O "Afogado" é um prato típico da região do Vale
do Ribeira, no Estado de São Paulo, feito a base
a base de carne e
servido com farinha de mandioca e arroz branco. A receita varia de cidade
para cidade, muitas delas incluindo legumes.
Mas em Paraibuna, o Afogado tem outro
nome, é Fogado e além de ser o prato mais tradicional da cidade,
servido em casamentos,
festas religiosas e outros eventos importantes
é, também,
Patrimônio
Histórico-Cultural do Município desde 03 de junho de 2005 quando a receita
do 'Fogado Paraibuna foi assim oficializada por força de um decreto
Municipal.
A oficialização visou preservar as tradições e costumes locais e alavancar o turismo gastronômico da cidade. O pesquisador
e culinarista João Rural, que fez a pesquisa do prato, ressalta "que a
receita antiga difere de todas as receitas de outras cidades" , lembrando
ainda que o Fogado é um dos cinco pratos típicos do Estado, classificado
pelo Guia 4 Rodas.
O Conselho Municipal de Turismo de Paraibuna vem realizando vai realizar um trabalho de divulgação na
imprensa nacional e conscientização dos restaurantes locais, para que passem
a usar a receita original. O Comtur irá orientar a preparação do prato e
também fornecer um selo para o restaurante que adotar a receita. em seu
cardápio.
História do Fogado Paraibuna
A receita remonta a meados do
século 19, mas se
popularizou mesmo a partir de 1920/30, com a chegada do gado leiteiro à
região de Paraibuna, dando um novo impulso à cidade que vivera o seu apogeu de luxo e riqueza durante o ciclo do café,
. Pela pesquisa junto a antigos cozinheiros e depoimentos de
moradores, o Fogado nasceu muito simples.
Naquela época, os bois eram usados para puxar carros-de-bois e as vacas eram
mortas muito velhas, consequentemente, a carne era muito dura. Quando
matavam as vacas, faziam a carne-seca para guardar e também conservar e
amolecer no sal. Davam, então, as pernas e mãos inteiras dos animais para os
empregados, que inicialmente eram os escravos. As peças eram cortadas em pedaços e
colocadas em grandes panelões para cozinhar somente com sal. Ali, ficava a
noite toda "afogado" em fogo brando, para amolecer.
Com certeza, vem daí o nome
"afogado". Um detalhe é que o prato não tinha
gordura, somente o mocotó e o tutano do osso, que dá um sabor especial.
Depois vinha um tempero a base de alho com sal, urucum (colorau) cheiro
verde, alfavaca e a hortelã pimenta. Herança dos negros que sabiam que essas
duas plantas ajudavam na digestão da comida, principalmente para as
crianças.
Durante pelo menos 70 anos, até falecer em 1983, o popular Manezinho (
Manoel Stábile) vendeu no Mercado Municipal de Paraibuna um Fogado
semelhante a esta receita. Para facilitar, ele retirava as carnes, cortava
os ossos e colocava no fundo da panela, para não queimar a carne. Por cima
colocava os pedaços de carne. O resto era semelhante.
O depoimento do Sr. Sebastião Benjamim, que faleceu com 104 anos em 2001,
confirma a história da origem do prato. Ele afirmava que: "meu
pai, José Antonio Cassiano que morava no Bairro do Bragança, comprava as
velhas vacas nas fazendas da Fartura. Levava até o bairro e matava. Vendia
um pouco de carne fresca, fazia a carne-seca e com as pernas fazia o Fogado.
Raspava bem os pelos do osso, retirava o casco e cortava em pedaços,
deixando o couro, carne e osso juntos. Colocava num panelão de ferro, com
água e sal e deixava cozinhando em fogo baixo a noite toda. No outro dia,
retirava os pedaços de ossos e temperava a carne com o colorau, alho,
hortelã e alfavaca. Tava pronto para comer, fazendo um pirão com farinha de
mandioca."
Quando do aumento do rebanho bovino, o Fogado ganhou o interesse dos
políticos, por ocasião das eleições. Mas aí, como era muita gente para
comer, acabaram cozinhando a vaca quase inteira, começando uma transformação
na receita original, sendo a principal, o uso de carnes mais gordurosas e
mais moles. Depois vieram as festas religiosas, onde se mata até 30 vacas
para servir ao povo. Novamente mais elementos entraram no prato, como a
batata, o macarrão e a mandioca.
Virgínia Brandão
Fonte: Prefeitura de Paraibuna
Para conhecer a receita original do Fogado
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