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  ARGENTINA

 

 

 

 

 

 

O PAÍS EM DADOS

 

ÁREA: 2.780.092 km²

CAPITAL: Buenos Aires

POPULAÇÃO: 40,4 milhões (estimativa 2007)

MOEDA: peso argentino

NOME OFICIAL: República Argentina

NACIONALIDADE: argentina

DATAS NACIONAIS: 25 de maio (aniversário da Revolução) e 9 de julho (Dia da Independência)

LOCALIZAÇÃO: Sul da América do Sul

FUSO HORÁRIO: o mesmo de Brasília

CLIMA: de montanha (NO, SO, O), árido tropical (NE), árido frio (SE), temperado continental (S), tropical (N), subpolar (extremo Sul)

PRINCIPAIS CIDADES: Buenos Aires, Córdoba, Rosário

COMPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO: europeus meridionais 85%, eurameríndios 7%, ameríndios 0,4% e outros 7,6% (censo de 1996)
IDIOMA OFICIAL:
espanhol
RELIGIÃO:
predominantemente católica

DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 14 hab./km2
CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO:
1,3% ao ano (1995 a 2000)
TAXA DE ANALFABETISMO:
3,1 % (censo de 2006)
RENDA PER CAPITA:
US$ 17.062 (estimativa 2005)
ECONOMIA DA ARGENTINA:
Produtos Agrícolas:
trigo, milho, soja, sorgo.
Pecuária:
bovinos, ovinos, caprinos, aves
Mineração: petróleo, gás natural, carvão

Indústria:
alimentícia, bebidas, química, equipamentos de transporte, refino de petróleo
 

 

A ARGENTINA

 

Localizada na  região meridional da América do Sul, na latitude do paralelo 22o ao 55o e na longitude do meridiano 54° ao 74°, a Argentina possui mais de 3.700km do extremo Norte ao extremo Sul, desde as proximidades do trópico de Capricórnio até o Pólo Sul, e mais de 1.400km de leste a oeste. Limita-se ao Norte com a Bolívia; a Nordeste com o Paraguai, pelas fronteiras naturais dos rios Pilcomayo, Paraguai e Paraná; a Leste com o Brasil e o Uruguai, através do rio Uruguai, e com o oceano Atlântico, também limite de Sudeste, em mais de 4.700km de litoral; e a Oeste com o Chile, pela cordilheira dos Andes.


Geologia e relevo

 

O território argentino estende-se longitudinalmente entre a cordilheira dos Andes e o oceano Atlântico. Caracteriza-se pela variedade de paisagens físicas resultantes da transição entre as zonas montanhosas do oeste e as planícies do leste.


A cordilheira dos Andes provém de movimentos orogênicos (fenômenos que determinam a formação de montanhas) do plioceno, no período quaternário. Avança pela Argentina com montanhas elevadas, que sustentam um vasto planalto semidesértico e cheio de depressões salinas, denominado Puna de Atacama, a três mil metros acima do nível do mar. Situam-se nessa região setentrional importantes maciços vulcânicos, entre os quais se destaca o Lulullaillaco, com 6.723m, um dos cumes mais altos do continente. Na direção Leste, encontra-se a cordilheira Oriental, conjunto de serras elevadas, com neve eterna em seus picos mais altos, e em seguida situam-se as serras subandinas, que confinam com a província do Chaco.


Entre os Andes centrais, a Oeste, e as serras de Córdoba e San Luis, a Leste, abre-se um extenso vale, separado do território chileno pela cordilheira Principal, onde se encontram as maiores elevações, inclusive o ponto culminante de toda a América, o Aconcágua (6.959m), bem como os picos Mercedario (6.770m) e Tupungato (6.550m). Do paralelo 36° em diante, na direção do Sul, os Andes se estreitam e perdem altura. Seu prolongamento na Patagônia apresenta raras elevações acima de 3.500m, como a do monte Mellizo, junto à Laguna Grande.


A Leste dos Andes e ao Norte da Patagônia, estende-se uma vasta planície de características variadas. Ao longo das bacias do Paraná e Paraguai, localiza-se o Chaco, região subtropical e arenosa, ligeiramente inclinada para Sudeste. Em alguns pontos do Nordeste (Misiones), afloram rochas areníticas e basálticas pertencentes ao escudo pré-cambriano brasileiro. O resto da região se acha coberto por sedimentos de diversas épocas, como o loess (depósitos quaternários de origem glacial), rico em calcário. A Leste do Chaco, entre os rios Paraná e Uruguai, localiza-se a planície da Mesopotâmia argentina, que não apresenta unidade morfológica nem geológica. O principal elemento de seu relevo é a meseta Misionera, na província de Misiones e Nordeste de Corrientes.


Entre o sopé dos Andes e o oceano Atlântico, ao Sul do rio Salado e ao Norte do Colorado, situa-se o Pampa, em todos os aspectos a paisagem mais representativa da Argentina. A vasta planície pampeana caracteriza-se pela horizontalidade. Compreende em sua composição sedimentar diversas eras geológicas. Seus solos são muito ricos (loess e limos muito espessos). Embora bastante homogêneo em sua topografia, o Pampa apresenta áreas mais onduladas, ganha altura nas serras do Tandill e Ventana e, no vale do rio Salado, mergulha em depressão tectônica. Abaixo do rio Negro e do golfo de San Matías, entrando na Patagônia, já não se pode falar de planície, mas de mesetas em que se sobrepõem sedimentos secundários e terciários que foram igualados no fim da era glacial.


Clima

 

Grande parte do território argentino está situado na zona temperada do hemisfério Sul. Verificam-se no país climas tropicais e subtropicais, áridos e frios, com combinações e contrastes diversos, resultantes das variações de altitude e outros fatores. Em quase todas as regiões da Argentina registram-se nevadas ocasionais, exceto no extremo Norte, onde predomina um clima tropical. Nessa mesma área, os dias são quentes de outubro a março e frios e secos de abril a setembro.


Mais amenos são os índices predominantes nas Pampas, úmido e fresco em sua parte oriental, nas províncias de Buenos Aires e La Pampa. Os verões, embora intensos, em Mar del Plata não ultrapassam uma média superior a 21
°C. Mais seco para o lado do Oeste e Mendoza, o clima do Pampa, nessa faixa, tem suas chuvas de verão rapidamente evaporadas.


Nas proximidades da cordilheira dos Andes, de Noroeste até a serra do Payén, na província de Mendoza, verifica-se freqüente alternância de climas árido e semi-árido, este com maior expressão nos pontos mais altos da própria cordilheira. De quatro mil metros para cima, as precipitações são escassas e as temperaturas muito baixas, entre neves eternas. Na parte meridional dos Andes as chuvas são bastante favorecidas pelos ventos úmidos do Pacífico, que vencem a barreira descomunal e chegam às províncias do Sul. As condições de umidade e temperatura levam à formação de geleiras.
 

De um modo geral, a Patagônia é de clima seco e frio, com fortes e constantes ventos soprados do oeste. Mais ao Sul, na Terra do Fogo, os ventos são ainda mais fortes, a chuva e a neve, quase permanentes, e a temperatura cai a níveis muito baixos.


Hidrografia

 

Contam-se três redes hidrográficas em território argentino: a da vertente atlântica, que é a mais importante, a do Pacífico, na parte Sul da cordilheira dos Andes, e as bacias endorréicas -- ou internas -- que ocupam um terço da superfície total do país.


Do lado do Atlântico, destaca-se o rio da Prata, nome que se dá ao estuário que é fruto do encontro dos rios Paraná e Uruguai com o oceano Atlântico. Tem mais de 300km de comprimento, largura que chega a 200km e descarga média de 23.300m3 por segundo, perdendo na América do Sul somente para a do Amazonas.


O rio Paraná é um dos 15 mais extensos do mundo e tem 1.800km em terras argentinas, sendo mais de 400 navegáveis (até Santa Fe). Seus afluentes mais importantes são, na margem direita, o Paraguai, o Salado e o Carcarañá, e na margem esquerda o Iguaçu, com o qual, na confluência que é ao mesmo tempo argentina, brasileira e paraguaia, forma as famosas cataratas, num arco de quatro mil metros.


O rio Paraguai só tem um pequeno trecho argentino, de margem direita, na fronteira das províncias de Chaco e Formosa com o Paraguai, mas juntamente com seus afluentes Pilcomayo e Bermejo inunda as planícies da região na época das chuvas, criando lagunas e banhados. Já o rio Uruguai marca as fronteiras de Misiones, Corrientes e Entre Rios com o Brasil (Rio Grande do Sul) e o Uruguai. Na maior parte desse percurso é navegável.


Muitos dos rios da vertente atlântica que correm na Patagônia, ou se dirigem para essa região, têm poucos afluentes, com o traço peculiar de irem perdendo parte de suas águas à medida que avançam. Os principais são o Colorado, o Negro (formado pelo Neuquén e Limay), o Chubut, o Deseado e o Chico, este nas imediações da Terra do Fogo.


No interior mais árido e plano são muitas as pequenas bacias hidrográficas que não chegam ao mar. No planalto de Atacama, de chuvas escassas e águas que provêm do degelo de altos picos da cordilheira, diversos rios têm curso intermitente ou desaparecem, quer nas lagoas, quer no meio de um dos numerosos salares, depósitos salinos comuns no oeste e sobretudo noroeste do país. Das planícies do Chaco, só conseguem sair o Pilcomayo, o Teuco e o Bermejo, que terminam no rio Paraguai, ou o Corrientes, que mergulha no Paraná. Muitos dos rios de importância econômica nos Pampas, por se prestarem a obras de irrigação, esgotam-se sob a intensa evaporação ou absorção pelos solos arenosos.


Mais ao Sul, na província de Mendoza, há uma ampla bacia interna formada por rios e riachos que descem dos Andes e raramente chegam às províncias vizinhas de La Pampa e Neuquén. Por isso o lugar tem o nome de Desaguadero (Desaguadouro), mas outros há, parecidos, nos planaltos patagônicos. A vertente do Pacífico também tem início no segmento dos Andes que passa por Mendoza, entre os meridianos 30o e 35o: são cursos de água pequenos que começam no alto da cordilheira, atravessando o estreito território do Chile.


Bastante representativos da paisagem física argentina no Sul dos Andes são os lagos e lagoas, mais de 400, alguns de grande beleza e interesse turístico, como o Nahuel Huapí, junto ao qual fica San Carlos de Bariloche, dentro de esplêndido parque nacional. Há, ainda, o Colhué Huapí e o Buenos Aires, na província de Chubut; na de Santa Cruz, o San Martín, o Argentino, o Cardiel, o Viedma; e, na Terra do Fogo, o Fagnano.


Flora e fauna

 

Há uma grande diversidade de flora e fauna no território argentino, diretamente determinada pelas correspondentes diferenças de clima, solo e outras condições materiais. No norte da Mesopotâmia argentina, quente e úmido, predominam as matas subtropicais, em que se identificam espécies como o cedro, o ipê, a erva-mate, o pinheiro, as longas samambaias, bambus e cipós. Junto ao leito dos rios, essa vegetação se estende até a parte sul da planície mesopotâmica.


No Chaco, a paisagem mais constante é parecida com a do cerrado brasileiro, coberta de gramíneas e palmeiras esparsas. Destaca-se na parte mais chuvosa ou junto aos rios a ocorrência de quebracho, o principal item da exploração florestal do país, e outras madeiras úteis, como lapacho e urundaí. Áreas desérticas e semidesérticas encontram-se nos Andes, na Patagônia extra-andina e a Sudoeste do Chaco. Paraíso das gramíneas, a região dos Pampas quase não tem árvores. No Leste mais seco, chega a abrigar plantas especialmente adaptadas à aridez, compondo às vezes um matagal arbustivo intermitente.


A fauna argentina apresenta muitas das espécies características da América do Sul, embora menos variada que nas regiões tropicais. Há grande quantidade de aves, répteis e roedores. Entre os mamíferos estão a onça-pintada, a suçuarana, o gato-dos-pampas. Há raposas em várias regiões e, na mata subtropical, o macaco guariba é bastante encontrado, bem como a doninha, a anta, o tamanduá-bandeira, o tatu, diversas espécies de cervo e, nas regiões andinas, a lhama, a alpaca, a vicunha e o guanaco.


A ordem dos roedores é bem representada, com capivaras e vários tipos de coelho. Os répteis incluem a jibóia e peçonhentas como a cobra-coral e a cascavel, além de jacarés e lagartos. São particularmente numerosas as espécies de aves, de muitos papagaios e poucas emas e gansos selvagens, garças, gaviões e, no alto dos Andes, o condor. No extremo Sul do país, a fauna do litoral gelado conta com muitas das espécies peculiares a essa paisagem, como os pingüins, as focas, os lobos-marinhos.


População
 

Ao contrário de quase todos os outros países da América do Sul, o europeu branco tornou-se o principal componente racial do povo argentino. A distribuição geográfica da população mostrou-se desigual, com uma concentração cada vez maior nas metrópoles litorâneas e nas regiões férteis do interior.


Havia poucos habitantes no país quando principiou a colonização espanhola. Alguns dos grupos indígenas existentes, sobre os quais ainda influía a civilização dos incas, ocupavam pequenas áreas das elevações dos Pampas, nas proximidades da cordilheira, nos vales dos rios Paraguai e Paraná. Eram os araucanos, guaranis e diaguitas, estes mais assemelhados aos quíchuas. A luta contra as belicosas tribos caçadoras e a escassa afluência de imigrantes mantiveram o crescimento demográfico em níveis relativamente baixos durante o período colonial. Quando o país proclamou sua independência da Espanha (1816), não tinha mais de 400.000 habitantes.


Da segunda metade do século 19 em diante, a Argentina passou a estimular ao máximo a mobilização de imigrantes europeus para ocupar suas regiões mais férteis. Em 1860 a população já subira para mais de 1.700.000 e meio século depois tinham chegado seis milhões de imigrantes, verificando-se o predomínio constante dos espanhóis e italianos, a que se juntava um contingente originário da própria América do Sul. Esse fluxo migratório foi além da segunda guerra mundial, mantendo-se até 1956.


De 1960 em diante, a instabilidade política e os problemas econômicos alimentaram o processo inverso, levando muitos cidadãos argentinos a emigrarem para outros países. Apesar disso, a população em geral continuou crescendo, mas moderadamente, a uma taxa média anual de 1,5%. Além de Buenos Aires, tornaram-se importantes as cidades de Córdoba, Rosario, Mendoza e Mar del Plata, com grande concentração demográfica.


O índio e o negro praticamente desapareceram. Embora o elemento mestiço seja substancial nas províncias contíguas ao Chile, Bolívia e Paraguai, e haja comunidades de índios puros no noroeste do país, os centros populosos da Argentina, e em particular a capital, tornaram-se quase cem por cento brancos. No fim do século 20, o território argentino abrigava pouco mais de cem mil indígenas.


Sociedade


A organização social argentina distingue-se por uma característica muito particular no panorama latino-americano: compõe-se predominantemente de uma classe média europeizada, com mais de noventa por cento de católicos, padrão de vida e qualificação profissional em progresso e um eficiente sistema previdenciário e de saúde.


O espanhol é o idioma oficial do país, mas sobrevivem algumas línguas e dialetos indígenas. Como ocorreu em tantos outros países hispano-americanos, o espanhol adquiriu, na Argentina, aspectos bastante particulares. Provavelmente por influência do italiano, aparenta maior flexibilidade e fluidez do que nas outras terras de colonização espanhola. A língua indígena mais importante é o guarani, falado na região da Mesopotâmia. Destacam-se ainda o diaguita e dialetos araucanos. Em Buenos Aires, o vocabulário popular incorporou palavras de origem italiana, termos de gíria ligados às corridas de cavalos e ao tango e um sotaque rural, dando origem ao lunfardo, que desfruta de grande autonomia em relação ao espanhol.


Na passagem da década de 1980 para a de 1990, a população argentina, apesar das sucessivas crises econômicas e político-administrativas, manteve uma taxa de mortalidade infantil significativamente baixa para os padrões ainda encontrados na América do Sul, sendo também superiores aos desses outros países seus índices de expectativa de vida e de consumo de calorias e proteínas per capita. Buenos Aires continua sendo a capital e o eixo econômico do país, mas em 1987 o Congresso Nacional aprovou uma proposta do executivo para mudança da capital para Viedma-Carmen de Patagones, que não foi aceita.

 

 

Fonte: Enciclopédia Britânica

 

 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.

 
 

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