São Paulo, 25/09/2010
- Para muitas mães, a hora das refeições é
a verdadeira hora do pesadelo! Não importa o tempo dedicado para tentar
tornar a comida mais apetitosa e bonita (seja desenhando carinhas com arroz
e feijão ou disfarçando as verduras no meio de hamburgueres). A resposta de
algumas crianças é sempre um sonoro ‘não’ seguido de uma cara emburrada e
chorosa. E é aí que começa o teste de paciência. Sem forças para lutar após
desgastadas – e frustradas – tentativas, os pais amolecem e acabam cedendo
ao encantos dos pequenos e não insistem mais com a comida.
Essa prática é muito
perigosa, tanto para os pais quanto, principalmente, para as crianças. A
desnutrição é sinônimo de falha de crescimento, pode causar anemia e tem
efeitos negativos na saúde geral da criança. E mesmo em crianças bem
nutridas e saudáveis, não fazer um desjejum tem efeito negativo sobre o seu
desempenho cognitivo.
Esse problema, geralmente,
tem início a partir dos 2 anos de idade, que é quando a criança já
desenvolve uma certa autonomia ao passar da alimentação infantil (papinhas e
mamadeira) para um formato mais adulto, com a inclusão de alimentos sólidos.
Essa mudança faz com que os pais estranhem a criança, que antes ‘comia de
tudo’, e depois passa a rejeitar qualquer tipo de alimento.
Chamadas
de picky eaters (ou
‘comedores seletivos’), essas crianças têm um comportamento alimentar que
pode variar, desde excluir determinados grupos de alimentos (sendo os mais
comuns as verduras, legumes e peixes), pular refeições ou, ainda, comer
muito pouco. O problema é mais comum do que se imagina: estima-se que cerca
de 50% das crianças entre 2 e 5 anos possam ser consideradas
picky eaters. Apesar de
passageiro, o problema causa diversos transtornos que afetam tanto a criança
(progresso cognitivo, desenvolvimento e crescimento) quanto os pais (brigas
entre o casal, stress).
Diante deste cenário, surge a
principal pergunta: Como lidar com uma criança que possui dificuldades em se
alimentar? Antes de se tomar qualquer atitude, o ideal é procurar o auxílio
de um profissional. O pediatra ou o nutricionista têm propriedades e
conhecimentos necessários para saber lidar com essa situação, identificando
a causa e indicando o melhor caminho a ser seguido.
O tratamento de readequação
alimentar deverá incluir orientações nutricionais, comportamentais e
psicológicas; mas não só para as crianças como também para os pais e irmãos.
Isso porque os hábitos alimentares dos pais exercem papel fundamental na
criação dos filhos e, mais, uma criança poderá influenciar a outra (no caso,
seu irmão), disseminando o transtorno. Por isso, o tratamento
multidisciplinar e extensivo é de extrema importância.
Paralelamente,
não se pode lançar mão de algumas estratégias para despertar o
interesse dos pequenos pela comida balanceada. Apostar em
preparações mais atrativas para a criança pode ser uma boa dica.
Apresentar pratos coloridos, fazer carinhas com a comida e
oferecer o alimento rejeitado pelo menos dez vezes, em refeições
e com apresentações diferentes (modo de preparo: cozido, frito,
assado, purê).
Em muitos casos, pode ser necessário o uso de suplementos nutricionais como
uma alternativa para evitar que a criança fique em risco nutricional
enquanto passa pelo processo de adaptação a uma dieta mais saudável. O
profissional escolhido poderá orientar na escolha do produto mais indicado.
O ideal é brincar com o
alimento, mas não brincar com a alimentação. Isto é, não distrair, não
enganar, não forçar, não castigar ou premiar. O famoso aviãozinho, por
exemplo, está fora de cogitação, pois é uma maneira de enganar e distrair a
criança quando na verdade, ela precisa se concentrar na atividade da
refeição, sentir o sabor dos alimentos e entender a sensação de fome e de
saciedade. Com uma distração – por exemplo, uma TV ligada - a criança, e
qualquer pessoa, come automaticamente. Às vezes, pode comer mais do que o
suficiente para saciar sua fome. É muito importante que os pais imponham
limites aos filhos – horários para as refeições, locais apropriados, ritmo
de alimentação sem exageros na duração.