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FRANÇA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O POVO FRANCÊS
 


Durante a Idade Média, o território francês foi uma região de trânsito dos muitos povos e movimentos migratórios que percorriam o continente em várias direções. A população francesa resulta de inúmeras contribuições humanas recebidas ao longo da história.


As duas influências dominantes -- dos celtas, cuja imigração para a França ocorreu entre os séculos VI e I a.C., e dos romanos, cujo domínio sobre o território se deu do século II a.C. ao V da era cristã -- correspondem às diferenciações regionais da França: o norte francês é mais germânico e o sul, mais latino. A heterogeneidade racial, contudo, não impediu que os franceses desenvolvessem um forte sentimento nacionalista.


A língua oficial é o francês moderno, de origem neolatina, que se firmou em todo o país desde a revolução de 1789. Em áreas periféricas do país, línguas diferentes subsistem paralelamente ao francês: o bretão, no oeste da península da Bretanha, o basco, nos Pireneus, junto ao golfo de Gasconha; o catalão, no Roussillon, junto à mesma cordilheira; o dialeto alsaciano, variante do alemão (semelhante ao dialeto suíço), falado na Alsácia; e o flamengo, na fronteira belga. O provençal, de raiz latina, sobrevive apenas como curiosidade literária.


A religião predominante na França é o catolicismo, principalmente no meio rural. Entretanto, apesar de sua vinculação ao Vaticano, a Igreja Católica francesa conserva características nacionais. Assinalam-se ainda minorias de judeus, protestantes (luteranos e calvinistas) e maometanos.


Uma das principais características da demografia francesa é a estagnação da taxa de crescimento da população desde o final do século 19. Essa situação deve-se a uma série de fatores, como o controle da natalidade, que, na França, foi implantado no final do século XVIII, muito antes das outras nações. Também houve influência das idéias difundidas pela revolução francesa (adoção do divórcio, predominância da vida urbana, individualismo, diminuição do sentimento religioso) e as várias guerras que desde então o país enfrentou, com enorme perda de vidas humanas. Nesse sentido, foi especialmente dramática a segunda guerra mundial, quando morreram cerca de 1,4 milhão de franceses.


Em 1938, o estado iniciou um programa destinado a incrementar a natalidade. Foram postas em prática medidas como ajuda financeira a famílias que tivessem filhos, maiores cuidados sanitários e incentivos psicológicos. Os primeiros resultados dessas medidas surgiram nas décadas que se seguiram à segunda guerra mundial, quando ocorreu acentuado aumento da população, resultado sobretudo da conjugação de três fatores: o retorno de um milhão de franceses ao país, ao final do período de colonização de Marrocos, Argélia, Tunísia e Indochina; aumento da natalidade; e chegada de grande número de imigrantes.


A taxa de natalidade se manteve alta até a década de 1960, quando houve uma redução importante, devida, em grande parte, à difusão dos contraceptivos orais. Ao mesmo tempo, a taxa de mortalidade caiu, devido à melhoria das condições sanitárias.


As conseqüências dessa evolução demográfica se manifestavam na composição da população na segunda metade do século 20. Devido às baixas masculinas provocadas pelas guerras mundiais, o número de mulheres era bem maior que o de homens e o número de pessoas em idade ativa, bastante reduzido se comparado ao número de anciãos e de jovens. A população dependente do trabalho de outros, portanto, era muito elevada.


Os movimentos populacionais, sobretudo a chegada de grandes contingentes de imigrantes, sempre tiveram muita importância na França. A emigração, ao contrário, não é muito significativa. Há dois tipos de imigração: um de caráter político e outro econômico. O primeiro se deve ao liberalismo francês, que admitiu grande número de refugiados políticos. Entre a primeira e a segunda guerras mundiais, três milhões de imigrantes chegaram à França. A imigração de caráter econômico deveu-se à necessidade de mão-de-obra, que permitiu, num primeiro momento, a chegada de pessoas do resto da Europa (italianos, poloneses, espanhóis e belgas). Depois da segunda guerra mundial, juntaram-se aos imigrantes europeus os oriundos das antigas colônias: argelinos, marroquinos e tunisianos, principalmente. A partir de 1974, em função das dificuldades financeiras, a França fechou as portas à imigração.


Devem ainda ser assinalados dois tipos de movimentos demográficos internos. O primeiro, das montanhas para as planícies, provocou o despovoamento de algumas regiões. O outro movimento interno é do campo em direção à cidade, que provocou grande aumento da população urbana. O êxodo rural afetou especialmente Paris, onde, no fim do século 20, quase metade da população havia nascido fora da área metropolitana.


Marselha, Lyon, Toulouse, Nice, Nantes, Estrasburgo, Bordéus, Lille, Saint-Étienne e Grenoble, junto com Paris, são os núcleos que concentram a maior parte da população. As áreas mais despovoadas são as montanhas (Pireneus, Alpes e maciço Central), regiões de solos pobres (Landas e Sologne), e as áreas rurais isoladas.


Sociedade


A França é um dos países mais desenvolvidos da Europa ocidental, mas a distribuição da riqueza não se dá de forma equitativa. Na segunda metade do século 20 persistia uma acentuada diferença entre os grupos sociais: os agricultores, por exemplo, recebiam remuneração muito inferior à dos operários de indústrias. Além disso, o desequilíbrio econômico entre as regiões era notável.


Os sindicatos se organizam principalmente de acordo com as tendências políticas e a localização geográfica. Os mais importantes são a Confederação Geral do Trabalho (CGT), de orientação comunista, a Confederação Francesa Democrática do Trabalho, de tendência católica; e a Força Operária, de ideologia socialista.


A previdência social, implantada na década de 1930, só se tornou eficiente depois da segunda guerra mundial. Cerca de oitenta por cento dos franceses se beneficiam do seguro social, que cobre aposentadoria, gastos com médicos e remédios, além de abono para famílias numerosas. Um dos problemas sociais mais sérios da França é a escassez de moradias, agravada pelo estado de conservação das que existem: um terço das residências francesas tem mais de cem anos. Para solucionar o problema, o estado dá créditos e incentivos para a construção de casas.


O sistema educativo francês caracteriza-se pela centralização, embora os acontecimentos de maio de 1968 tenham garantido maior autonomia aos centros universitários. A educação básica é obrigatória e gratuita nos centros de ensino público e divide-se em primária e secundária, cursada por crianças na faixa dos 6 aos 11 anos e dos 11 aos 15 anos, respectivamente.

 


Cultura


A vida cultural francesa é das mais intensas e influentes do mundo. Em todas as manifestações culturais e artísticas a França prestou contribuições fundamentais.


A partir do século 11, a arquitetura francesa passou a desenvolver um estilo próprio, o românico, divulgado pelos monges da abadia de Cluny. Entre os séculos XII e XIV manifestou-se o estilo gótico, presente nas catedrais de Chartres, Reims e Notre-Dame de Paris, que alcançou a expressão máxima de seu brilho na Sainte-Chapelle de Paris. Na arte visual, destacam-se os retábulos, iluminuras e a tapeçaria.


A arquitetura do Renascimento seguiu o modelo italiano, embora com características próprias. Na pintura do período, os retratos foram a modalidade preferida. No final do Renascimento verificou-se uma retomada das tendências vindas da Itália, que se manifestaram, no plano pictórico, na preferência por cenas mitológicas, bucólicas e de paisagens com perspectivas clássicas. Durante o reinado de Luís XIV, construíram-se muitos palácios particulares de estilo barroco e realizaram-se importantes projetos urbanísticos (um exemplo é a praça da Vitória) e de jardinagem (jardins de Versalhes e Tulherias, em Paris). Seguiu-se o estilo rococó, no qual se destacaram os pintores Antoine Watteau e François Boucher, e o escultor Jean-Baptiste Pigalle. Os móveis e a tapeçaria foram o ponto alto do estilo rococó.


Nos últimos trinta anos do século XVIII ocorreu um retorno à antiguidade com o neoclassicismo, cujo principal expoente foi Jacques-Louis David, pintor da burguesia revolucionária e, em seguida, pintor oficial de Napoleão. Na arquitetura recuperou-se a pureza e a elegância das construções romanas em obras como o Panthéon, a igreja da Madalena e o arco do Carrossel, em Paris.


Com a chegada do século XIX e o fim do antigo regime, a pintura passou a predominar entre as artes e Paris transformou-se no centro mundial da cultura. Sucederam-se as tendências artísticas: romantismo, com Eugène Delacroix; paisagismo, representado por Théodore Rousseau e Jean-Baptiste-Camille Corot; realismo, cujo expoente máximo foi Gustave Courbet; e impressionismo, com Pierre-Auguste Renoir, Édouard Manet, Claude Monet, Camille Pissarro, Alfred Sisley e outros grandes inovadores como Edgar Degas, Paul Cézanne, Paul Gauguin e Henri de Toulouse-Lautrec.


A preocupação com a pesquisa permanente levou ao nascimento de novas tendências pictóricas: o fauvismo, com Henri Matisse e Maurice de Vlaminck, o cubismo, com Georges Braque, e o expressionismo, com Georges Rouault e Édouard Goerg. Surgiram posteriormente a pintura ingênua e o surrealismo, que levaram a pesquisa pictórica a outros caminhos. No campo da escultura destaca-se principalmente a figura de Auguste Rodin, que abandonou a tendência realista de François Rude e Jules Dalou e espiritualizou a escultura.


No século 19 a arquitetura seguiu tendências diferentes, como a clássica, a neogótica e a eclética. A utilização do ferro conduziu ao funcionalismo, que teve em Alexandre-Gustave Eiffel seu representante máximo. No século 20 a arquitetura foi influenciada pelo aparecimento de novos materiais -- concreto armado, aço, plástico -- e destacou-se o nome de Édouard Jeanneret, chamado Le Corbusier, que revolucionou a arquitetura mundial com suas idéias sobre espaço.
Na música, entre as principais contribuições francesas estão as canções de trovadores da Idade Média, as inovações na polifonia com Jean-Philippe Rameau, a música impressionista de Claude Debussy e Maurice Ravel e a música concreta do século 20.


O cinema nasceu na França, com os irmãos Louis e Auguste Lumière, inventores do cinematógrafo e os primeiros a realizar um filme. Posteriormente surgiu a figura de Georges Méliès, que foi o primeiro a compreender as possibilidades do cinema no mundo do espetáculo. Na década de 1920 surgiram dois nomes muito importantes para o cinema francês: Jean Renoir e René Clair. A partir de 1960, um grupo de diretores novos passou a exercer influência no panorama mundial, num movimento que se tornou conhecido como nouvelle vague. Entre eles assinalam-se Alain Resnais, Jean-Luc Godard e François Truffaut.

Fonte: Enciclopédia Britânica

 

 

 

 

 

 

 

 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.