|

 |
|
|
|
|

As Flores do Malte
Marcelo Carneiro da Rocha
| |
|
|
 |
|
|
De todas as bebidas, nenhuma veio a sofrer tanto com a
massificação e padronização dos meios de produção quanto a cerveja. Na
verdade, o mundo sempre soube que a cerveja é uma bebida nobre e complexa,
só o século XX é que parece ter esquecido essas qualidades. Com uma história
tão antiga e tradicional quanto a do vinho, a cerveja só agora vem
despertando o interesse de um seleto público, e resgatando a sua origem.
Atualmente, algumas das melhores cervejas brasileiras são produzidas em
pequenas microcervejarias, com notáveis diferenciais de elaboração e,
conseqüentemente, sabor.
Pequenas cervejarias podem mais facilmente se devotar a estilos clássicos,
bem como também à invenção de novos estilos. Enquanto as cervejas populares
assemelham-se em sabor, aroma e cor, as cervejas especiais diferenciam-se
por sua liberdade de estilo, receita personalizada e qualidade evidente e
acentuada das matérias-primas.
Fora os ingredientes da receita básica da cerveja, Malte, Levedura, Lúpulo e
Água, as microcervejarias arriscam também saborosas combinações com ervas,
frutas, outros cereais e especiarias, além de poderem diferenciar-se ainda
em tempo de cozimento, nível de fermentação, maturação e produção de um
alimento mais natural, sem conservantes.
Esta percepção de "small in beautiful", já amplamente dominante no universo
vinícola, vem devagar conquistando um público seleto. Como os vinhos
produzidos para o grande público, as cervejas feitas para o mercado de massa
são feitas de modo a agradar a maioria do mercado consumidor. Isso quer
dizer que devem ser produzidas com um preço altamente competitivo e com um
sabor que a todos agrade. E essa não é a proposta das microcervejarias...
Aliás, se juntarmos em uma sala a nova safra de empresários cervejeiros do
Brasil encontraremos, com certeza, uma variedade incrível de backgrounds
diferentes, do fazendeiro ao DJ, passando pelo editor de livros e pelo
restauranteur. Fermentando tudo, uma coisa é certa, não encontraremos aqui
tipos sisudos, encarcerados em paletó e gravata, como os empresários da
velha geração. Descontraído e inventivo é o perfil do novo cervejeiro
brasileiro, diferentemente de casas americanas e européias.
Para se entender, se quisermos elevar as boas opções e a diversidade de um
mercado que ainda não prima, exatamente, pela cultura cervejeira, pensemos
em divulgar o verdadeiro conteúdo dos chopes premium e cervejas de
gastronomia, produtos originais brasileiros.
Talvez, quem sabe, daqui algum tempo, passaremos a discutir, com mais
propriedade, o sabor exótico da Cerveja Ruiva da Devassa, do Rio de Janeiro,
a inusitada leveza da Cerveja de Trigo, da Colorado, de Ribeirão Preto, ou
ainda o maltado bouquet da Cerveja de Natal da Eisenbahn, de Blumenau.
Voltar ao Índice de
Gastronomia no Brasil
Voltar ao topo
|
|
|
|
|
|