Viajar e comer - prazeres indissolúveis

 

 

Os primeiros hotéis da cidade de São Paulo
Século 19: Império e República

 

Eudes Campos

 


Reminiscências dos tempos coloniais

No princípio do século 19, quem chegasse a São Paulo e quisesse passar alguns dias na cidade, desfrutando certo conforto e tranqüilidade, tinha de trazer na bagagem cartas de recomendação dirigidas a moradores dispostos a acolher viajantes em sua residência. Aqui não existiam hotéis, só pousos e estalagens para tropeiros. Entre as albergarias se encontrava a de certo português chamado Antônio ou Antônio Manuel (?-1857), situada na entrada da cidade, no largo posicionado entre a saída da estrada de Pinheiros e Sorocaba (atual Rua da Consolação) e a da de Santo Amaro (hoje rua desse nome). O estado de imundície do lugar era tão revoltante, que o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) lamentou o fato de ter sido obrigado a passar nele duas noites seguidas, em 1819. Precavido, Saint-Hilaire munira-se de carta de apresentação para ficar hospedado em casa particular, mas o cidadão a quem a carta era dirigida se ausentara por alguns dias, forçando o viajante a se recolher às horríveis instalações da estalagem do Bexiga, apelido pelo qual era conhecido o proprietário do estabelecimento.

Os raros europeus que passavam por São Paulo naquela época sempre traziam cartas de recomendação. Assim acontecera, por exemplo, com o mineralogista inglês John Mawe (1764-1829), que, antes do francês, em 1808, também teve a má sorte de não encontrar a pessoa a quem a carta estava endereçada. Foi portanto igualmente constrangido a pernoitar na estalagem onde deixara suas bestas de carga. Pela descrição que fez, Mawe passou a noite num pouso situado nas proximidades da Capital: ao lado de um grande pasto, via-se um amplo telheiro sustentado por esteios de madeira, sob o qual eram descarregados e reunidos os fardos trazidos pelos animais e onde os viajantes descansavam como podiam (fig.1). Destinado a atender as necessidades mais elementares de homens de vida rude como os tropeiros, esse tipo de abrigo precário, segundo o viajante inglês, se achava então espalhado por todo o Brasil.

O País daquele tempo ainda não cortara os laços com o império português, e até então não desenvolvera uma vida urbana que, do ponto de vista social, econômico e cultural, fosse capaz de atrair o interesse da maioria dos estrangeiros. Aliás, a Metrópole, sempre ciosa das riquezas minerais existentes na colônia, durante muito tempo procurou mesmo evitar a presença de forasteiros dentro do território brasileiro. Não é à toa que os poucos viajantes estrangeiros que conseguiram visitá-lo no inicio dos Oitocentos sempre se tornavam objeto de intensa curiosidade, à qual não deixava de se mesclar uma grande dose de desconfiança proveniente da população em geral.

Até por volta da década de 1830, os estabelecimentos de hospedagem na cidade de São Paulo se reduziam aos pousos dispostos ao longo das estradas e às albergarias de tropeiros situadas nas cercanias da área urbana. As albergarias eram em geral compostas de duas fileiras de cubículos contíguos, desprovidos de janela e com as portas dando para um vasto terreiro. Segundo o paulistano Francisco de Assis Vieira Bueno (1816-1908), não havia outras formas de hospedagem na cidade porque os viajantes procedentes do interior eram poucos, e os do exterior em menor número ainda. Em razão disso, os de fora que desejassem ficar mais bem acomodados tinham de se contentar com a hospitalidade oferecida por particulares.

Para bem acolher os forasteiros, as casas urbanas e rurais do mundo colonial brasileiro, quando pertencentes a pessoas de recursos, estavam quase sempre, desde o final do século XVIII, providas de baterias de alcovas, cujas portas se abriam para a sala de visitas. Essas peças desprovidas de janelas eram especialmente destinadas a hóspedes. Em geral apresentavam pequenas dimensões, comportando poucos móveis, entre eles o indispensável leito, mas quando o proprietário era bastante rico, e gostava de ostentar, poderiam ser exuberantemente decoradas e providas de portas envidraçadas, sendo então denominadas câmaras nobres. O visitante ficava assim restrito à parte social da casa, sem nunca entrar em contato direto com a família do hospedeiro. Na maioria das vezes, o hóspede nem chegava a pôr os olhos na dona da casa, já que nas regiões brasileiras mais conservadoras os membros da família do sexo feminino pouco contato mantinham com o mundo exterior.

Poucos anos depois, em 1839, outro visitante, o reverendo metodista norte-americano Daniel P. Kidder (1815-1891), contou num de seus relatos que em São Paulo se dirigiu ao único estabelecimento em que era possível conseguir hospedagem e aí se instalou “com conforto”. A hospedaria então existente se achava sob a direção de um francês chamado Charles, casado com uma portuguesa. Esse Charles, no entanto, não admitia em seu estabelecimento quem estivesse desprovido de carta de recomendação. Por causa disso, os companheiros do sacerdote tiveram de passar a noite numa casa em ruínas, onde chovia tanto como na rua. Ainda em 1847 o advogado americano Samuel Green Arnold (1821-1880) escrevia que na capital paulista só havia uma única pousada. Hotéis propriamente ainda não haviam sido criados. Consta que durante esse tempo, em São Paulo como em outras cidades brasileiras, as casas comerciais faziam muitas vezes o papel de hotéis, dando hospedagem a seus fregueses do interior. Sabe-se também que algumas vendas ou tascas, em geral bem ordinárias, ofereciam modestas acomodações para viajantes pouco exigentes ou desprovidos de recursos. Hábito que muito mais tarde faria com que essas vendas fossem classificadas como cortiços, conforme somos induzido a pensar a partir do relatório elaborado em 1893 pela comissão responsável pelo exame e inspeção das habitações de padrão subnormal localizadas no bairro de Santa Ifigênia.

Ainda nos primeiros anos de 1860, conta-nos Maria Pais de Barros (1851-1852) em suas memórias, quando sua grande família seguia em comitiva para o interior na ronda anual pelas fazendas do pai, o rico comendador Luís Antônio de Sousa Barros (1809-1887), parava às margens do Rio Jundiaí e pousava na estalagem da Ponte, cujo afável proprietário tinha o nome de Pinto e o apelido de Barão da Ponte. Pela descrição que Maria faz da hospedaria, pouco se diferenciava da velha hospedaria do Bexiga em São Paulo. “Uma fila de pequenos aposentos que davam para o terreiro, compostos de uma saleta nua e uma alcova escura com duas camas”.


Os primeiros hotéis à européia

Foi somente na década de 1850, parece, que começaram a surgir os primeiros hotéis paulistanos que dispensavam os hóspedes da apresentação de cartas de recomendação. O historiador Ernani Silva Bruno (1913-1986) em seu História e tradições da cidade de São Paulo (1954), um dos historiadores pioneiros sem dúvida nesse tipo de estudo, conseguiu resgatar alguns nomes de estabelecimentos do gênero a partir do almanaque paulistano publicado em 1857: o Hotel Paulistano, de Adolfo Dusser, na Rua de São Bento, esquina da Ladeira do Acu; o Hotel do Comércio, de Hilário Magro, na Rua da Fundição (hoje Floriano Peixoto), esquina do Pátio do Colégio, pegado ao Teatro da Ópera; o Hotel da Providência, de Madame Lagarde, com bilhares, jogo então muito em moda, na Rua do Comércio, que já não estaria consignado no almanaque do ano seguinte; e o melhor deles todos, o Hotel Universal, de propriedade do francês Lefèbre, também no Pátio do Colégio, onde se faziam lautas ceias para pessoas abonadas, segundo o memorialista da Academia de Direito do Largo de São Francisco Spencer Vampré (1888-1964). Quase contemporâneo desses estabelecimentos era o Hotel das Quatro Nações, que alguns anos depois, sob a direção de José Marigliano, passaria a se chamar Hotel da Itália e ainda mais tarde Hotel de França. Em 1857 fundou-se também o chamado Recreio Paulistano na Rua da Imperatriz (Quinze de Novembro), que no ano seguinte estava funcionando na Rua Direita.

Nessa relação de endereços de hotéis existentes nos últimos anos de 1850, não podemos deixar de incluir o pequeno Hotel Palm (fig.2), que se vê numa foto bastante conhecida de autoria de Militão Augusto de Azevedo (1837-1905). Tratava-se de um sobradinho situado no Largo do Capim (hoje do Ouvidor), espaço público que era continuação do Largo de São Francisco. Conforme descobrimos na época em que elaborávamos nossa tese de doutorado (1997), a edificação havia sido erguida em 1851 por seu proprietário Carlos Abraão Bresser (1804-1856), um agrimensor ou engenheiro prático alemão, diplomado e considerado engenheiro civil no Brasil. A construção nos chamou a atenção porque há indícios de que poderia constituir um dos primeiros exemplares edilícios na cidade em que se empregaram tijolos, ao menos na execução de suas paredes externas. Bresser com esse prédio parece ter querido demonstrar que era possível, e desejável, introduzir na arquitetura da cidade uma nova técnica construtiva, tida como mais aperfeiçoada e resistente, sobretudo à vista do desastre causado pela enchente de 1850, e assim procedendo contribuiu de forma significativa para a modernização da cultura arquitetônica local.

Que Bresser conhecia muito bem a técnica tijoleira em seu país de origem isto é fato comprovado, pois fora contratado na Europa em 1838 para liderar uma equipe de operários que, no Brasil, entre outros trabalhos, fabricariam tijolos e os empregariam na construção da estrada que teriam de abrir entre Santos e São Paulo (futura Estrada da Maioridade). Seu desempenho na abertura da estrada foi considerado insuficiente e por isso acabou afastado da obra pelo governo da Província, mas permaneceu como engenheiro provincial, executando a contento muitas outras tarefas, nas quais soube até recorrer à costumeira taipa de pilão, sempre que necessário.

Ergueu seu predinho no largo do Capim para nele instalar, no térreo, uma quitanda, em que vendia produtos cultivados na horta de sua chácara estabelecida no Brás, enquanto residia na parte superior do imóvel. Em 1856, decidiu abrir um restaurante para os alunos da Academia de Direito com cardápios ao gosto francês, inglês, alemão e brasileiro, mas faleceu pouco depois, repentinamente. O prédio, conhecido pelo nome de Casa de Sotea, abrigou a seguir, ainda em 1856, o Hotel do Lion d’Or, que pouco durou, depois no ano seguinte aí funcionou o Hôtel des Voyageurs (fig.3), de propriedade do francês Pedro Imbert, e do terraço de cobertura – que é justamente o significado da palavra sotea, hoje em dessuetude (desuso) –, construído certamente com abóbadas de tijolos, os hóspedes, conforme anúncios publicados na imprensa, podiam gozar da bela paisagem densamente arborizada que se estendia até os altos do Caaguaçú (região da atual Avenida Paulista). Em 1860, o hotel passou para as mãos do alemão Carlos Palm, que se desfez do terraço original, sem dúvida devido à presença de alguma infiltração, mandando cobri-lo com um telhado comum. Essa atitude teve como resultado ocultar da posteridade a importância arquitetônica da pequena construção, característica que só conseguimos recuperar após certo esforço de pesquisa.

Os historiadores da vida paulistana oitocentista fazem questão de ressaltar que apenas os forasteiros podiam freqüentar esses primeiros hotéis da cidade, sem correr muito risco de desmoralização, a não ser talvez em discretas refeições noturnas. O hotel em que o francês Frédéric Houssay se hospedou em 1862, por exemplo, estava povoado de negociantes estrangeiros. O fato é que a vida coletiva transcorrida nesses estabelecimentos, conforme observou Afonso de Freitas (1868-1930), feria a suscetibilidade da população paulistana por transmitir uma sensação de promiscuidade intolerável. Nesse tempo, mulheres que freqüentassem hotéis estavam fadadas a perder infalivelmente a respeitabilidade...

A partir do funcionamento da estrada de ferro de Santos a Jundiaí (1867), as coisas começam, afinal, a mudar de figura na capital paulista. O principal produto da economia agroexportadora desenvolvida na Província de São Paulo terá a partir de então condições de se expandir com rapidez pela região oeste e a Capital irá, com o tempo, com o enriquecimento da Província, absorver pouco a pouco a complexidade do modo de vida urbano capitalista. Os forasteiros, comerciantes e empreendedores, tornar-se-ão predominantes na cidade, tanto divulgando modas estrangeiras, quanto inoculando novos comportamentos sociais e hábitos mentais na população local. Como resultado de tudo isso, aparecerão hotéis maiores e mais bem montados, como o Hotel da Europa e o do Globo, além de várias pensões, de acordo com Spencer Vampré.

Em 1865, passava por São Paulo, em decorrência do início das hostilidades da Guerra do Paraguai, o futuro Visconde de Taunay (1843-1899). Jovem e rico, o engenheiro militar Taunay hospedou-se no Hotel da Europa, localizado na antiga Rua do Rosário, então dirigido por Planel (Pedro Luis Pereira de Sousa, certa ocasião, pediu ao filho do visconde, o historiador Afonso d’Escragnolle Taunay, 1876-1958, para confirmar se seu pai esteve hospedado no Hotel de França, como afirmara Silva Bruno em seu livro História e tradições..., Taunay chegou à conclusão que seu pai cometera um lapso ao redigir suas memórias, pois o hotel onde se hospedara em 1865 era realmente o Hotel da Europa). Achou ótimas as refeições, o serviço excelente e a limpeza perfeita. Era na época um centro freqüentado por tudo quanto São Paulo tinha de melhor no que se refere ao elemento masculino da sociedade local. Ao mesmo Hotel da Europa, fez menção, ainda no ano de 1865, o capitão norte-americano John Codman (1814-1900), dizendo que o estabelecimento não era inferior a qualquer outro que conhecera no Brasil, sendo mesmo superior aos da capital do Império. A mesa era boa e farta e o vinho estava sempre presente, como era hábito nos hotéis franceses.

O Hotel de França, por sua vez, localizava-se na esquina da Rua Direita com São Bento, no chamado Quatro Cantos. Ocupava o antigo e vasto solar do Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão (c.1778-1827), edifício de taipa de pilão provavelmente erguido nos recuados anos de 1820. Era uma característica de todos os hotéis paulistanos da segunda metade do século 19 estarem alojados em sobrados previamente existentes, sem dúvida pouco, e mal, adaptados, o que já configurava um tipo específico de capacidade de investimento e de mentalidade empresarial. Atitude que se manteria durante muito tempo em São Paulo, só sendo desafiada pela construção do Grande Hotel.


Nova fase da hotelaria paulistana iniciada com o Grande Hotel

Este estabelecimento inauguraria uma etapa totalmente nova no ramo da hotelaria paulistana, em razão de ter sido sua sede projetada especialmente para o uso a que se destinava, segundo os padrões internacionais de então, por um engenheiro e por um arquiteto estrangeiros. As atividades do estabelecimento se iniciaram em 1.º de julho de 1878. Com aspecto suntuoso, e excelente serviço, atraiu grande número de hóspedes do Hotel da Paz (fig.4), instalado na Rua São Bento, e de deputados provinciais, que, quando provenientes do interior, permaneciam na Capital durante toda a temporada das sessões legislativas. Segundo descrição de Junius, pseudônimo do carioca Firmo de Albuquerque Dinis (1828-?), o Grande Hotel impressionava por sua decoração interna. Tinha um salão enorme, iluminado por inúmeros bicos de gás e candelabros, e decorado por jarras de flores e espelhos, responsáveis pela sedutora duplicação de espaços, luzes e objetos. Era um hotel que não tinha rival nem na Corte nem em outras cidades do País. “Senti uns ares dos bons hotéis da Europa: recordei-me do confortável e do bom gosto que neles se encontram”, garantiu Junius. Até o jovem irmão do imperador da Alemanha, o príncipe Henrique da Prússia (1862-1929) esteve hospedado nesse estabelecimento, tal como a famosa atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923), entre nós em 1886. E a própria Princesa Isabel (1846-1921), curiosa, não resistiu à tentação de visitá-lo em 1884. Por sua vez, o jornalista alemão radicado no Rio Grande do Sul Karl von Koseritz (1830-1890), quando nele esteve hospedado em 1883, qualificou o vestíbulo do Grande Hotel de soberbo, enquanto o general Christopher C. Andrews (1829-1922), na mesma época, observou que como edificação era o maior e o melhor de todo o Pais, com aposentos e móveis de primeira ordem. Como aspectos negativos, apontou, porém, a mesa, que não lhe pareceu grande coisa, e o fato de a porta principal se fechar provincianamente às dez horas da noite (embora uma postura municipal, referente ao art. 156 da recodificação de 1886, permitisse o funcionamento dos hotéis em todos os dias até a meia-noite).

Já em 1877, esse dublê de litógrafo e empresário que era Jules Martin (1832-1905) e o engenheiro santista Fernando de Albuquerque haviam lançado um mapa turístico da Capital para uso dos forasteiros que vinham tratar sobretudo de negócios, em geral, fazendeiros interessados em defender os preços de suas sacas de café e em fazer lobby sobre os políticos e os poderes públicos. Dobrável e acondicionado em carteira de papelão, em formato de bolso, estava fartamente ilustrado, com as fachadas dos mais notáveis edifícios da cidade: igrejas, conventos, edifícios públicos, sedes de jornais, fábricas e oficinas a vapor, estações de trem e de bonde, acompanhadas do traçado das respectivas linhas. Havia escolas, colégios, lojas maçônicas, escritórios das principais companhias férreas, dois palacetes particulares e quatro hotéis, então considerados os melhores: o da Paz, na Rua São Bento, o de França, no Quatro Cantos, o da Europa, na Rua da Imperatriz, e o Albion, na Rua Alegre. Esse mapa seria logo a seguir reimpresso para conter uma importantíssima atualização: a inclusão do Grande Hotel, inaugurado em meados do ano seguinte.

Além do Grande Hotel, o historiador Silva Bruno elencou em seu estudo os seguintes estabelecimentos de hospedagem existentes em 1885: o Hotel Brasil e Itália (na Rua da Boa Vista; mas em 1887 na esquina da Rua São Bento com Ladeira de São João), o Hotel Fasoli (na Senador Feijó), o Hotel Boa Vista (na rua de mesmo nome), o Hotel Provenceau (que cedeu seu posto na São Bento com Ladeira São João para o citado Hotel Brasil e Itália), e o Hotel do Oeste (no Largo São Bento).

Este último começara em 1878 numa casinha térrea de tradicional aspecto luso-brasileiro, com um combustor de gás na esquina, como bem reparou o citado historiador Silva Bruno (fig.5). Depois foi aumentado, chegando a ocupar três casas pegadas, das quais dois sobrados das extremidades adquiriram em algum momento a forma de chalé (fig.6) – entre 1885, talvez, e 1892. Em seguida, foi outra vez ampliado, ganhando mais um andar, o que lhe conferiu a aparência de um grande bloco formado de três corpos e com três pisos (fig.7). As platibandas eram retas e estavam decoradas com compoteiras de cimento, no típico estilo arquitetônico praticado pelos mestres de obras portugueses; essa aparência perdurou até pegar fogo em 1900, quando então foi reconstruído com apenas dois pavimentos, mas de acordo com uma linguagem mais moderna, da qual resquícios sobrevivem até hoje no local (fig.8). Não deixa de ser curioso notar que por volta de 1900 foi publicado na imprensa um anúncio do então chamado Grande Hotel d’Oeste em que há um desenho, de autoria do litógrafo Jules Martin, no qual o estabelecimento aparece sob a forma de quatro corpos, compostos de três pisos, perfazendo dezesseis aberturas de frente em cada andar. Essa aparência na verdade nunca existiu e deve ser atribuída a um projeto de reconstrução do edifício incendiado, mais tarde abandonado em prol daquele de que ainda hoje se vêem vestígios.

Além do Hotel de França e do Hotel Marigliano, já referidos, cita Silva Bruno a presença ainda de modestos hotéis para imigrantes, sem denominação, os chamados alloggi, aludidos por Junius em seu livrinho "Alguns dias na Paulicéia" (1882).

Referindo-se aos últimos anos do século 19, Everardo Valim Pereira de Sousa menciona o Hotel Albion (na atual Brigadeiro Tobias), perto da estação ferroviária da Luz, lugar preferido para o funcionamento de hotéis módicos e populares. Estabelecido nessa rua desde os anos de 1870, o Albion anunciava na imprensa possuir três jogos de bilhar e de bola (fig.9). E o Hotel das Famílias. Este ocupando um sobradão em frente ao mercado municipal, num lugar bem pouco prestigiado da cidade. Cobrava preços especiais e era muito procurado pelos calouros da Academia de Direito.

Segundo depoimentos de contemporâneos, os únicos realmente bons durante os últimos tempos imperiais eram o Grande Hotel e o Hotel de França. Este último, segundo Valim, muito procurado pelos artistas de teatro de mais recursos quando estavam em São Paulo, tais como, Pepa Ruiz, Rosa Villiot e Cristina Massart. De acordo com Júlio Henrique Raffard (1851-1906), o Hotel de França sofreu uma expansão em 1890, vindo a ocupar vários sobrados adjacentes, na Rua Direita. Depois de passar pelas mãos de vários donos, foi demolido por volta de 1912 (fig.10).


Na última década do século 19, o Grande Hotel já tinha um rival no Grande Hotel Paulista, erguido na Rua São Bento, esquina da Rua Boa Vista. Conforme descobrimos em pesquisa para nossa tese, o prédio foi edificado a partir de 1888 por José Fernandes Pinto, provável empreiteiro de origem portuguesa, para José Estanislau do Amaral, pai da pintora Tarsila do Amaral (1886-1973), rico fazendeiro que aplicava parte de seus grandes haveres no mercado imobiliário da Capital. A aparência da construção era muito agradável, distinguindo-se pelo fato de já não seguir rigorosamente o estilo neo-renascentista inaugurado pelo Grande Hotel, mas por se aproximar mais do pleno Ecletismo, muito embora o fizesse de forma ainda bastante discreta (fig.11).

Das pensões daquela época, a melhor e mais cara era a da Viúva Reis, que surgiu entre 1872 e 1876, segundo o memorialista José Luís de Almeida Nogueira (1851-1914). Em 1886, quando nela se hospedou Valim, ocupava um velho sobrado da Rua São Bento, esquina da Travessa, hoje Rua do Comércio.
 


Primeiros momentos da República

Nos derradeiros dias do oitocentismo, alguns empreendimentos hoteleiros passaram a ocupar edifícios imponentes. Já vimos o caso do Grande Hotel e do Grande Hotel Paulista, empreendimentos que remontavam aos últimos dias imperiais. Agora, sob a República, pretendia-se erguer no Morro do Chá a bela sede do Grande Hotel Metropolitano, em construção a partir de 1895. Na Rua São João, inaugurou-se em 1898 o Joachim’s Hotel, de propriedade de Frederico Joachim, ocupando um atraente edifício erguido anteriormente de acordo com o projeto do arquiteto alemão Guilherme Von Eÿe, datado de 1895. Aí se instalaria em 1908 o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, cuja sede é ainda hoje existente. Mais ou menos por essa época, o Hotel Rebecchino estabeleceu-se no Largo de São Bento, num vistoso prédio de três pisos, com torreão de esquina, cuja planta, hoje conservada no AHMWL, havia sido aprovada em 1892. Construída originalmente para servir de prédio de escritórios, essa última edificação foi ocupada de início pelo Departamento de Polícia, sendo só a seguir adaptada para hotel (fig.12). Por volta de 1910, estava ocupada pelo Hotel Magnani.

Tanto o Rebecchino quanto o Magnani não passavam, na verdade, de hotéis de segunda linha, o mesmo valendo para o Grande Hotel d’Oeste. De grande presença no local, a sede do Rebecchino compunha, no entanto, muito bem com o belo prédio do Grande Hotel Paulista, postado do outro lado da esquina e mais tarde ocupado pelo Hotel d’Oeste (fig.13). Infelizmente, ambas as edificações foram demolidas por ocasião da realização das obras de construção da Estação São Bento do Metrô, no início da década de 1970.

Na passagem para o século 19, a Rua Boa Vista estava de fato tomada por hotéis. Nela se viam estabelecimentos de qualidade regular misturados a hotéis baratos.

Durante a última década do século 19, seria fundado outro estabelecimento de renome em São Paulo: o Grand Hôtel de la Rotisserie Sportman, primitivamente situado na Rua São Bento n.º 57. Originou-se no salão da Rotisserie Sportman, de propriedade do francês Antoine Daniel Souquières (?-1914). Por volta de 1900, ocupava um belo prédio ao lado, de três pavimentos, de nºs. 59 e 61, aparentemente construído no início dos anos 1890. No salão nobre do hotel, sustentado por colunas de ferro, havia um palco para orquestra. Era o local preferido para a realização de grandes recepções e banquetes, segundo o depoimento de Alfredo Moreira Pinto (1847-1903) datado de 1899. Dispunha de 40 quartos luxuosamente mobiliados e no subsolo havia uma afamada adega. Tal como ocorria com o lote do Grande Hotel, o terreno do Sportman alcançava a Rua Líbero Badaró, onde a construção dispunha de quatro pisos, em razão do forte desnível descendente apresentado pela encosta do Vale do Anhangabaú.

Nessa época o Sportman já havia ultrapassado em muito o Grande Hotel, tanto em luxo como em categoria de atendimento. Depois, em 1911, transferiu-se o estabelecimento para a construção chamada Casa Barão de Iguape (Rua São Bento, entre Ruas Direita e da Quitanda), erguida a partir de 1909 no lugar do velho casarão de taipa pertencente a esse destacado personagem do tempo do Império, com projeto vindo da Europa e construído pelo escritório de Ramos de Azevedo (1851-1928). Dispunha de 110 quartos, decorados à sóbria maneira inglesa (fig.14). Em 1918, o Sportman mais uma vez mudou-se, indo desta feita para uma construção erguida numa das cabeceiras do Viaduto do Chá. Tratava-se do palacete construído por volta de 1912 para servir de residência ao Conde Prates (1860-1928), com projeto do engenheiro baiano Samuel das Neves (1863-1937) (fig.15).

Segundo o geógrafo francês Paul Walle (1872-?), que conheceu o Sportman em torno de 1920, o estabelecimento, dirigido à francesa, tinha categoria internacional e dispunha de boa mesa. O hotel, que sobrevivera à morte de seu fundador, ocorrida em 1914, fechou as portas depois da inauguração do hotel que o superou em qualidade, o famoso Hotel Esplanada aberto em março de 1923. No prédio até então ocupado pelo Sportman, junto do Viaduto do Chá, instalou-se a partir daí o jornal Diário da Noite; nos anos 30 em seu lugar foi levantada a sede das Indústrias Matarazzo. Esta construção passou a seguir a ser propriedade do Banco Banespa, depois Santander, e hoje no edifício de mármore travertino funciona a sede da Prefeitura de São Paulo.

Programas e disposição interna dos hotéis oitocentistas

Por esse breve histórico, constatamos que os primeiros hotéis paulistanos funcionaram quase todos eles em velhas e desatualizadas construções de taipa, que sem duvida deviam mostrar-se pouco adequadas às funções a que haviam sido convertidas. Infelizmente a maioria dos hotéis citados neste texto se resume a simples endereços ou a poucas e velhas ilustrações desbotadas. Como as descrições feitas pelos memorialistas nunca deixam de ser superficiais, não há como descobrirmos algo de objetivo e consistente em termos dos programas de necessidades que atendiam, ou acerca das disposições internas que adotavam, ou quanto aos níveis de aeração e iluminação em que eram mantidas as acomodações, ou em relação aos níveis de adequação atingidos entre as condições físicas das construções onde se achavam instalados e os fluxos operacionais, por exemplo. Nem temos tampouco informações sobre o aspecto técnico de suas instalações higiênicas, que deviam ser necessariamente precárias, sobretudo quando nos referimos aos exemplares mais antigos.

Tampouco temos notícias minuciosas acerca da qualidade do serviço oferecido aos fregueses, sobretudo com relação aos primeiros hotéis, que para o seu funcionamento ainda dependiam de mão de obra escrava. O Visconde de Taunay nos conta em suas memórias que havia um hotel paulistano onde de 20 a 30 escravos muito asseados trabalhavam, e que um engenheiro nele hospedado se envolveu sexualmente com uma escrava, que servia de camareira. União passageira de que resultou uma filha, depois adotada pelo dono do estabelecimento. A criança adotada imediatamente alcançou a liberdade, mas a mãe tornou-se escrava e ama de sua própria filha. Isso nos dá uma pequena amostra de como funcionavam as instituições do mundo capitalista quando imersas no ambiente paradoxal da sociedade escravocrata ... O dono do hotel era francês e quando se retirou de São Paulo, enriquecido, em sinal de consideração libertou todos os seus cativos. Atitude que foi entendida por muitos paulistanos como mero espalhafato, se não como puro desperdício.

Quanto às plantas dessas antigas construções de hospedagem, nenhuma sobreviveu. Como foram, em sua maioria, erguidos numa época em que ainda não existia água corrente nem rede de esgotos na cidade (o sistema de saneamento só foi inaugurado em 1883), ficamos a imaginar como era solucionado esse importante aspecto nas edificações hoteleiras oitocentistas. Podemos supor que nos quartos desses hotéis houvesse, sempre à disposição dos hóspedes, lavatórios (móveis de apoio com bacia e jarro de água) em que poderiam ser efetuadas ligeiras abluções cotidianas e fossem oferecidos também urinóis para evitar que os hospedes tivessem de se deslocar à noite até as geladas e fétidas latrinas externas. Mas desconhecemos como funcionava o sistema de esgoto desses estabelecimentos (existiriam fossas negras ou uma canalização particular encaminharia os dejetos para algum curso d’água das proximidades? Ou seriam as matérias fecais e as águas servidas produzidas nos hotéis removidas por meio das carroças especiais, aludidas nas posturas municipais?). É sabido que, em São Paulo, alguns moradores de recursos construíam à sua custa canos de despejo (cloacas) que desembocavam no Ribeirão Anhangabaú, por exemplo, mas isso começou a ser coibido pela Câmara Municipal a partir da década de 1870. Por outro lado, disporiam esses estabelecimentos de fonte própria para abastecimento de água, ou traziam o líquido da caixa d’água municipal, situada na atual Rua Barão de Paranapiacaba, ou de um dos reservatórios públicos situados nas cercanias da cidade por meio de canalização de uso privado? Seriam oferecidos aos hóspedes banhos de imersão em instalações próprias ou tinham os clientes de se dirigir a estabelecimentos especializados como a Sereia Paulista, depois conhecido como Banho da Sereia, inaugurado no Largo São Bento em 1865? São pontos sobre os quais nada temos a dizer.

Ao que parece, muitos dos hotéis paulistanos do século 19 tinham suas roupas lavadas à beira dos rios que banhavam a cidade. Se isso era permitido, sob determinadas condições, aos próprios hospitais, segundo as posturas em vigor em 1886 (art. n. 93), com muito maior razão seria esse ato visto como normal quando levados a efeito pelos estabelecimentos de hospedagem.

Durante o Império, ausência de normas municipais específicas

Outra questão relevante que merece ser levantada é a relativa ao conjunto de posturas eventualmente incidente sobre as construções dedicadas a esse tipo de atividade econômica.

Nesse particular, sabemos que, em se tratando do período do Império, as posturas municipais eram então muito sumárias, nada exigindo da parte interna das edificações. As posturas incidentes sobre os edifícios hoteleiros eram as mesmas que recaiam sobre as edificações em geral. Como a Constituição de 1824 defendia o direito de propriedade de modo pleno, só podiam ser objeto de normalização municipal as partes externas das construções.

O objetivo dos sucessivos padrões municipais paulistanos postos em vigor ao longo da época imperial (datados de 1850, 1852, 1853, 1874, 1886 e 1889), como todos os outros padrões vigentes nas demais cidades brasileiras do período, era assegurar “o aceio, segurança, elegância e regularidade externa dos edifícios e ruas das povoações” [grifo nosso], conforme rezava o artigo 66 do Regulamento das Câmaras Municipais de 1828. Esse propósito deveria ser alcançado mediante o estabelecimento de medidas mínimas a serem obedecidas pelas ditas construções comuns (isto é, as que não englobavam nem os palacetes privados, nem as construções públicas pertencentes à esfera do governo provincial e do governo central, das quais se esperava que, por uma questão de decoro arquitetônico, sempre adotassem medidas muito acima das exigidas pelos padrões municipais). As medidas determinadas por esses padrões estipulavam basicamente alturas de pés-direitos mínimos para pavimento térreo, primeiro andar, andares superiores e porões, e dimensões mínimas dos vãos – portas e janelas –, que viessem a ser abertos nas fachadas das construções. Conforme o Informativo AHM n.19, em texto relativo à Seção Técnica de Estudos e Pesquisas, a única exceção a essa regra por parte das posturas paulistanas era a casa operária, cuja parte interna foi objeto de regulamentação desde 1881. Exceção que se dava ao arrepio da lei, mas tolerada pela sociedade, por uma questão de segurança da saúde pública.

No que tange às questões ligadas à parte interna dos estabelecimentos hoteleiros, portanto, cada proprietário ou administrador resolvia os problemas a seu talante, sem nenhuma interferência do poder público. Só o Código Sanitário de 1894, redigido já sob a República, iria introduzir uma incipiente consciência sanitária, superando o liberalismo ingênuo e irresponsável que predominou durante o Império, ao estabelecer as primeiras normas relativas a esse assunto.

As especificações sobre hotéis no entanto eram raras e pouco exigentes e até o Código Artur Saboia (aprovado pela Lei Municipal n.º 3.427, de 19 de novembro de 1929, e consolidado pelo Ato n.º 663, de 10 de agosto de 1934) as imposições no que se referiam à atividade hoteleira não se haviam desenvolvido a contento.

 

 

 

Fonte: Arquivo Histórico Municipal

 

 
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Figura 1 - Pintura de autoria de Charles Landseer chamada

Tropeiro Paulista, baseada em desenho a lápis de 1827,

mostrando um pouso de tropeiros. À frente, vemos a figura

típica do tropeiro paulista, aguardando o apresto das montarias em meio a bagagens e fardos de mercadorias.
No detalhe abaixo, a mesma cena na versão em desenho.

Figura 2 - Hotel Palm.
Foto de autoria de Militão Augusto de Azevedo, 1862/1863.

 


Figura 3 - Anúncio do Hôtel des Voyageurs, em que se vê a aparência original da Casa de Sotea.

Correio Paulistano, de 15 de agosto de 1857

Arquivo Públicodo Estado de São Paulo.

 

 


Figura 4 - Fachada do Hotel da Paz.
Anúncio publicado em jornal da época

 

 


Hotel Itália e Brazil, na Ladeira do Açu, hoje começo da Av. São João, 1887. Fonte: São Paulo de Piratininga: de pouso de tropas a metrópole. O Estado de S. Paulo / Terceiro Nome, 2004, p. 56

 


 Figura 5 - Hotel d’Oeste, 1887


Figura 6 - Hotel d’Oeste, 1890


Figura 7 - Hotel d’Oeste, 1900


Figura 8 - Hotel d’Oeste, 1905

Figuras 05 a 08

Evolução formal do Hotel d’Oeste entre 1887 e 1900.
Reconstituição gráfica aproximada executada com técnica digital.
Autoria: arq. Eudes Campos, 2009.

 

 


Figura 9 - Hotel Albion, então ocupando a antiga residência
de Antônio Álvares Leite Penteado, futuro Conde Álvares

Penteado, na Rua Brigadeiro Tobias, c. 1929.

 


Figura 10 - Hotel de França, c. 1912.
Embora a imagem esteja datada de 1906 no álbum de onde provém, isso é desmentido pela figura feminina vista de costas  em primeiro plano (canto inferior direito), portando um tailleur no rigor da moda do início das anos 10.


Figura 11 - Anúncio do Grande Hotel.
Ilustração de almanaque paulistano de 1896.


Grande Hotel, Rua São Bento, 1911.

Fonte: A cidade da Light, 1899-1930, São Paulo,

Eletropaulo, vol. 1, 1990, p. 121

 

Figura 12 - Plantas aprovadas em 1892 para a construção de

um edifício que depois seria adaptado para abrigar o Hotel Rebecchino. - Acervo AHMWL (veja ampliado, clique aqui).

 

 


Figura 13 - Imagem parcial do Largo de São Bento, em fins do século 19 (c. 1895). À direita, ao fundo, futuro Hotel Rebecchino. À esquerda, ao fundo, o Grande Hotel Paulista.

À extrema esquerda, vê-se parte da sede do Hotel d’Oeste,

antes de pegar fogo em 1900.

 

Largo e Rua de São Bento - 1920
Vista do largo de São Bento, em direção à rua São Bento e

à Igreja de São Francisco, cujo frontão pode-se vislumbrar ao fundo. O casario que se vê à esquerda mantém-se até os dias de hoje com as mesmas características, da mesma forma ocupado

por estabelecimentos comerciais. No centro, à esquerda, na esquina com a rua Boa Vista, vê-se o prédio do famoso Hotel d'Oeste, reconstruído após incêndio de 1901 e, à direita, área

que fora do jardim, agora tomada pelos automóveis.

 

Fonte: Italianadas em Sampa

 


Figura 14 -  Casa Barão de Iguape, então ocupada pela loja de departamentos Mappin Stores, década de 1920.


1937

 

Figura 15 -  Palacete Conde Prates,

então Hotel de La Rotisserie Sportsman

 

Viaduto do Chá, 1918, visto a partir do prédio localizado na esquina da Rua Libero Badaró, em direção à Rua Barão de Itapetininga. No primeiro plano, à esquerda, o bloco do Conde Prates ocupado pelo Hotel de La Rotisserie Sportsman; no centro, o cruzamento com a Rua Líbero Badaró; à direita, o

bloco do Conde Prates ocupado pelo Automóvel Clube e pela Sociedade Hípica. No plano médio, à direita, o viaduto e, no centro, o Parque do Anhangabaú. No fundo, à direita, o Teatro

São José e a Rua Barão de Itapetininga; no centro, o Teatro Municipal; à direita, a torre da Igreja do Rosário no Largo do Paissandu.

(Foto de Aurélio Becherini). Fonte: Jornal Brasileiro de Cultura

 

HOTEL ESPLANADA à direita. À esquerda o Teatro Municipal.

 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.