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Alimentos Orgânicos - Mercado em ascensão

por Fabiana Borrego

 

 

Estimativas afirmam que a área agrícola mundial dedicada a ambas as categorias de AO (produção orgânica certificada, inspecionada, verificada e atestada e a produção orgânica de fato) gira em torno de 3% da área total agrícola. A produção orgânica certificada pode representar, em termos de área, apenas uma parte do que é manejado de acordo com os princípios orgânicos, mas não é certificada como tal. A produção orgânica de fato aparece como prevalente em regiões pobres de recursos e/ou marginalmente agrícola, em que populações locais têm engajamento limitado com a economia monetária, orientadas tanto para o auto-consumo como para o comércio.

 

Sir Albert Howard

Jerome Irving Rodale

 

Agricultura Orgânica no Brasil

O levantamento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2001 (ORMOND et al., 2002) mostrou que a área orgânica brasileira certificada era de cerca de 270 mil ha, dos quais 117 mil eram utilizados principalmente para a pastagem de gado de corte e, em menor grau, para a pecuária leiteira. Os 153 mil ha restantes seriam destinados ao cultivo dos mais diversos produtos agrícolas, de “commodities” a produtos diferenciados, incluindo também produtos típicos da atividade extrativista.Os produtos orgânicos processados seriam obtidos de 127 unidades certificadas.

O Brasil, nesse segmento, parece manter sua tendência à produção primária, uma vez que a relação entre produtores e processadores é de 1,8 para cada 100, enquanto na França é de 7%; na Suécia, 13%; na Grã Bretanha, 21%; e na Holanda, 36%.

Produção Certificada

O ritmo de crescimento da produção orgânica certificada no Brasil vem sendo limitado por problemas de oferta e de organização do mercado, insuficiências nas políticas de estímulo à conversão e à produção. Desde as primeiras experiências de cunho prático com AO no Brasil (década de 1970 até 1995), quando os produtos orgânicos começaram a ser vendidos nos supermercados de São Paulo (em 1996, no Rio de Janeiro), o seu desenvolvimento ocorreu de forma muito lenta.
Segundo levantamento realizado pelo BNDES (ORMOND et al., 2002), em 2002 o Brasil contava com 174 unidades processadoras de produtos orgânicos (0,57% do total de unidades envolvidas exclusivamente com AO), significando aumento de 37% em um ano.
Dados mais recentes apresentados pelo MAPA na Feira BIOFACH (BRASIL, 2005), em Nuremberg, na Alemanha, mostram a incorporação de grandes áreas de agro-extrativismo sustentável e a tendência do crescimento da área por unidade certificada como orgânica.
Os projetos na Região Sudeste exploram horticultura, ervas e temperos, café, cana-de-açúcar, frutas, pecuária, cosméticos, derivados de soja e bebidas. Na Região Sul, horticultura, grãos, ervas e temperos, café, frutas, pães, doces e compotas, erva mate, pecuária, óleos essenciais. Na Região Nordeste, os projetos têm um perfil ligado às frutas, grãos, café, cacau, guaraná e pecuária, pouca horticultura. Na região Centro Oeste, pecuária, grãos e horticultura. Na Região Norte, borracha, guaraná, ervas e temperos, grãos, frutas, óleo de palma e de babaçu. A diversidade de produtos orgânicos para comercialização no mercado interno e externo é uma realidade.

 

Série Agronegócios

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Secretaria de Política Agrícola
Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura
 

 

Meio Ambiente
A Agricultura Orgânica representa uma alternativa a muitos dos resultados negativos da prática convencional de cultivo em relação ao meio ambiente.
Problemas decorrentes das práticas incorretas, como o efeito estufa, as enchentes, secas, temporais, degelo da massa polar, assoreamento dos solos e contaminação dos mananciais hídricos por produtos químicos (dentre os quais se destacam os agrotóxicos, pesticidas, inseticidas, fungicidas... utilizados na produção agrícola convencional) e resultam na contaminação de lavradores e consumidores, são efeitos, não apenas de reflexos ecológicos, mas também econômicos, políticos e, em decorrência, sociais.

 

 

 

Os consumidores que se preocupam com os possíveis efeitos dos pesticidas nos alimentos, muitas vezes consideram a aquisição de produtos orgânicos, mas ainda têm dúvidas quanto á sua qualidade. Como ter certeza de que é melhor para a saúde ou mesmo se é realmente orgânico?

Como surgiu?


Pesquisas realizadas pelo inglês Sir Albert Howard foram o principal ponto de partida para uma das mais difundidas vertentes alternativas, a agricultura orgânica. Entre os anos de 1925 e 1930, Horward dirigiu, em Indore na Índia, um instituto de pesquisas de plantas, onde realizou vários estudos sobre compostagem (processo de transformação de materiais grosseiros, como palhada e estrume, em materiais orgânicos utilizáveis na agricultura) e adubação orgânica.


Mais tarde, publicou obras relevantes como "Manufacture of Húmus by Indore Process" (Manufatura do húmus pelo processo Indore), em 1935, e, em 1940, "An Agriculture Testament" (Um testamento agrícola) uma das mais relevantes referências bibliográficas para pesquisadores e praticantes do modelo orgânico. Robert Rodale, filho de Jerome Irving Rodale (1898-1971), o fundador do movimento orgânico nos Estados Unidos, considera Howard o "pai da agricultura orgânica".


Em 1905, Horward começou a trabalhar na estação experimental de Pusa, na Índia, e observou que os camponeses hindus não utilizavam fertilizantes químicos, mas empregavam diferentes métodos para reciclar os materiais orgânicos. Intrigado, Howard decidiu montar um experimento de trinta hectares, sob orientação dos camponeses nativos e, em 1919, declarou que já sabia como cultivar as lavouras sem utilizar insumos químicos. Então, na década de 80, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), reconheceu sua importância formulando a seguinte definição para alimentos orgânicos:


“A agricultura orgânica é um sistema de produção que evita ou exclui amplamente o uso de fertilizantes, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos para a alimentação animal compostos sinteticamente. Tanto quanto possível, os sistemas de agricultura orgânica baseiam-se na rotação de culturas, estercos animais, leguminosos, adubação verde, lixo orgânico vindo de fora da fazenda, cultivo mecânico, minerais naturais e aspectos de controle biológico de pragas para manter a estrutura e produtividade do solo, fornecer nutrientes para as plantas e controlar insetos, ervas daninhas e outras pregas".

No Brasil


O movimento alternativo começou a se manifestar no Brasil durante a década de 1970, quando se disseminava no país um processo de “modernização da agricultura”. No discurso governamental, pretendia-se aumentar a produção e a produtividade da agricultura no país através da substituição das práticas agrícolas tradicionais por um conjunto de práticas tecnológicas, que incluíam a utilização de sementes geneticamente melhoradas, fertilizantes químicos, agrotóxicos com maior poder biocida e irrigação.


Ao mesmo tempo em que alguns pesquisadores passavam a questionar no meio acadêmico os impactos ambientais produzidos pela intensificação do uso da tecnologia na agricultura, experiências agrícolas de produção de alimentos sem agrotóxicos eram bem sucedidas no interior de São Paulo, incrementando o interesse por um sistema de produção sustentável, com manejo e proteção dos recursos naturais.

 

“Nos anos de 1972 e 1973, duas experiências de cunho prático surgem quase que simultaneamente e marcam o lançamento da semente da agricultura orgânica no país. Uma delas foi a fundação da Estância Demétria – em Botucatu no interior de São Paulo – que segue os princípios da agricultura biodinâmica, e a outra foi a instalação de uma granja orgânica pelo engenheiro agrônomo, formado no Japão, Dr. Yoshio Tsuzuki, no município de Cotia–SP.” (DAROLT, 2000, p. 78)


Na década de oitenta, já eram visíveis as conseqüências da transformação da agricultura e, com o crescimento da crítica à agricultura convencional, aumentou-se o interesse pelas práticas agrícolas consideradas alternativas. A partir desta época, a produção e o consumo de alimentos orgânicos vêm apresentando um crescimento considerável no País.


Apesar do interesse pela alimentação orgânica estar ainda restrito a uma pequena parcela da população, lentamente, a crítica ao uso dos agrotóxicos vem ganhando espaço entre produtores agrícolas e consumidores brasileiros.

Saúde e qualidade dos alimentos orgânicos


Todo alimento orgânico é muito mais do que um produto sem agrotóxico, é o resultado de uma agricultura que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais, tais como água, plantas, animais e insetos, mantendo sempre a harmonia desses elementos com os seres humanos e o mundo em que vivemos. Os benefícios dos orgânicos vão além dos nutricionais, embora exista muita discussão sobre o aumento ou não de nutrientes nestes alimentos, mas o que é fato é que preservam nossa saúde a médio e em longo prazo, pois são isentos de hormônios, agrotóxicos, mutações genéticas, inseticidas, metais pesados, entre outras substâncias.


Sob o enfoque da qualidade dos alimentos orgânicos, podemos abordar, também, a saúde dos produtores e dos consumidores.


O que é indiscutível é que os alimentos orgânicos têm mais cor e sabor, deixando uma refeição muito mais gostosa. Muitos chefs partidários a sustentabilidade só cozinham utilizando esses alimentos e usam isso como um diferencial delicioso para seus restaurantes e bistrôs.

Valor Nutricional


As pesquisas na área de valor nutricional, comparando alimentos orgânicos e convencionais são ainda escassas e controversas. Algumas pesquisas indicam que alguns alimentos orgânicos contêm mais vitaminas, minerais e fitoquímicos (alimentos que produzem benefícios específicos à saúde, além dos nutrientes tradicionais que eles contém, como as isoflavonas, polifenóis e flavonóides), se comparados com os convencionais. Por outro lado, o relatório final da Agência Francesa de Segurança Sanitária de Alimentos (AFSSA), de 2003, que comparou através de diversos estudos os alimentos orgânicos e convencionais não apontou diferenças marcantes nos teores de nutrientes, com exceção dos polifenóis (poderoso antioxidante).

Cerificação e Compra


Hoje, existem várias instituições que dão certificados de garantia a produtos orgânicos: algumas das mais importantes são o IBD, a EcoCert e a AAOCert, que só concedem o selo qualidade a quem estiver em dia com uma agenda social (que inclui o combate ao trabalho infantil e cuidados com a saúde e moradia dos agricultores) e ecológica.


O mercado de alimentos orgânicos vem conquistando cada vez mais o consumidor exigente, só no ano de 2006, movimentou cerca US$ 40 milhões, o equivalente a apenas 2% dos alimentos totais. Este número deve aumentar, estima-se que em 2012 este mercado irá movimentar cerca de US$ 70 bilhões, a previsão foi feita pelo International Federation of Organic Movementes, durante o lançamento da maior feira da América –Latina de orgânicos a BioFach (alimentos, cosméticos entre outros produtos), o evento acontecerá entre os dias 23 e 25 de outubro em São Paulo. Hoje já é possível comprar alimentos orgânicos pela internet, eles são entregues em domicílio em cestas repletas de legumes, verduras e frutas, maravilhosamente fresquinhos e direto do produtor. Outra ótima opção é a feira que acontece no Parque da Água Branca toda terça e sábado organizada pela AAO (Associação de Agricultura Orgânica), com muitos produtos deste seguimento, divulgando assim pequenos produtos e incentivando a produção, tornando os orgânicos cada vez mais acessíveis a toda população.

 

 


 

“Saudáveis, gostosos e melhor para o meio ambiente”.

 


 

 

Bibliografias Consultadas -Nutrição –Conceitos e Controvérsias (Sizer e Whitney)
Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia (Chemin e Mura)
Revista Cadernos de Debate, uma publicação do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da UNICAMP
www.planetaorganico.com.br
 

 


 

Para saber mais sobre:

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.