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Desidratação - saiba o que é e como evitar

 

 

 

Equilíbrio hídrico do organismo

Vários mecanismos atuam em conjunto para manter o equilíbrio hídrico do organismo. Um dos mais importantes é o mecanismo da sede. Os centros nervosos localizados profundamente no cérebro são estimulados quando o corpo necessita de mais água, acarretando a sensação de sede. A sensação torna-se mais forte à medida que a necessidade de água pelo corpo aumenta, levando o indivíduo a beber e a repor a água necessária.
Um outro mecanismo de controle da quantidade de água no organismo envolve a hipófise, localizada na base do cérebro. Quando o corpo possui pouca água, a hipófise secreta uma substância na corrente sanguínea denominada hormônio antidiurético. O hormônio antidiurético estimula os rins a reter o máximo possível de água.
Quando o corpo possui uma quantidade insuficiente de água, os rins a conservam, enquanto ela desloca-se automaticamente do grande reservatório intracelular para a corrente sangüínea para manter o volume sangüíneo e a pressão arterial até que a água possa ser reposta através do aumento da ingestão. Quando o corpo possui um excesso de água, a sede é inibida e a hipófise produz pouquíssimo hormônio antidiurético, permitindo que os rins excretem o excesso de água na urina.

 

 

A água é essencial para a vida humana. Ela constitui a base de todos os fluidos corporais, incluindo sangue, suco gástrico, entre outros, além de auxiliar no transporte, absorção de nutrientes e excreção.

Em média, dois terços do corpo humano é composto de água. Quanto mais jovem a pessoa, maior a quantidade de água que a constitui. Em média, as crianças têm 75% do seu peso formado por água, enquanto o adulto tem apenas 53%, (para os homens) e 46% (para as mulheres). Isso significa que, quanto maior a quantidade de gordura no corpo, menor a quantidade de água. Esse fato é importante porque, no caso das crianças, qualquer perda de água no corpo vai afetar profundamente o peso e o metabolismo.

Um indivíduo com 68 quilos possui aproximadamente 38 litros de água no corpo. Destes, entre 22 a 26 litros encontram-se no interior das células, 7.5 litros encontram-se no espaço intercelular e uma quantidade discretamente inferior a 4 litros (aproximadamente 8% da quantidade da água total) encontra-se na corrente sangüínea. O volume relativamente pequeno de água na corrente sangüínea é muito importante para o funcionamento do corpo e deve ser mantido constante. A água que se encontra fora da corrente sangüínea atua como um depósito para repor ou absorver o excesso de água do sangue de acordo com a necessidade. A água entra no corpo principalmente através da absorção do trato gastrointestinal. A água deixa o corpo principalmente sob a forma de urina excretada pelos rins.

A desidratação (ou hipohidratação) ocorre quando, por ingestão insuficiente ou perdas excessivas, a quantidade de líquido no organismo não é suficiente para manter as suas funções normais num nível adequado, ou seja, quando o organismo está com menos água do que precisa, o que pode acontecer por variadas circunstâncias, relacionadas ou não com doenças.
 

O vômito, a diarréia, o uso de diuréticos (medicamentos que fazem com que os rins excretem quantidades excessivas de água e sal), o calor excessivo, a febre e a redução da ingestão de água por qualquer razão podem acarretar a desidratação. Algumas doenças como, por exemplo, o diabetes mellitus, o diabetes insipidus e a doença de Addison podem acarretar a desidratação devido à perda excessiva de água.

 

Nas crianças, em geral, a desidratação é secundária a processos infecciosos intestinais, que se manifestam por febre, vômitos ou diarréia, sendo fundamental para evitar essa situação, a adequada produção, conservação, armazenamento, transporte e processamento dos alimentos ingeridos.

 

É preciso lembrar também dos cuidados no preparo de mamadeiras e principalmente da água ingerida e usada nos alimentos. Nas crianças maiores e adultos, a exposição ao calor e a exercícios mais intensos requerem adequada oferta de líquidos para reposição.

 

O que acontece quando o corpo se desidrata

 

Inicialmente, a desidratação estimula os centros da sede do cérebro, fazendo com que o indivíduo ingira mais líquido.

 

Quando a ingestão de água não consegue compensar a perda, a desidratação torna-se mais grave. A sudorese diminui e uma menor quantidade de urina é produzida. A água passa do grande reservatório intracelular para a corrente sangüínea. Quando a desidratação não melhora, os tecidos corpóreos começam a secar. As células começam a contrair e a funcionar inadequadamente. As células cerebrais encontram- se entre as mais propensas à desidratação, de modo que um dos principais sinais de desidratação grave é a confusão mental, que pode evoluir para o coma.

 

As causas mais comuns de desidratação (sudorese excessiva, vômito e diarréia) provocam uma perda de eletrólitos (especialmente o sódio e o potássio), além da água. Por essa razão, a desidratação freqüentemente é acompanhada por uma deficiência de eletrólitos. Quando existe uma deficiência de eletrólitos, a água não se desloca tão rapidamente do grande reservatório intracelular para a corrente sangüínea. Conseqüentemente, o volume de água circulante no sangue é ainda menor. A pressão arterial pode cair, causando tontura ou a sensação de perda iminente da consciência, sobretudo quando o indivíduo coloca-se em pé (hipotensão ortostática). Se a perda de água e de eletrólitos persistir, a pressão arterial pode cair a níveis perigosos e provocar choque com lesões graves de muitos órgãos internos (rins, fígado e cérebro).

 

Se não houver tratamento adequado, a desidratação pode levar a pessoa à morte, por colapso cardiovascular, mas, com ações preventivas e cuidados rápidos, os casos de desidratação podem ser resolvidos de maneira simples, como o uso do soro caseiro.

 

Sintomas da desidratação

 

Embora não sejam um  problema tão grave em adolescentes e adultos, a desidratação é sempre uma situação séria e pode ser muito perigosa em crianças pequenas e  pessoas idosas ou com diabetes, podendo ser fatais. Por isso, é preciso estar sempre atento aos seus sintomas, sobretudo nos grupos de  maior risco.

 

Boca e língua secas, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da urina são os seus sintomas mais comuns.

 

Indivíduos desidratados apresentam um volume de sangue menor que o normal, o que força o coração a aumentar o ritmo de seus batimentos, quadro chamado pelos médicos de taquicardia. Com menos água, a pele se torna áspera e as mucosas perdem o turgor, ficando com aspecto enrugado e pouco viçoso. Os olhos podem ficar fundos. Quando a falta de água prejudica o funcionamento dos músculos, pode ocorrer fraqueza e sensação de corpo pesado. Se a falta de água chegar ao cérebro, uma pessoa pode até entrar em coma ou morrer.

 

Casos graves de desidratação prejudicam o funcionamento dos rins, cuja função é excretar a urina. Quando isso ocorre, o volume urinário pode ficar perigosamente baixo ou simplesmente chegar a zero. Uma boa dica (mas que não é infalível) para avaliar a hidratação de uma pessoa é observar a cor da urina. Quanto mais concentrada a urina estiver, maiores as chances do organismo estar tentando reter água em seu interior em decorrência da desidratação. Assim, pessoas desidratadas tendem a urinar pequenas quantidades de urina muito concentrada, de tom amarelo escuro e odor forte. Já as pessoas bem hidratadas costumam urinar grandes volumes de urina diluída, quase transparente, e de odor discreto.

 

Em crianças pequenas, além da boca seca e língua secas,  pode-se incluir como sintomas comuns: pouca ou nenhuma lágrima ao chorar; fraldas não molhadas por três horas ou mais; olhos, bochechas e abdômen encovados ou fontanela (moleira) deprimida; irritabilidade ou apatia (falta de energia). Fique atento!

 

Tratamento

 

No caso da desidratação leve, como uma perda mínima de 1% a 2% do peso corporal total, ingerir muito liquido é o melhor remédio  - água, refresco, suco, caldos. Em caso de diarréia e vômito acrescentar a ingestão  de soro, Os Centros de Saúde fornecem pacotinhos de soro, que são os mais indicados. Eles contêm os Sais para Reidratação Oral (SRO). Na falta do SRO, pode-se optar pelo soro caseiro. Os que têm diabetes devem corrigir também a hiperglicemia.

 

Os médicos orientam que não há problema em se fazer a medicação com o soro caseiro, mas, mesmo assim, é necessário passar por uma consulta médica já que a desidratação é um processo secundário cujas causas precisam ser descobertas e que, em boa parte das vezes, apenas a ingestão do soro não será suficiente para tratar o problema.

 

A desidratação severa, usualmente definida como uma perda de 9% a 15% do peso total, é considerada emergência médica, normalmente tratada com hidratação intravenosa (a água, misturada a sais e outras substâncias, aplicada diretamente dentro dos vasos sanguíneos).

 

Durante a desidratação, a alimentação deve ser leve, evitando-se altos teores de gordura, principalmente em situações em que se observam vômitos. A oferta de líquidos deve ser feita sempre em pequenos volumes e com freqüência (pequenos goles a cada 10 a 15 minutos, por exemplo). Depois da adequada reposição hídrica, a alimentação é liberada, sendo que nos casos leves a moderados não deve ser interrompida.

 

Soro Caseiro

Nas desidratações moderadas, utiliza-se, freqüentemente, o chamado soro caseiro, uma solução em que se dissolve sal ( NaCl) e açúcar (glicose e frutose) em água.

 

O preparo do soro caseiro é simples: basta colocar, em um litro de água filtrada, 40 gramas de açúcar (duas colheres das de sopa cheia ou 12 tampinhas de refrigerante) e 3,5 gramas de sal de cozinha (uma tampinha de refrigerante). Misture bem.

 

Deve-se oferecer em média 50 mL de soro por quilo do paciente, que deve ser ingerida em duas horas e meia, e acrescentar 10 mL de soro por quilo, após cada evacuação líquida ou vômito. Ofereça à criança a cada meia hora. Se os sintomas não cederem procure orientação médica.

 

Como evitar a desidratação

Muito melhor que tratar a desidratação é evitá-la ingerindo bastante líquido a cada dia. Em condições normais de temperatura e umidade, o ser humano  necessita ingerir, em média, cerca de dois litros de água  por dia, o  equivalente a 8 copos de 250ml. Em regiões quentes do planeta, como no Brasil, a quantidade necessária é maior, especialmente no verão, quando as temperaturas estão mais elevadas  e a desidratação é mais comum, principalmente pelo aumento da perda de líquido pela exposição ao sol ou ambientes mais quentes, bem como pelo risco aumentado de problemas relacionados ao calor, em relação aos alimentos, que se estragam com maior facilidade, quando submetidos a essas condições.

 

Você também pode evitar a desidratação tomando os seguintes cuidados:

  • Lembre-se de beber água. Muitas pessoas simplesmente passam grandes períodos de tempo sem tomar sequer um gole de água. Isso deve ser evitado. O ideal é que se tome pelo menos um copo de água a cada hora.

  • Se for praticar atividade física, fique atento à necessidade de tomar ainda mais água. Em casos de pessoas que praticam atividades extenuantes, pode ser também necessário repor sais minerais perdidos junto com o suor. Isso é hoje fácil de ser feito através do consumo das chamadas bebidas isotônicas, muito populares entre atletas.

  • Em dias quentes, a exposição ao calor faz com percamos mais água que o normal, e por isso é importante também tomar uma dose extra de água. Vista roupas leves, de preferência de algodão, e evite as fabricadas com produtos sintéticos que impedem a transpiração normal.

  • Mantenha as crianças em ambientes bem ventilados e evite a exposição ao sol nos períodos de radiação mais intensa.

  • Conserve os alimentos perecíveis sempre no frigorífico e observe atentamente as datas de validade.

  • Lave sempre bem as mãos antes de preparar os alimentos.

  • Lave bem frutas e vegetais consumidos crus.

  • Consuma alimentos ricos em água. Isso mesmo. A comida é também uma fonte importante de água, já que muitos alimentos possuem água em sua composição. As comidas campeãs em conter água são as frutas e as verduras, consumidas in natura (cruas). Além de ajudarem na hidratação, esses alimentos costumam ser menos calóricos que os demais, colaborando para manutenção da boa forma.

  • Mulheres grávidas ou que estão amamentando precisam de maiores quantidades de água para manter-se hidratadas e para repor a perda de fluidos. A recomendação é que mulheres grávidas bebam 10 copos de água por dia, e mulheres que estão amamentando bebam 13 copos por dia.

  • Observe sua urina. Quando a urina adquire uma tonalidade muito escura, é sinal que o organismo está economizando água, provavelmente por que os estoques estão diminuindo. Beba água até que sua urina adquira uma tonalidade clara, e procure manter sempre essa cor, que é a ideal.

  • Se sentir sede, não hesite: beba um copo de água. A sede é o sinal mais importante de que o organismo está precisando de mais água. Não engane seu corpo: hidrate-se.

Fontes:

Dr. Drauzio Varella
Boa Saúde

Saúde Plena

Manual Merk
 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.