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fogado de paraibuna
Receita original é declarada Patrimônio Histórico-Cultural da cidade
Virgínia Brandão
O "Afogado" é um prato típico da região do Vale do Ribeira, no Estado de
São Paulo, feito a base a base de carne e servido com farinha de mandioca e
arroz branco. A receita varia de cidade para cidade, muitas delas incluindo
legumes.
Mas em Paraibuna, o Afogado tem outro nome, é Fogado e além de ser o prato
mais tradicional da cidade, servido em casamentos, festas religiosas e
outros eventos importantes é, também, Patrimônio Histórico-Cultural do
Município desde 03 de junho de 2005 quando a receita do 'Fogado Paraibuna
foi assim oficializada por força de um decreto Municipal.
A oficialização visou preservar as tradições e costumes locais e alavancar o
turismo gastronômico da cidade. O pesquisador e culinarista João Rural, que
fez a pesquisa do prato, ressalta "que a receita antiga difere de todas as
receitas de outras cidades" , lembrando ainda que o Fogado é um dos cinco
pratos típicos do Estado, classificado pelo Guia 4 Rodas.
O Conselho Municipal de Turismo de Paraibuna vem realizando vai realizar um
trabalho de divulgação na imprensa nacional e conscientização dos
restaurantes locais, para que passem a usar a receita original. O Comtur irá
orientar a preparação do prato e também fornecer um selo para o restaurante
que adotar a receita. em seu cardápio.
História do Fogado Paraibuna
A receita remonta a meados do século 19, mas se popularizou mesmo a partir
de 1920/30, com a chegada do gado leiteiro à região de Paraibuna, dando um
novo impulso à cidade que vivera o seu apogeu de luxo e riqueza durante o
ciclo do café, . Pela pesquisa junto a antigos cozinheiros e depoimentos de
moradores, o Fogado nasceu muito simples.
Naquela época, os bois eram usados para puxar carros-de-bois e as vacas eram
mortas muito velhas, consequentemente, a carne era muito dura. Quando
matavam as vacas, faziam a carne-seca para guardar e também conservar e
amolecer no sal. Davam, então, as pernas e mãos inteiras dos animais para os
empregados, que inicialmente eram os escravos. As peças eram cortadas em
pedaços e colocadas em grandes panelões para cozinhar somente com sal. Ali,
ficava a noite toda "afogado" em fogo brando, para amolecer.
Com certeza, vem daí o nome "afogado". Um detalhe é que o prato não tinha
gordura, somente o mocotó e o tutano do osso, que dá um sabor especial.
Depois vinha um tempero a base de alho com sal, urucum (colorau) cheiro
verde, alfavaca e a hortelã pimenta. Herança dos negros que sabiam que essas
duas plantas ajudavam na digestão da comida, principalmente para as
crianças.
Durante pelo menos 70 anos, até falecer em 1983, o popular Manezinho (
Manoel Stábile) vendeu no Mercado Municipal de Paraibuna um Fogado
semelhante a esta receita. Para facilitar, ele retirava as carnes, cortava
os ossos e colocava no fundo da panela, para não queimar a carne. Por cima
colocava os pedaços de carne. O resto era semelhante.
O depoimento do Sr. Sebastião Benjamim, que faleceu com 104 anos em 2001,
confirma a história da origem do prato. Ele afirmava que: "meu pai, José
Antonio Cassiano que morava no Bairro do Bragança, comprava as velhas vacas
nas fazendas da Fartura. Levava até o bairro e matava. Vendia um pouco de
carne fresca, fazia a carne-seca e com as pernas fazia o Fogado. Raspava bem
os pelos do osso, retirava o casco e cortava em pedaços, deixando o couro,
carne e osso juntos. Colocava num panelão de ferro, com água e sal e deixava
cozinhando em fogo baixo a noite toda. No outro dia, retirava os pedaços de
ossos e temperava a carne com o colorau, alho, hortelã e alfavaca. Tava
pronto para comer, fazendo um pirão com farinha de mandioca."
Quando do aumento do rebanho bovino, o Fogado ganhou o interesse dos
políticos, por ocasião das eleições. Mas aí, como era muita gente para
comer, acabaram cozinhando a vaca quase inteira, começando uma transformação
na receita original, sendo a principal, o uso de carnes mais gordurosas e
mais moles. Depois vieram as festas religiosas, onde se mata até 30 vacas
para servir ao povo. Novamente mais elementos entraram no prato, como a
batata, o macarrão e a mandioca.
Fonte: Prefeitura de Paraibuna
Para conhecer a receita original do Fogado
Paraibuna,
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Virgínia Brandão é
diretora da VB Bureau de Projetos e Textos, agência de marketing
integrado especializada em gastronomia, e autora do projeto Correio Gourm@nd
do qual é editora e, onde, também, escreve sobre o Mundo Gourmand.
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