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HISTÓRIA DOS CARTÕES
DE CRÉDITO
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Crédito
A palavra crédito deriva das palavras latinas "credere",
"confiança" e creditum, “uma coisa confiada de boa-fé”.


Quando um primitivo agricultor cedeu a outro sementes em troca de certa
participação nos resultados da futura colheita, estava realizando uma
operação de crédito, baseada na confiança pessoal, na garantia oferecida, ou
na combinação de ambas. Genericamente, crédito é antecipação de recursos -
dinheiro, serviços, mercadorias, títulos - mediante a garantia de pagamento
futuro, na qual está embutida a taxa de juros -- a remuneração do risco
assumido pelo credor. Crédito, portanto, é uma transação que tem por objeto
qualquer bem fungível (que se consome com o uso), e a relação econômica e
jurídica por ele criada só deixa de existir mediante o pagamento da dívida
contraída, ou, em caso de inadimplência (descumprimento da obrigação), por
meio de execução judicial dos bens do devedor. A essência do conceito
moderno de crédito é a mesma do lavrador primitivo: a expectativa do credor
(ou prestatário) de que o devedor (ou prestamista) cumpra o prometido no
tempo e nas condições pré-estabelecidas. A rigor, o crédito não está ligado
à honra pessoal, mas ao potencial em saldá-lo de que dispõe o devedor.
O desempenho econômico das sociedades modernas subordina-se à existência do
crédito. Este se converteu, através do sistema bancário, em poderoso gerador
e ampliador dos meios de pagamento, sem os quais as diferentes atividades
econômicas não teriam sustentação, desde o crédito pessoal - para o
pagamento de dívidas, financiamento de viagens, bens móveis e imóveis - ao
crédito de que se servem as empresas para seus diversos projetos e
necessidades. Os governos usam o crédito para financiamento de suas
atividades correntes (pagamento de salários de servidores públicos) ou de
investimento (em centrais de geração de energia, por exemplo), o que vem a
criar a chamada dívida pública, que pode ser, segundo a fonte, interna ou
externa.
Registros históricos demonstram que assírios, babilônios e egípcios já
utilizavam mecanismos de crédito há 3 mil anos atrás. No século 14, com a
expansão do comércio entre regiões cada vez mais distantes no final da Idade
Média, surgiram as letras de câmbio, documento que não só permitia a
cobrança de seu próprio valor, mas também podia ser utilizado como forma de
pagamento. Elas foram precursoras do papel-moeda, que só surgiria no século
17, lançado pela primeira vez, em 1661, pelo Banco de Estocolmo, como
solução paliativa para compensar a escassez de prata. Os cheques
só começaram a ser utilizados em 1875 na Grã-Bretanha.
Letra de câmbio
Ordem de pagamento em que uma pessoa (sacador ou emitente) ordena que uma
segunda pessoa (sacado) pague determinada quantia a uma terceira (tomador ou
beneficiário). Deve explicitar o valor do pagamento, a data e o local para
efetuá-lo.





Cartões de Crédito de companhias petrolíferas
americanas,
precursores dos atuais cartões


Frank MacNamara


Primeiro Diners Club Card - 1950
Era confeccionado em papel cartão e trazia o nome
do associado de um lado e dos estabelecimentos filiados em
outro. Somente em 1961, o Diners passou a usar o plástico em sua
fabricação.

Layout
atual

Primeiro layout (lilás) do cartão de crédito American Express -
1958


Layouts
atuais

Modelo original do BankAmericard

Que se transformou em Visa em 1976.

Evolução do
logotipo de 1976 até os dias atuais

Layout atual

Somente em 1969 surgiu o famoso logotipo contendo os círculos
entrelaçados (Venn Diagram) nas cores ocre e vermelha alaranjada
com o nome MasterCharge ao centro.

Em 1979, a ICA mudou seu nome para
MasterCard®

Em 1990, no logo
MasterCard®, a cor ocre foi
substituída pela laranja.

Maestro é o cartão de débito internacional da MasterCard, que
pode ser usado para compras e saques tanto no Brasil como no
exterior (através da rede Cirrus).

Antiga maquineta


Atual terminal eletrônico




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Alguns podem se perguntar:
mas o que a História dos cartões de crédito têm a ver com gastronomia?
Muita coisa, a começar por
sua própria origem. Foi nos Estados Unidos, exatamente na metade do
século 20, em 1950, que o advogado Frank MacNamara e seu sócio Ralph
Schneider lançaram o Diners Club Card, e distribuíram-no a 200 clientes
que poderiam usá-lo, justamente, em 27 restaurantes em New York.
E como surgiu essa idéia?
Também por causa de um restaurante... Um ano antes, em 1949, MacNamara
levou executivos financeiros de Nova York, como convidados para
jantar no Majora’s Cabin Grill e, só quando recebeu a conta, percebeu
que não tinha como pagar, pois havia esquecido dinheiro e talão de
cheques. Depois de alguma discussão, o dono do restaurante permitiu que
MacNamara pagasse a conta em outro dia, mediante a sua assinatura na
nota de despesas. Esse jantar entrou para a História com o nome de
"Primeira Ceia".
De lá pra cá muitos outros
cartões surgiram, e compra-se de tudo com eles. Mas, uma coisa continua
sendo um fato incontestável: o cartão de crédito é o meio de pagamento
mais utilizado nos gastos com gastronomia em todo o planeta.
Assim, tendo tal
participação no mercado gastronômico, é justo que a sua História conste,
também, nesse portal totalmente voltado para os amantes dos
prazeres da boa mesa, boa parte deles, com certeza, usuários dos cartões
de crédito das mais variadas bandeiras que circulam no Brasil e no
mundo.
O Cartão de Crédito
O uso de moedas e cédulas
está sendo substituído cada vez mais por pequenos cartões de plástico.
Instituições financeiras, bancos e um crescente número de lojas oferecem
a seus clientes cartões que podem ser usados na compra de grande número
de bens e serviços, inclusive em lojas virtuais através da Internet. Os
cartões não são dinheiro real: simplesmente registram a intenção de
pagamento do consumidor. Cedo ou tarde a despesa terá de ser paga, em
espécie ou em cheque. É, portanto, uma forma imediata de crédito.
Os Precursores
Embora se fale de
registros do uso de cartões de crédito na Europa por volta de 1890, a
versão mais aceita é que a História dos cartões de
crédito ao consumidor começou em 1914, nos Estados Unidos, quando a Western Union,
a poderosa empresa americana de
telégrafo e transferência de dinheiro, lançou o seu primeiro cartão - na
verdade uma plaquinha de metal que continha o nome do portador.
Distribuído entre seus clientes preferenciais, o cartão podia ser
utilizado para adquirir vários serviços e conferia uma série de
benefícios especiais, como atendimento prioritário e o pagamento
diferenciado com prazo para quitar suas compras livre de encargos
financeiros. Era o início do sistema "compre agora, pague mais tarde",
que viria imperar por todo o século 20 e permanece até os dias de hoje.
Ao longo dos anos
seguintes, diversas outras empresas americanas, como as petrolíferas, as cadeias hoteleiras
e lojas de departamentos e, até, de telefonia, começaram a emitir
seus próprios cartões e distribuí-los entre seus clientes,
concedendo-lhes, também, um prazo para o pagamento das despesas. Na
mesma época, empresas hoteleiras da França, Inglaterra e Alemanha também
passam a contemplar seus clientes fiéis com cartões preferenciais que
lhes permitiam faturar gastos com hospedagem e alimentação.
Esses primeiros cartões, que mais se assemelham aos
atuais cartões de fidelidade, podem, entretanto. ser considerados os
precursores dos cartões de crédito atuais, embora
pressupusessem o pagamento total da conta no final do mês.
Durante os anos 30, alguns
varejistas americanos começaram a adotar o chamado "crédito rotativo",
permitindo aos possuidores de cartão pagar apenas uma parte dos seus
gastos e ter o saldo financiado automaticamente para a próxima fatura,
acrescido de encargos financeiros. Entretanto, foram experiências
embrionárias que ainda limitavam a continuidade do uso do cartão à
quitação total do débito.
Foi somente anos mais
tarde que o crédito rotativo pleno passou a ser usado e, além de
financiar o débito, tornou-se possível continuar comprando até o limite
de crédito estipulado de cada cliente. É esse sistema que continua sendo
adotado pelos cartões de crédito até hoje e é exatamente essa
característica - concessão de prazo de financiamento - que distingue os
cartões de compra dos cartões de crédito.
O pioneiro Diners Club
Card
Com a grande depressão
americana, seguida da segunda guerra mundial, período durante o qual o
uso de qualquer tipo de cartão foi proibido, houve uma grande estagnação da indústria de cartão de crédito nos Estados Unidos
e, também, na Europa. Mas, o
boom econômico do pós guerra, mudou completamente o cenário, e, quando,
em 1950, MacNamara e Ralph Schneider fundaram a Diners Club Inc. e
lançaram o primeiro cartão de crédito moderno, a situação não poderia
ser mais favorável.
Primeiro cartão de crédito
moderno, o Diners Club Card cobrava dos estabelecimentos conveniados um
percentual de 7% sobre o valor gasto, a título de taxa de serviço, e,
dos usuários do seu cartão, aos quais concedia 60 dias para o pagamento
integral das faturas, uma taxa administrativa anual de três dólares.
Rapidamente, o conceito do
cartão Diners Club ganhou novos adeptos - em apenas um ano conquistou 20
mil associados; sua área de atuação estendeu-se para além de New York,
atingindo as cidades de Miami, Boston, Chicago, Los Angeles e San
Francisco, e, em 1952, sua rede afiliada já abrangia um grande número
estabelecimentos (400 restaurantes, 30 hotéis, 20 agências de locação de
veículos e em 5 floriculturas). Ainda em 1952, o cartão se tornou
internacional, passando a ser aceito no Canadá, França e Cuba. Em 1956,
chegou ao Brasil e, por volta de 1960, ele já era estava em mais de 50 países de todos os continentes.
Sempre pioneiro, em 1975, o Diners Club introduziu o seu “Corporate Card”,
o primeiro cartão de crédito empresarial.
Os Cartões de Crédito
Bancários
Em 1951, surgiu o primeiro
cartão de crédito bancário emitido pelo Franklin National Bank,
atualmente chamado de European American Bank, de Long Island, New York.
Aceito pelos comerciantes locais, não cobravam juros ou taxas dos seus
portadores que deviam quitar o total dos débitos a cada mês, mas
cobravam um percentual dos comerciantes sobre as transações efetuadas
com seus cartões. Rapidamente, por volta de 100 outros bancos começaram,
também, a emitir seus cartões. O reduzido número de transações
correspondente ao comércio local, no entanto, limitava a expansão – eram
poucos os cartões para garantir uma fonte de renda para os bancos
emissores, razão pela qual começaram a desaparecer com a mesma rapidez
com que surgiram.
O American Express Card
Em 1958, foi a vez da
American Express lançar o seu cartão de crédito. Criada em 1850, em
Búfalo, Estados Unidos, pelos senhores Wells, Fargo, Butterfield,
Livingston e Wasson, a American Express Company oferecia um
"serviço expresso" de transporte de cargas e valores, que se estendeu a
produtos financeiros como ordens de pagamento e cheques de viagem. que
viria a liderar por muito tempo o mercado. Desde 1882, oferecia a
inovadora ordem de pagamento "Money Order" da American Express e a
partir de 1891, os Travelers Cheques, em resposta às necessidades
daqueles que realizavam viagens extensas, principalmente viagens
internacionais, e que necessitavam de uma forma simples e segura de
transportar valores.
Inicialmente o Cartão American Expresss tinha como
público alvo os seus próprios clientes. Entretanto, rapidamente,
estendeu-se a outras áreas, até converter-ser num cartão de uso
generalizado, e transformar-se numa gigante do mercado financeiro. Seis
anos depois, em 1964, a empresa já contava com mais de um milhão de
Associados e 121.000 estabelecimentos afiliados. A expansão teve
continuidade, e, em 1970, já era aceito em mais de dez países. Chegou ao
Brasil em 1980.
Enfim, o cartão atual
Também em 1958, surge uma
grande inovação no mercado dos cartões de crédito. Lançado pelo Bank of
America, sediado na Califórnia, o BankAmericard foi o primeiro cartão de
crédito realmente rotativo, que oferecia opções de pagamento (o total da
fatura, ou o parcelamento da dívida com cobrança de encargos sobre os
saldos remanescentes). O êxito foi imediato e, rapidamente, outros
bancos uniram-se ao sistema BankAmericard, que ganhou amplitude
nacional, tornando-se o cartão mais conhecido dos EUA.
Em 1970, o Bank of America
renunciou ao controle do programa BankAmericard. Os bancos que emitiam o
cartão tomaram o controle do programa, formando a National BankAmericard
Inc. (NBI), uma corporação independente, fins lucrativos, que administraria,
promoveria e desenvolveria BankAmericard dentro dos Estados Unidos.
No exterior, o Bank of
America continuou outorgando licenças aos bancos para emitir o
BankAmericard, e, em 1972, o cartão estava licenciado em 15 países. Em
1974, foi fundada a IBANCO, uma corporação multinacional de membros,
também sem fins lucrativos, que administraria o programa internacional do BankAmericard.
Entretanto, em muitos países, havia resistência em emitir um cartão
associado ao Bank of America, ainda que fosse uma associação unicamente
nominal. Para superar esse obstáculo, foi necessário buscar uma marca
universal, livre de associações com entidades bancárias competidoras. Em
1976, numa convenção bancária realizada em Orlando, na Flórida, o
presidente da NBI-Ibanco, Dee Ward Hock, anunciou oficialmente a mudança
do nome da empresa. O cartão BankAmericard adotou uma nova imagem com a
marca VISA, mantendo suas cores tradicionais - azul, branca e dourada. O
NBI transformou-se em Visa USA e o Ibanco mudou para Visa International
Service Association. Na década de 90, o Visa tornou-se o maior cartão
com circulação mundial, sendo aceito em 12 milhões de estabelecimentos.
Atualmente, possui mais de 21.000 instituições financeiras membros,
tendo no mercado mais de 1 bilhão de cartões sob sua bandeira
O Master Charge/MasterCard®
Em 1966, seguindo o exemplo do Bank of
America, formou-se a aliança denominada Interbank Card Association (ICA),
que, diferente de outras organizações similares, não era dominada por um
único banco e sim por 17 bancos regionais americanos. Comitês membros
foram estabelecidos para gerenciar a associação e estabeleceram normas
para autorização, compensação e liquidação, manipulando também aspectos
jurídicos, de segurança e de marketing. Em 1968, a ICA formou uma
associação com o Banco Nacional do México, tornando-se uma organização
internacional. Um ano depois, aliou-se ao Eurocard, na Europa e passou a
chamar MasterCharge, lançando um novo logo para fortalecer a
identificação de sua marca. Nesse mesmo ano, vieram os primeiros membros
japoneses, e não demorou muito para que outros países seguissem os mesmo
passos.
O sistema ICA era
totalmente informatizado, eliminando a necessidade de autorizações
telefônicas nos estabelecimentos comerciais já em 1973. No ano seguinte,
implantou a tarjeta magnética, que se tornou padrão em todos os seus
cartões de crédito no mundo, com o objetivo de rastrear as transações e
reduzir fraudes. Para refletir um compromisso com o crescimento
internacional, em 1979, a ICA mudou seu nome para MasterCard®. Nesta
época, já possuía membros na África e na Austrália, chegando na década
seguinte à Ásia e América Latina. Os cartões de crédito MasterCard®
foram os primeiros emitidos na República Popular da China em 1987 e, em
1993, já representava para a marca o segundo maior país em volume de
vendas.
Em 1988, foi emitido o primeiro cartão MasterCard® na União Soviética.
Somente em 1996, quando a Credicard deixou de ser o seu único emissor no
país e todos os principais bancos começam a emitir cartões da marca, a MasterCard®
estabeleceu seu escritório no Brasil.
Hoje, existem mais de 30 escritórios da MasterCard® em todo o mundo,
incluindo Índia, Tailândia, Chile, Coréia do Sul e Taiwan.
Disseminação do uso dos Cartões de Crédito
Anos mais tarde, novas
tecnologias foram adicionando funções ao plástico. A 1ª delas foi o
saque em caixas eletrônicos, que rapidamente se popularizou. Em 1974,
surge a função débito, sucedida pela criação dos pré-pagos e smart cards.
Hoje, quem compra com cartão de crédito pode pagar à vista, escolher já
na loja pelo parcelamento em até 12X, utilizar o crédito rotativo e
refinanciar o saldo devedor. Quem compra com cartão de débito pode pagar
à vista, pré-datar o débito para até 30 dias ou desfrutar de linhas de
crédito especiais vinculadas ao cartão.
É possível realizar negócios B2C e B2B. É possível comprar de um
pãozinho a um avião. É possível pagar taxas públicas, contas,
mensalidades, consultas e até recarregar um celular pré-pago. É possível
realizar compras no varejo, no atacado, por catálogo, pela Internet e
até em feiras livres, comércio ambulante e venda porta a porta.
A evolução do cartão de plástico têm sido tão rápida que o próprio
plástico está se tornando obsoleto. A tecnologia mobile já permite
efetuar compras pelo celular. Em alguns países, é possível realizar suas
compras pelo controle remoto da televisão, o que, em breve, deve ser
realidade no Brasil.
SAIBA MAIS:
Para saber sobre a História dos
Cartões de Crédito no Brasil,
clique aqui.
Fontes:
Banco Central do Brasil
Associação Brasileira
das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
Creditcards.com
American
Express
Visa
Mastercard
Citibank
Enciclopédia Britânica
Texaco
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