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Os Engenhos de Farinha de
Mandioca de Santa Catarina
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A Ilha de
Santa Catarina tinha, até meados do século 20, mais de 300
engenhos de farinha. Os engenhos representam a fase do apogeu
econômico vivido pela agricultura na Ilha. A partir da década de
60 ocorreu a decadência motivada por vários fatores, entre eles
a especulação imobiliária e a queda da renda na venda de
farinha.
Os açorianos chegando ao litoral catarinense tentaram a
princípio cultivar o trigo que era a principal fonte de
alimentação no arquipélago dos Açores. O trigo não vingou,
acabaram adaptando-se ao alimento da terra , a mandioca. O
método indígena de fazer a farinha era bastante rudimentar e
pouco rendoso. Os açorianos, então, adaptaram a tecnologia dos
moinhos de trigo à produção da farinha.
Do encontro das culturas indígena e açoriana, surgiu o Engenho
de farinha. Visitar um engenho é fazer um passeio pela história
da principal atividade econômica da Ilha de Santa Catarina
durante dois séculos. No inverno toda a família , auxiliada
pelos vizinhos, punha-se na lida da farinhada. Atividade que
atravessava as noites e era acompanhada de cantorias e fandangos
até o romper do dia.
A Farinhada
A Farinhada começa quando os bois são cangados no carro para ir
a roça de mandioca que esta plantada a mais de um ano. Trazendo
estas raízes para dentro do engenho , começa-se com a tirada do
capote, isso é, raspar a casca para que fique somente a raiz
nua. Na raspagem da mandioca é onde se da as cantorias e
brincadeiras se conta causos e esta lida vara dia e noite.
Após a raiz raspada é lavada e vai para o sevador, o qual é
encarregado de sevar (ralar ) a mandioca, tem que ser uma pessoa
experiente na arte de sevar. Com a massa da mandioca pronta,
isso é "sevada" vai para a prensa dentro dos tipitis e
fica prensando durante uma noite inteira até sair bem a água e
ficar só a farinha. Depois desta etapa o bolo do tipiti é
desfeito é peneirado, indo daí para o forno para torrar.
Terminado a torração vai a farinha pro Paiol para ser estocada
ate ser vendida. Durante este processo ainda retiramos polvilho
de mandioca através da decantação da água da mandioca, antes de
se torrar a farinha ainda se faz o beiju e o cuscuz. Com a
farinha torrada ainda se faz iguarias da culinária ilhoa como:
"Manoel pança, rosca de polvilho, rosca de massa, bolinho de
graxa, coxinha de velha e outras".
A forma mais
comum de consumo da farinha de mandioca é o pirão. Feito de água
quente (nalho ou escaldado ) ou água morna ( de jacuba ou de
pinto, pirão cru ) também o pirão pode ser feito com os caldos
de feijão, caldo de peixe, caldo do cozido e tudo que é caldos.
Os Engenhos
Os engenhos são classificados em:
Engenho de Cangalha - O boi tem o andame ao redor do
forno e do sevador em geral roda sob a roda grande ou
Bolandeira, é o típico engenho da ilha.
Engenho de Chamarrita - É aquele que o boi trabalha
tocando somente a roda do sevador , o forno é tocado
manualmente. ( é muito rudimentar, também chamado de Pouca
Pressa ou Caranguejo )
Engenho de Mastro - Em geral o boi tem o andame fora da
roda grande, esta roda é tocada por um mastro comprido, que liga
o Andame até a roda grande ou Bolandeira, muito pouco usado na
Ilha.
VOCABULÁRIO PRÓPRIO
Ao visitar um engenho tem-se contato com palavras pouco
conhecidas: sevador, prensa, fuso, antrolhos, tipiti, cangalha,
quarta, paiol, almanjarra, canga, rodete, hélice, etc. Além da
farinha de mandioca, também chamada de farinha de guerra.
Conheça algumas delas e os seus significados:
Almanjarra - Madeira curva que liga o Peão da Roda a
Cangalha;
Andame - Caminho por onde o boi passa no trabalho do
engenho em geral é forrado com capim melado;
Antrolhos - Vendas colocada nos olhos do boi para que ele
rode no Andame;
Canga - Suporte de madeira com dois rebaixos que
complementada com o Canzil para juntar os bois no carro;
Cangalha - Canga colocada no Almanjarra para que o boi
trabalhe no Andame;
Canzil - Cada um dos dois paus da canga, entre os quais o
boi mete o pescoço;
Fuso - Parafuso de madeira que ira fazer pressão na
Prensa;
Helice - É a pá do forno que tem duas pontas e um rodete
embutido
para mexer a farinha no forno de torração;
Paiol - Local destinado a estocar a farinha depois de
pronta, para o consumo e ou para a venda;
Peão da Roda - é o mastro que segura a Roda Bolandeira;
Prensa - Local onde se coloca os Tipitins para retirar a
água da massa da mandioca;
Roda Bolandeira - É a roda grande do engenho;
Rodete - É a engrenagem de madeira em forma de dente com
a finalidade de tocar o engenho
Sevador - É a pessoa encarregada de Sevar (ralar) a
mandioca;
Tipiti - Cesto feito de taquaras usado para colocar a
massa da mandioca na prensa
Quarta - É uma medida volume é ¼ do Alquer. Um saco de
farinha tem 2 alqueres.
¼ Alquer = 1 Quarta = 10 Litros = 05.50 Kg
½ Alquer = 2 Quarta = 20 Litros = 11,00 Kg
1 Alquer = 4 Quarta = 40 Litros = 22,00 Kg
2 Alquer = 8 Quarta = 80 Litros = 44,00 Kg
Em geral os engenhos de farinha são tocados por um único boi.
O engenho de Açúcar, também chamado de moenda trabalha em geral
com dois bois , usado para moer a cana de açúcar de onde é
tirado a garapa. E com o cozimento dela é que obtém primeiro o
melaço de cana , depois o açúcar (grosso ) . Também através da
destilação da garapa fermentada pode se fazer a aguardente e do
melaço fermentado a cachaça.
VISITE UM
MOINHO EM FUNCIONAMENTO
Entre os poucos engenhos que sobraram em Florianópolis,
recomenda-se a visita a
um típico
engenho de cangalha em atividade. Este engenho de farinha fica
junto ao casarão da família Andrade. Lá você também encontra uma
exposição permanente dos irmãos artistas plásticos; Neri Andrade
e Cláudio Andrade. O primeiro, considerado pela crítica um dos "naïfs"
do Sul do Brasil. O segundo, utiliza a cerâmica como matéria
prima para criar a escultura sacra.
Esta aberto a
visitação pública nos horários das 9:00 as 12:00 e das 14:00 as
19:00 horas.
Casarão e
Engenho dos Andrade
Caminho dos
Açores 1180
Santo Antônio
de Lisboa
Florianópolis - Santa Catarina
Fone: (
) 235-2572
Fonte:
Universidade Federal de
Santa Catarina
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