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GRÉCIA

 

 

História
 

Os povos que constituem a Grécia lançaram os alicerces da civilização ocidental. A herança grega foi assumida pelos antigos romanos, que a estendeu e transmitiu às épocas posteriores. No século V, a parte oriental do Império Romano, com capital em Constantinopla ou Bizâncio, foi entidade independente, de cultura, língua e tradição gregas.


O império bizantino se manteve durante toda a Idade Média e transmitiu seu legado cultural à Rússia e aos povos eslavos. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453, os sábios bizantinos, que se refugiaram na Itália, contribuíram com o pensamento grego clássico e a tradição jurídica romana para o Renascimento, que florescia no Ocidente.


Domínio turco

 

A queda de Constantinopla marcou o fim da soberania política grega. A relativa aceitação da dominação turca durante os primeiros momentos deveu-se à animosidade dos cristãos ortodoxos gregos contra os cristãos latinos, devido aos desmandos cometidos por estes na quarta cruzada, e à reunificação das duas igrejas no Concílio de Florença de 1439, considerada humilhante pelo povo bizantino. Além disso, os turcos concederam três liberdades fundamentais para a sobrevivência do espírito nacional: a tolerância da religião ortodoxa grega, a educação em língua grega e a liberdade para exercer o comércio, ocupação que os dominadores consideravam inferior à das armas. Posteriormente, porém, a arbitrariedade da administração turca e o recrutamento de moços que seriam transformados em janízaros, ou soldados que formavam a guarda pessoal do sultão, provocaram descontentamento, que se manifestou na ajuda prestada por gregos insurretos ao espanhol D. João da Áustria, na batalha de Lepanto, em 1571.


A primeira revolução organizada contra os dominadores, que marcou o início da história da Grécia moderna, ocorreu em 1770 no Peloponeso, instigada por Catarina a Grande da Rússia, mas foi sufocada sem piedade. Outra insurreição, também promovida pelos russos, foi a que eclodiu em 1786 no Epiro e teve o mesmo desastroso destino da anterior.


Processo de independência. Em 25 de março de 1821, o bispo Germanos deflagrou o movimento de independência no Peloponeso, que, com altos e baixos, durou até 1829. Em 1822, o congresso de Epidauro redigiu a constituição da Grécia independente. Nesse mesmo ano reuniu-se em Genebra um grupo de voluntários europeus, entre os quais figurava Lord Byron, dispostos a combater ao lado dos nacionalistas gregos. A independência foi conquistada não só pela luta corajosa mantida pelos helenos, mas também pela ajuda prestada pelo Reino Unido, França e Rússia. Em 1828 eclodiu a guerra entre a Rússia e a Turquia. Finalmente, pelo Tratado de Andrianópolis, de 14 de setembro de 1829, os turcos foram obrigados a reconhecer a independência da Grécia.


Os gregos pretenderam estabelecer uma república democrática, inspirada nos princípios da revolução francesa e nas tradições democráticas que tinham mantido vivas na herança cultural do país. Na terceira Assembléia Nacional, reunida em abril de 1827, foi eleito presidente provisório da Grécia o conde Joannes Antonios Kapodistrias, respeitado patriota procedente de Corfu.


Estado grego moderno. No momento da independência, o estado grego possuía apenas um milhão de habitantes num território de cinqüenta mil quilômetros quadrados que compreendia a parte central da moderna Grécia (inclusive a Ática), o Peloponeso, a Eubéia e as ilhas Cíclades. O assassinato de Kapodistrias, em outubro de 1831, levou as potências européias a concluírem que a Grécia não estava preparada para a democracia. Em 1832 a coroa foi oferecida ao príncipe Oto I de Baviera, que chegou a Náuplia, primeira capital do país, em 6 de fevereiro de 1833. No ano seguinte o rei transferiu a capital para Atenas. A oposição ao absolutismo de Oto I provocou uma revolução que teve como resultado a constituição de 1844, que vigorou durante vinte anos. As disputas com as nações protetoras, especialmente com o Reino Unido, pela posse das ilhas Jônicas, e o descontentamento contra o rei levaram a uma nova rebelião. Pelo Tratado de Londres, de 1863, Oto I foi substituído pelo príncipe dinamarquês Guilherme Jorge Glücksburg, que tomou o nome de Jorge I, e a Grécia anexou as ilhas Jônicas. Durante os reinados de Jorge I e seus sucessores, a Grécia aumentou bastante seu território, principalmente com a anexação da Tessália em 1881; do Epiro, da Macedônia, de Creta e várias ilhas do Egeu, em 1918; e de parte da Trácia búlgara, em 1920.


Uma desastrosa guerra com a Turquia, iniciada em 1920 e encerrada pelo Tratado de Lausanne, de 24 de julho de 1923, alimentou o descontentamento contra a monarquia, que foi substituída, em 1924, por uma república de curta duração, derrotada em março de 1935. A monarquia foi restaurada com Jorge II, filho de Constantino I. Na segunda guerra mundial, a Grécia lutou ao lado dos aliados e foi ocupada pela Alemanha até outubro de 1944. Durante a resistência contra os alemães formaram-se dois grupos políticos importantes, os comunistas e os democratas, que lutaram tanto entre si quanto contra o inimigo comum. Em seguida ao armistício, eclodiu uma violenta guerra civil, na qual os comunistas foram derrotados, devido à intervenção do exército britânico.


Um plebiscito realizado em março de 1946 promoveu o retorno de Jorge II, a quem sucedeu, depois de sua morte, em 1947, por seu filho Paulo I. Os comunistas retomaram a guerrilha e somente foram vencidos em 1949, quando a Iugoslávia se separou do bloco soviético e foi cortada a via de abastecimento militar aos revoltosos. Em 1947, a Itália cedeu à Grécia as ilhas do Dodecaneso, anexadas formalmente em 1948. A Grécia se integrou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1951.


Em 1967, um grupo de coronéis liderou um golpe de estado para impedir a vitória eleitoral da esquerda. Uma junta militar de linha direitista assumiu o poder. Depois da tentativa do rei Constantino II para restaurar a ordem constitucional, em 1º de junho de 1973 foi abolida a monarquia e instaurada a república. Após novo golpe militar contra o presidente Georgios Papadopoulos, foi chamado para constituir um governo civil Konstantinos Karamanlis, que formou um governo nacional de salvação e reabilitou a constituição de 1952. Uma nova constituição foi adotada em junho de 1975. Nos anos seguintes, o partido da Nova Democracia, liderado por Karamanlis, perdeu, paulatinamente, a maioria parlamentar, o que teve como conseqüência a vitória eleitoral dos socialistas de Andreas Papandreou em 1981. Uma série de escândalos financeiros e pessoais provocou a queda de Papandreou em 1989 e, após a realização de eleições, em que nenhum partido conseguiu a maioria absoluta, formou-se um governo com a participação de todos os partidos, liderados por Xenophon Zolotas.


A ilha de Chipre, com 9.250km2, situada no extremo leste do Mediterrâneo, cuja população é majoritariamente grega mas abriga uma numerosa minoria turca, constituiu historicamente uma fonte de tensões entre Grécia, Turquia e Reino Unido, já que Chipre foi cedida aos britânicos pela Turquia em 1878. Em meados do século XX, o arcebispo Makarios III exigiu a união de Chipre à Grécia. Apesar da dura oposição britânica, pelo acordo de Zurique de 1959, foi concedida independência a Chipre, formalizada em 16 de agosto de 1960. As controvérsias posteriores entre Grécia e Turquia deram lugar à intervenção militar turca, o que conduziu, em 1974, à divisão da ilha em dois estados: o turco-cipriota, no norte, e o greco-cipriota, no resto da ilha.


Instituições políticas


Numa tentativa de acabar com a tradicional instabilidade política, a constituição de 1975 estabeleceu uma república parlamentar e dividiu as funções do executivo entre um presidente, que atua como chefe do estado e chefe supremo das forças armadas, e um primeiro-ministro, chefe do governo. O poder legislativo é exercido conjuntamente pelo presidente e o Parlamento (Vouli). O Parlamento é um corpo legislativo unicameral composto de 300 deputados, eleitos por votação secreta, direta e universal de quatro em quatro anos. O poder judiciário compreende do Tribunal Supremo, que inclui uma seção cível e outra criminal, o Conselho de Estado e o Tribunal de Contas.


A Grécia se divide administrativamente em dez regiões (dhiamerismata), subdivididas em mais de cinqüenta departamentos (nomoi), à frente dos quais há um governador (nomarch), nomeado pelo Ministério do Interior. As forças armadas são formadas por Exército, Marinha e Aeronáutica, com serviço militar obrigatório para todos os homens maiores de 21 anos, de 24 meses de duração.


Sociedade


Depois da segunda guerra mundial, o governo assumiu a luta para erradicar as doenças mais comuns: malária, tuberculose, disenteria e tifo. O Ministério da Saúde e Bem-Estar é responsável pela criação, controle e financiamento de centros médicos e farmácias, bem como pelo fornecimento de remédios e assistência às crianças, aos pacientes psiquiátricos e às gestantes. A assistência médica nas zonas rurais é gratuita quando os pacientes não possuem recursos econômicos suficientes. Os principais hospitais estão concentrados em Atenas, Tessalonica e Patras. A maior parte do sistema grego de previdência social é controlada pelo Ministério da Previdência Social.
O governo socialista realizou mudanças importantes no direito civil grego. Pela primeira vez foram permitidos os casamentos civis, garantiu-se a igualdade dos cônjuges, promoveu-se o registro civil e facilitaram-se os trâmites para obtenção do divórcio.


A educação é muito valorizada na Grécia, em parte devido ao orgulho que o povo tem da herança da Grécia clássica, e em parte porque os títulos universitários permitem acesso a bons empregos. O Ministério da Educação e Religião rege o sistema de ensino, inclusive o ministrado nos colégios particulares, muito numerosos no segundo grau. O ensino obrigatório foi adotado em 1929 para os primeiros nove anos de escolaridade. O nível superior privilegia os cursos de filosofia, direito e humanidades, motivo pelo qual muitos gregos preferem estudar em universidades e escolas técnicas estrangeiras. A constituição não permite universidades particulares. As instituições de ensino superior mais importantes localizam-se em Atenas, Tessalonica, Patras e Creta. Atenas e Tessalonica possuem escolas técnicas superiores.


A maioria da população pratica o cristianismo ortodoxo grego. Na Trácia ocidental e nas ilhas do Dodecaneso concentra-se uma minoria muçulmana. Em Atenas, uma pequena minoria pratica o catolicismo. São menos numerosos os grupos de protestante e judeus.

 

Cultura


Os remanescentes físicos da cultura da Grécia clássica conservam-se principalmente em Atenas, Delfos, Epidauro, Micenas, Argos e outros sítios, enquanto as esculturas e outros objetos de arte exibidos nos museus gregos (Nacional, de Heracléia, da Acrópole etc.), e dos principais centros culturais do mundo constituem uma lembrança permanente da copiosa herança cultural helênica, que ainda continua viva na educação dos gregos.


Na Grécia moderna destacaram-se sobretudo os poetas. Adquiriu fama internacional Konstantinos Kaváfis, grego de Alexandria que escreveu cerca de duas centenas de poemas, inéditos até sua morte. Comparado ao português Fernando Pessoa, seu contemporâneo e também marcado por uma nostalgia da antiga glória de seu país, Kaváfis é autor da frase "somos todos gregos". Destacam-se também Georgios Seferis, agraciado com o Prêmio Nobel de literatura de 1963; Angelos Sikelianos; Odysseus Elytis, que obteve o Prêmio Nobel em 1979; e Yannis Ritsos. O romancista de maior sucesso é o cretense Nikos Kazantzakis, autor de Zorba, o grego e A última tentação de Cristo.


Dentre os músicos gregos com fama internacional destacam-se Manos Hadjidakis e Mikis Theodorakis. A busca e a sistematização do patrimônio musical popular, que é objetivo básico de famosos músicos e pesquisadores, tem incentivado a criação de grande número de corais que participam de concursos internacionais. Depois da independência política, a arte grega se inspirou inteiramente na arte ocidental. Entre os pintores figurativos destacam-se Iannis Moralis e Nicos Kontopulos; e entre os abstratos, Alexos Kontopulos e Iannis Spyrapulos. Na escultura devem ser mencionados Vassilakis Takis e Alex Mylona.

 

Fonte: Enciclopédia Britânica

 

 

 

 

 

 

Parthenon - Atenas

   

 

 

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Atualizado em: 02 janeiro, 2018.