cerâmica, representados nas artes da Grécia e da
China, têm os seus equivalentes aproximados noutras regiões: no Peru
e no México, na Inglaterra e na Espanha medievais, na Itália do
Renascimento, na Alemanha do século XVIII – de fato, esta forma de
arte é tão fundamental, está tão intimamente ligada às necessidades
mais elementares da civilização, que o gênio nacional de um povo tem
sempre de achar maneira de nela se exprimir. Julga-se a arte de um
país, julgue-se a sutileza da sua sensibilidade pela sua cerâmica: é
uma segura pedra de toque. Cerâmica é arte pura; arte liberta de
qualquer intenção imitativa. A escultura, com a qual está mais
intimamente relacionada, teve desde o início uma intenção imitativa,
e nessa medida talvez tenha sido menos livre que a cerâmica como
meio de expressar o desejo de forma; a cerâmica é a arte plástica na
sua essência mais abstrata.”*
por Hebert Read
O SIGNIFICADO DA ARTE |
Ceramografia
Estudo das técnicas de fabricação e decoração de objetos de barro em
seus aspectos evolutivo e comparativo, a ceramografia fornece elementos
de grande importância para a reconstrução histórica das sociedades
antigas, sobretudo no caso de ausência ou exigüidade de fontes escritas.
Seu estudo científico data de inícios do século 20, tendo no arqueólogo
Sir William Flinders Petrie (1835-1942) um de seus mais destacados
teóricos. Atualmente é objeto de simpósios com o concurso de físicos,
arqueólogos, estatísticos, historiadores, antropólogos etc.
Estudo das formas
Mediante a interpretação adequada de cenas pintadas nos vasos, pode-se
reconstruir muito da vida social de uma comunidade. Nesse sentido, os
testemunhos dos vasos asiáticos e europeus constituem excelentes
complementações das fontes escritas, no que concerne a aspectos da vida
religiosa, artística, militar, profissional etc.
O estudo das formas de cerâmica contemporâneas entre si permite uma
datação relativa das culturas que as produziram. Pode-se estabelecer a
chamada cronologia relativa pelo estudo da sucessão das formas e
decorações das cerâmicas de um mesmo sítio arqueológico. As
transformações ocorridas em um dado padrão ou na feitura de um vaso
permitem que se fixe uma seqüência perfeita. A comparação de um tipo
dessa seqüência com artefatos da mesma época ou com padrões cerâmicos
similares de outras jazidas fornece dados essenciais para sua datação. O
estudo clássico dessa técnica continua sendo o de Petrie, que a aplicou
no Egito pré-dinástico, datando as várias jazidas pela comparação das
formas de cerâmica.
VB

Guerreiros de Xi’an - China
Sete mil homens e 200 cavalos em
terracota, construídos por volta de 219 a.C. Reza a lenda que a morte
dos imperadores chineses implicava no enterro de todos os seus servos e
concubinas, para que essa legião de fiéis lhe continuasse protegendo
mesmo na eternidade. Qin quebrou a tradição e recrutou 700 mil homens
para construir esse exército no subsolo de onde seria seu mausoléu. Ao
in´ves dos seres humanos, essas peças é que lhe dariam a proteção
necessária após sua morte. Xi'An, a 1.200 quilômetros de Pequim, era a
capital da China naquela época. A descoberta das estátuas ocorreu em
1975, transformando os arredores do túmulo de Qin num dos maiores sítios
arqueológicos da contemporaneidade. Ainda hoje, a cidade mantém os
trabalhos de escavação e preservação desse tesouro, reconhecido como
patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1987.
Fonte:
Wikipédia
Maria
Alice Porto Rossi
Museo Chileno de Arte Prcolombino
São Paulo ImagemData
Ana Maria Brambilla
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