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Vinho É Massa
Raul Fagundes Neto
“Comida italiana pede vinho.
Vinho italiano pede comida”.
Esta máxima é verdadeira,
porque ao contrário dos vinhos do chamado “novo mundo” (Estados
Unidos, Austrália, Chile, Argentina etc.), que algumas vezes não
combinam tão bem com a comida por sua intensidade, concentração e
graduação alcoólica elevada, os vinhos do “velho mundo” (França,
Itália, Portugal, Espanha etc.) ganham e muito quando acompanhados
de um bom prato. É aquela típica união onde um ajuda o outro.
Com a comida italiana em
geral, e com as massas em particular, isso fica ainda mais claro.
Pode ser uma pasta com molho ao pomodoro, com ragu de carne, com
molho branco (leve e sem creme de leite, pelo amor de Deus!), com
molho à base de peixe ou frutos do mar. Tanto faz. Existem vinhos
brancos, roses e tintos que acompanham muito bem cada um destes
pratos.
Outro dia fiz em casa um
prato que lembra minha infância. Minha avó fazia para minha mãe e
meus tios, e minha mãe fazia para mim e meus irmãos. Nós chamamos a
massa de tortei de moranga, ou em italiano, tortelli di
zuca. Sua origem é a região do Vêneto, de onde vieram muitos
italianos que desembarcaram no Brasil no final do século 19. A
receita deste prato familiar é mais rústica do que a que encontramos
em alguns bons restaurantes italianos em São Paulo e no Rio de
Janeiro (e que pode ser originária de outra região da Itália), como
o Gero, por exemplo. Neles o molho é feito com licor de Amaretto e
sálvia, o que deixa a massa com um delicioso sabor adocicado e
marcante. Na receita da minha família o molho é feito com tomate e
moela de galinha. Também fica ótimo. O receio é com moranga (abóbora
japonesa), noz moscada e queijo parmesão (quem quiser a receita é só
pedir).
Bom, voltando ao vinho. Fiz
esta massa e escolhi para acompanhá-la um vinho tinto do Vêneto,
região que produz desde os simples Bardolino e Valpolicella aos
complexos Amarone. A massa deu muito trabalho, mas ficou maravilhosa
e ganhou ainda mais categoria com o vinho escolhido.
Citei este exemplo para
reforçar que, em geral, a comida de uma região combina bem o vinho
da mesma região. Pense nisso ao escolher o vinho para acompanhar seu
macarrão.
Aí vão algumas dicas de
vinhos que combinam muito bem com algumas massas campeãs na mesa
brasileira:
Tintos
Vitiano
IGT 2003, Falesco, Úmbria, Itália
(R$ 48,00, World Wine La Pastina): Ótima relação qualidade/preço.
Para molho vermelhos com Lingüiça Calabresa ou à Bolonhesa.
Barbera
D’Alba Sovrava 2003, Batasiolo, Piemonte, Itália
(R$ 69,00, Expand): Boa pedida para acompanhar pastas com ragu de
carne (boi, vitelo) ou um Spaghetti alla Carbonara.
Pizzato
Merlot 2003, Pizzato, Vale dos Vinhetos, Brasil
(R$ 25,00, Pizzato): Tinto nacional confiável feito com a uva Merlot,
que muitos apontam como a que melhor se adapta ao clima do Sul do
Brasil. Vai bem como molhos italianos clássicos à base de tomate.
Brancos
Alamos
Charnonnay 2005, Capeta Zapata, Argentina
(R$ 30,00, Mistral): Ótima relação qualidade/preço. Combina com
massas com molho denso, como um Penne com Mollho Branco e Salmão.
Fiano di
Avellino 2002, Colli di Lapio, Campânia, Itália
(R$ 90,00, Mistral): Belo vinho do Sul da Itália. Vai bem com massas
com peixe, como um Spaghetti alla Vôngole.
Bom apetite e bons goles!
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Raul Fagundes Neto é jornalista especializado em
comunicação empresarial, Nascido no interior de São Paulo, onde
aprendeu com sua família a comer muito bem. Já em São Paulo,
conheceu os prazeres da mesa cosmopolita da capital, entrando no
mundo dos vinhos a partir de 2001. Neste período participou de
centenas de degustações, visitou vinícolas em diversos países e
criou com amigos uma confraria para brindar a boa mesa com bons
vinhos. Hoje dedica suas horas de folga para estudar e conhecer
cada vez mais o mundo dos vinhos.
raulfagundes.vinho@uol.com.br
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