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Missões Jesuíticas
Por volta de 1610, quando as primeiras reduções
foram estabelecidas no atual limite entre o Paraguai
e o Estado brasileiro do Paraná, os índios das
Missões, cujos humores guerreiros haviam sido
abrandados pelo cristianismo, viraram presas fáceis
dos bandeirantes oriundos de São Paulo que corriam o
Sul em busca de riquezas e de mão-de-obra escrava.
Para garantir segurança, era preciso ir mais longe.
Os jesuítas arregimentaram os índios que sobraram e
empreenderam uma longa jornada rumo ao Sul, correndo
ao longo do rio Paraguai. Chegando à região que
corresponde ao atual Norte da Argentina e Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul, guaranis e jesuítas
fundaram e fizeram prosperar nada menos que 30
povoamentos, que alcançaram uma população espantosa
para a época – em 1736, seriam mais de 102 mil
indivíduos. Para comparar: em 1740, a maior cidade
brasileira, Ouro Preto, tinha uma população de 50
mil pessoas e a maior cidade da América, o México,
tinha 70 mil.
As terras ocupadas pelos 30 povos pertenciam à
Espanha (apenas sete deles ficavam à esquerda do rio
Uruguai, em território que viria a ser brasileiro),
mas a perseguição dos bandeirantes não conhecia
fronteiras. Em 1641, numa batalha perto do rio
Mbororé, os guaranis resistiram com canhões feitos
de grandes taquaras amarradas com couro e expulsaram
os aventureiros.
A Coroa portuguesa mal sabia o que fazer e, na
prática, a única ação de gente lusa ali era a dos
bandeirantes. Mas a civilização jesuítico-guarani
começou a ser desmanchada
em 1750,
não pelos bandeirantes, mas
pelas Coroas. Naquele ano, foi assinado o Tratado de
Madri, pelo qual Portugal abria mão da Colônia de
Sacramento, pequeno mas importante porto fundado em
1680 na beira do rio da Prata, exatamente em frente
a Buenos Aires, e a Espanha, a despeito, cedia a
região à margem esquerda do rio Uruguai – exatamente
a localização dos sete famosos e malditos Povos que
ficam em território hoje gaúcho. Era a primeira
reconfiguração legal do já antigo Tratado de
Tordesilhas que, ainda no século 15, tinha destinado
a Portugal apenas o litoral atlântico.
A atitude da Espanha foi
criminosa em mais de um aspecto, mas especialmente
porque as Missões não eram agrupamentos irregulares
e, pelo contrário, recolhiam impostos adequadamente,
prestavam subordinação ao rei, forneciam homens para
tarefas as mais variadas (guerras, mas também
construção de igrejas em outras partes do território
hoje argentino etc.). Quer dizer: os guaranis, com
os jesuítas, eram súditos leais à Coroa espanhola.
Isso sem contar o fato trivial de que eram nativos
da América, e portanto viviam aqui desde tempos
remotíssimos.
Passados para domínio
português, os padres e índios tiveram de deixar as
Missões. Os índios resistiram ainda depois de os
jesuítas terem aceitado a transferência imposta por
Madri. Mas foram chacinados, em guerra sistemática e
moderna, comandada por Gomes Freire de Andrade,
figura que ganhou um enorme elogio literário em O
Uraguai, poema épico de Basílio da Gama que
perpetuou uma interpretação ufanista, pró-lusitana e
anti-jesuítica. Os padres imaginaram erroneamente
que a própria Companhia de Jesus, um dos baluartes
do colonialismo, permitiria que ultrapassassem os
limites dos interesses do colonialismo. Em
compensação, as alternativas do colonialismo não
deram melhor resultado: produziram, simplesmente, a
genocida extinção dos guaranis.
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os judeus no nordeste
do brasil
O Nordeste do Brasil foi a "Terra Prometida" para
cristãos-novos e judeus ibéricos nos séculos 16 e 17.
Empurrados pela Inquisição, forçados à conversão, muitos
decidiram atravessar o oceano desconhecido em busca de paz e
de liberdade de culto. Tiveram importante papel no início da
ocupação portuguesa nas novas terras, criando ou se
inserindo em diversas atividades. Em especial, na produção e
comércio do açúcar.
A ocupação holandesa no Recife trouxe grande número de
judeus portugueses de Amsterdã. Com eles, inúmeros
cristãos-novos e descendentes que já viviam no Recife
retornaram ao judaísmo, formando algumas congregações. Entre
elas, a Kahal Zur Israel, Primeira Sinagoga das Américas.
A Kahal Zur Israel (Comunidade Rochedo de Israel, nome que
alude aos recifes espalhados pela costa da capital
pernambucana) situa-se em Recife Antigo ou bairro do Recife
- como é identificada a ilha formada na junção do rio
Capibaribe com o oceano -, local onde a cidade nasceu e
reduto de rico patrimônio histórico, submetido atualmente a
um programa de revitalização.
Em dezembro de 2001, o prédio original reconstituído foi
aberto ao público, sendo hoje um dos mais importantes sítios
turísticos da região. A edificação é a parte visível do que
foi uma comunidade que atingiu 50% do total de habitantes de
origem européia da época, deixando marcos da sua presença em
muitos lugares. |







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BRASIL
- Terra de paz, alegria e trabalho |
Religião
Desde o século 19, o Brasil não possui religião oficial. Pode-se afirmar
que é um país predominantemente católico, e já foi muitas vezes
apresentado como "o maior país católico do mundo". Essa afirmação,
entretanto, contém um certo exagero, se for considerada a proliferação
de crenças não- católicas, de feição protestante, ou até mesmo não-
cristãs, se englobadas as religiões de origem africana. Mais
supersticioso que místico, mais inclinado à fantasia mágica do que a uma
autêntica espiritualidade, o brasileiro, em sua grande maioria, vive à
mercê de ideologias salvacionistas, que ora englobam práticas de feição
oriental e fragmentos do conhecimento esotérico, ora mascaram-se em
assistencialismo dito cristão. O catolicismo ortodoxo, o islamismo e o
budismo têm pouca tradição popular no Brasil.
Esse quadro foi formado ao longo de cinco séculos, com alternâncias que
correspondem, grosso modo, a três períodos históricos:
(1) Colônia, quando predominava absoluto o catolicismo, com
manifestações esporádicas do judaísmo, perseguido pela Inquisição e
reduzido à clandestinidade, e do protestantismo, dos calvinistas
franceses e holandeses, perseguidos e liquidados pelas armas;
(2) Império, em que o catolicismo continuou hegemônico, mas já erodido
pela influência das correntes liberais européias, sobretudo pelo
positivismo e pela maçonaria, e por influências de outras correntes
religiosas, como o espiritismo e o protestantismo;
(3) República, quando a tendência é a expansão das religiões de massa,
dos sincretismos religiosos afro-brasileiros e dos cultos pentecostais.
Catolicismo
O descobrimento do Brasil, como toda a conquista do império colonial
português, teve um aspecto essencialmente religioso. A colonização
orientou-se pelo espírito missionário da nação. Foi sob o signo da Ordem
de Cristo que se descobriu o Brasil. Fundada por D. Dinis, em 1319, essa
ordem usou os recursos de que dispunha para reunir os mais competentes
geógrafos e navegadores e para equipar uma série de expedições, com o
propósito tanto de combater os muçulmanos quanto de descobrir novas
rotas marítimas e novas terras. À época do descobrimento do Brasil, o
rei exercia poderes muito amplos de ordem espiritual, baseados no
padroado, isto é, no direito de conferir benefícios eclesiásticos,
inerentes à própria Ordem de Cristo. Com o correr do tempo, as funções
da coroa e do grão-mestrado da ordem, a ela anexado desde 1551 pelo papa
Júlio III na bula Praeclara clarissimi, fundiram-se praticamente.
Resultou daí que a expansão da igreja no Brasil foi feita em união com o
Estado.
O rei, na qualidade de grão-mestre, recebia os dízimos, tributos
puramente eclesiásticos, e que eram uma das maiores fontes de renda da
colônia. Além disso, propunha à Santa Sé os bispos e arcebispos e a
estes os cônegos e párocos. As igrejas matrizes e as catedrais eram
construídas e mantidas pelo estado. Da mesma forma, a expansão da igreja
acompanhou sempre a conquista militar da colônia. O povoador exigia a
presença da igreja e não concebia a existência sem os socorros
espirituais. Daí a construção de inúmeras capelas, ou simples centros de
devoção, ter precedido muitas vezes a instalação do núcleo
administrativo municipal.
Catequese
Tão logo foram instalados os primeiros centros administrativos, as
ordens religiosas iniciaram o trabalho de conversão dos gentios. Em
1549, chegaram os primeiros jesuítas à Bahia, com o primeiro
governador-geral, para iniciar o trabalho sistemático de catequese. O
padre Manuel da Nóbrega, por seu tirocínio político, e o padre José de
Anchieta, pela sinceridade de sua convicção, são as principais figuras
das missões católicas no Brasil colônia. Vieram depois outras ordens
religiosas, que desenvolveram trabalhos igualmente profícuos, como os
franciscanos, beneditinos e carmelitas. Naturalmente o trabalho dos
catequistas nunca foi pacífico. Ao lado das inúmeras dificuldades
naturais, tiveram de defender as populações nativas contra a sanha dos
colonos, interessados no trabalho escravo dos índios; e também de lidar
com incompreensões e intransigências da cúpula da igreja, desde a
fundação do primeiro bispado brasileiro, na Bahia, sede do governo
colonial, em 1551. O primeiro bispo do Brasil, D. Pero Fernandes
Sardinha, entrou em choque com os missionários, por não concordar com a
tolerância à nudez natural dos selvagens, ou a introdução da música e
dos instrumentos indígenas nas cerimônias litúrgicas.
A força civilizadora da igreja manifestava-se por três modos: o
episcopado, com o clero secular, as ordens religiosas e as corporações
leigas - ordens terceiras, irmandades e confrarias. Tais corporações
eram organizadas por classes sociais e profissões. Assim, as ordens
terceiras, como a do Carmo e a de S. Francisco, eram constituídas pelas
elites locais; as irmandades, pelas profissões, como São José dos
Carpinteiros, Santo Elói dos Ourives, São Jorge dos Ferreiros. Os negros
mantinham irmandades próprias, como a de Nossa Senhora do Rosário, de
São Benedito e de Santa Ifigênia. Nessas irmandades, as autoridades
religiosas permitiam a prática de formas exóticas de culto, com música e
danças típicas e eleições de "reis" e "rainhas". Os pardos tinham também
associações próprias, como a de São Gonçalo Garcia ou a do Cordão de São
Francisco. Nas matrizes funcionava geralmente a Irmandade do Santíssimo
Sacramento. Uma das principais organizações era a da Santa Casa de
Misericórdia, que exercia funções de assistência social, mantinha
hospitais, asilos para pobres e velhos, cuidava dos expostos e dos
presos e assistia os condenados à morte.
Os conventos constituíam os centros de cultura. Além das formações dos
próprios religiosos que recebiam graus acadêmicos por direito
pontifício, permitiam a freqüência de leigos nos seus cursos. Em alguns
bispados abriram-se igualmente seminários que quase sempre acolhiam
leigos. No Rio de Janeiro chegou a haver três deles, um dos quais, o de
São Joaquim, foi, em 1838, transformado no Colégio Pedro II. As antigas
ordens religiosas militares, por essa época, já se encontravam
laicizadas e constituíam simples honrarias conferidas pelo poder civil.
Competia ainda às ordens religiosas o pastoreio das aldeias indígenas
que até o século 19 circundavam as principais povoaes. Aps a
expulsão dos jesuítas e a restrição do poder dos missionários, as
aldeias caram em abandono, e os índios foram incorporados ao
proletariado rural ou voltaram totalmente à vida selvagem. Durante o
século 18, houve grande debate entre as ordens e o estado, a propósito
dos direitos dos missionários sobre os índios. Os colonos desejavam
pô-los a serviço de suas lavouras, e acusavam os religiosos,
especialmente os jesuítas, de explorar os índios em proveito próprio.
Por sua vez os bispos defendiam a jurisdição deles sobre as aldeias.
Nesse debate, em que o estado não teve linha firme de conduta,
distinguiu-se o padre Antônio Vieira, cuja ação pela palavra e pela
atitude pessoal junto às autoridades o coloca em posição destacada na
história social do Brasil. O terrível golpe sofrido pela igreja com a
expulsão dos jesuítas atingiu também o setor educacional. A criação de
mestres régios, para cuja sustentação se estabeleceu um imposto
especial, o subsídio literário, não compensou o abalo provocado pelo
fechamento dos colégios e escolas que eram gratuitas.
Relações Igreja-Estado
O poder temporal e o poder espiritual nem sempre se relacionaram bem
durante a colônia. O padroado conferido ao estado traduziu-se na prática
em uma constante ingerência no patrimônio eclesiástico e nas atividades
da igreja. Historicamente a doutrina católica portuguesa sempre foi
regalista -- isto é, defensora da ingerência do soberano em questões
religiosas -- e galicana -- ou seja, inicialmente defensora da
interferência dos reis nos negócios eclesiásticos e depois da autonomia
dos bispos em face do Sumo Pontífice, posição que sempre provocou
conflitos entre a autoridade real e os representantes do papa. Essa
situação se manteve no império. A constituição de 1824 estabeleceu que o
catolicismo continuaria como religião do estado. Isso significou na
prática a perpetuação de certas vantagens da Igreja: manutenção do clero
e do culto, dos seminários e das missões, e exclusão dos não-católicos
da representação política.
A vida religiosa sofria uma profunda crise em face de tais ingerências.
O prestígio do clero decrescia na vida política e cultural. Os conventos
se esvaziavam, ordens inteiras extinguiam-se. Em 1854 foi suspenso o
noviciado em todas elas. Chegou-se a pensar em extinguir todas as ordens
religiosas e secularizar de vez os prelados restantes. Tal estado de
coisas explodiu em 1872 na questão religiosa, de sérias repercussões
sobre as relações entre o estado e a igreja. Somente em 1890, com a
proclamação da república, o governo provisório separou definitivamente a
igreja do estado, extinguiu o padroado e proibiu os estados membros de
perseguirem ou protegerem qualquer Igreja.
A Igreja na República
A separação trouxe um surto de renovação para a
igreja, com o renascimento de várias ordens religiosas e o aumento de
paróquias e dioceses. Os clérigos demonstraram sua aprovação na pastoral
coletiva dos bispos, publicada quatro meses após a proclamação
republicana, em que saudavam o fim da dependência à autoridade civil.
Com efeito, a subordinação indiscriminada de clérigos e leigos ao mesmo
poder temporal, caprichoso e arbitrário, acabava por levar para dentro
da igreja a situação de relaxamento, negligência e tráfico de influência
que acompanharam a administração colonial e imperial.
Em 1939, reuniu-se o I Concílio Plenário Brasileiro, presidido pelo
cardeal D. Sebastião Leme. Em 1952, o episcopado constituiu, em caráter
permanente e como expressão do colégio episcopal, a Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil ( cnbb). Outras entidades católicas que exercem
atividade no Brasil são a Conferência dos Religiosos do Brasil (crb),
que reúne os superiores de ordens religiosas; o Centro de Estatística
Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), que funciona em correlação
com as duas Conferências; o Apostolado da Oração, devocional; as
Congregações Marianas e as Conferências Vicentinas; e a Associação de
Educação Católica, órgão dos estabelecimentos católicos de ensino, que
compreende também as universidades, a mais antiga das quais é a
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Problemas da Igreja no quadro atual
Após o Concílio Ecumênico Vaticano II generalizou-se o emprego da língua
portuguesa na missa, a simplificação da liturgia e a adoção de cantos
religiosos adaptados à expressão musical popular brasileira. Se tais
medidas resultaram no revigoramento da missa e em maior participação da
juventude, trouxeram em contrapartida o reforço de uma tendência
brasileira de aversão ao ritualismo e a um sentimento religioso que se
possa afirmar profundo e consciente. A "democratização" do culto retirou
o sentido mais profundo dos ritos, e enfatizou seus aspectos exteriores,
mais "festivos" e "teatrais", e criou um ambiente pouco propício à
verdadeira espiritualidade. Ao mesmo tempo, alguns setores da igreja,
liderados pelo franciscano Leonardo Boff, passaram a defender a chamada
teologia da libertação, que clama por um maior engajamento da igreja na
sua opção pelos pobres.
Judaísmo
Perseguidos implacavelmente pela Inquisição desde os primórdios da
colonização, os judeus conheceram poucos períodos de liberdade religiosa
-- tão-somente os interregnos da dominação holandesa na Bahia e em
Pernambuco. Em Recife, durante a segunda invasão holandesa, a cidade
chegou a ter seu rabino, Isaac Aboab da Fonseca, o primeiro do Brasil e
da América do Sul. Somente com a vinda de D. João vi para o Brasil e a
assinatura do tratado de comércio e navegação com a Inglaterra, que
estipulava a liberdade de consciência, puderam os judeus e seguidores de
outros credos gozar de liberdade religiosa.
Há comunidades judaicas espalhadas por todo o Brasil. As maiores
localizam-se em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Embora seus
membros se mantenham ligados à tradição, nem todos professam a religião.
No início do século 20 predominou a imigração de judeus do grupo ashkenazi, que em 1910 fundou no Rio de Janeiro sua primeira sinagoga.
Mas o grupo sefardita é ainda mais antigo, existindo desde 1846. Ambos
seguem o rito ortodoxo. Em 1966 foi fundada em Petrópolis RJ uma
yeshivah destinada à formação de futuros rabinos.
Protestantismo
Durante o Brasil colônia, as tentativas de fixação no Brasil de núcleos
protestantes fracassaram. Somente a partir de 1823, quando se
intensificou a imigração estrangeira, grupos de alemães organizaram as
primeiras comunidades luteranas. A seguir, estimulados pela política de
expansão econômica dos Estados Unidos, organizaram-se missões
protestantes de diferentes denominações. Os congregacionistas
estabeleceram-se em Petrópolis em 1855; os presbiterianos chegaram ao
Rio de Janeiro em 1859; os metodistas em 1867; os batistas
estabeleceram-se na Bahia em 1882; o culto episcopal, em Porto Alegre,
em 1890; o evangélico luterano na mesma data, em Pelotas RS. As
competições internas entre esses vários grupos criaram dissensões e
iniciativas de novas igrejas.
As chamadas igrejas históricas do protestantismo perderam terreno para o
protestantismo popular, que começou a disseminar-se no Brasil a partir
de 1910, com a chegada dos missionários pentecostais. O pentecostalismo
subdivide-se em numerosos grupos, dos quais os principais são a Igreja
Universal do Reino de Deus, a Igreja Pentecostal Deus é Amor, a
Congregação Cristã no Brasil, a Assembléia de Deus e o Brasil para
Cristo.
Islamismo
O islamismo veio para o Brasil com os negros islamizados -- hauçás,
fulas, mandingas -- e funcionou como fator de aglutinação e resistência.
Com a abolição, e posteriormente com a dispersão dos líderes negros
muçulmanos, o islamismo praticamente desapareceu e limita-se a seus
adeptos estrangeiros.
Espiritismo
Fundado na Bahia em 1865, o espiritismo no Brasil tem um caráter mais
religioso que experimental, ao contrário do que ocorre em outras partes
do mundo. Em 1884 foi criada a Federação Espírita Brasileira, e em 1897
a Livraria da Federação, que desde então teve um impressionante
movimento editorial, com milhões de livros publicados. Somente um dos
autores publicados, o médium Francisco Cândido Xavier, é autor de mais
de uma centena de obras psicografadas. Em 1957 foi autorizada pelo
governo brasileiro, e pela primeira vez no mundo, a emissão de um selo
postal com a efígie de Alan Kardec, fundador da doutrina espírita.
Cultos afro-brasileiros
Uma geografia e uma história dos cultos africanos no Brasil representa
problema extremamente complexo, devido às origens diversificadas e ao
sincretismo, primeiro entre os vários grupos de escravos, depois dos
deuses africanos com os santos católicos, para fugir à perseguição
imposta pelos senhores. E mais modernamente, com o espiritismo. A
Congregação Espírita Umbandista do Brasil, fundada em 1950, e a União
Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros, de 1952, junto com outras
instituições nacionais e regionais, coordenam e defendem os interesses
dos seus fiéis.
Esses cultos da umbanda (nome genérico) sempre exerceram grande atração
na sociedade brasileira, seja por seu aspecto exótico, seja pela beleza
dos seus ritos. Na Bahia, o culto afro-brasileiro toma o nome de
candomblé; no Rio de Janeiro, denomina-se macumba; em outros estados,
xangô, pajelança e outras denominações. No entanto, não são idênticos e
variam em graus de sincretismo. O candomblé constitui dentre todos o
culto mais preocupado em manter sua ortodoxia religiosa e suas raízes
africanas, principalmente na Bahia.
Ortodoxos
Os ortodoxos dividem-se entre os filiados à Igreja Católica Apostólica
Ortodoxa e os que se mantiveram ligados ao Vaticano. Os ortodoxos russos
chegaram ao Brasil em 1871, com o início da imigração russa. Em 1913, os
sírio-libaneses construíram em São Paulo o primeiro templo ortodoxo. A
Igreja Ortodoxa Grega estabeleceu-se em 1950, em São Paulo. Em 1958
chegaram ao Paraná os russos raskolniks (russos brancos), onde vivem em
comunidades agrícolas perto de Ponta Grossa.
Budismo e o zen-budismo
O budismo e o zen-budismo são ainda numericamente pequenos no Brasil,
embora tenham chegado ao final do século 20 com taxas de crescimento
apreciáveis. Em 1955 foi criada no Rio de Janeiro a Sociedade Brasileira
de Budismo. Em 1992, por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, esteve em visita ao
Brasil o Dalai Lama.
Brasil - Coração do Mundo
Pátria do
Evangelho
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Tupã
Na mitologia tupi-guarani, Tupã era entidade com missão civilizadora
entre os homens, mas não representava o papel de divindade suprema
que se fixou na época da catequese jesuítica.
Tupã ou Tupana é um mito ameríndio do grupo tupi-guarani que pode
ser identificado com a entidade mítica Amã Atupane, criador do mar,
ou com a entidade dos trovões, dos raios e das chamas. Pode-se
ligá-lo também ao ciclo dos heróis civilizadores, pois era crença
que havia ensinado aos índios os primeiros rudimentos da
agricultura.
Os depoimentos de André Thévet, Claude d'Abbeville, Fernão Cardim,
Ermano de Stradelli e outros atestam a natureza do primitivo mito
ameríndio.
Segundo Stradelli, "Tupana não passa da mãe do trovão, tida na mesma
consideração de todas as outras mães, mas porque mãe de cousas de
que o indígena não precisa, que dispensa, é uma mãe que não se honra
nem se festeja. Na realidade, quando todas as outras mães têm danças
e festas, que lhes são dedicadas, nunca ouvi que houvesse festa
dedicada a Tupana. O Tupana (...) é o Deus cristão, e a adaptação é
dos antigos missionários (...)." Na mitologia tupi, a entidade
criadora não é Tupã, mas Monã, representada como "astro sem fim nem
começo, o que criou o céu, a terra, os pássaros e os animais que aí
se encontram".
No período da colonização, no contato com a cultura cristã
transplantada pelos portugueses, Tupã passou a ser valorizado pelos
catequistas como entidade de melhor expressão para representar a
idéia de Deus na língua da catequese, uma vez que seria manifestação
sensível de algo fora do comum, de incompreensível e de superior.
Sob essa influência, a entidade adquiriu para os indígenas o sentido
de divindade suprema. Esse problema foi esclarecido pelo etnólogo
francês Alfred Métraux em "A religião dos tupinambás" (1928). A
ampliação do mito primitivo para o do Deus supremo confirma processo
de aculturação, observado quando há encontro entre culturas
diversas.
Não há dúvida de que o mito sincrético Tupã-Deus se difundiu
bastante entre os índios catequizados, desde a Argentina até as
Guianas. No próprio folclore brasileiro do século 19, havia vestígio
dessa identificação. Correm várias explicações etimológicas para o
vocábulo Tupã e sua variante Tupá. A hipótese mais aceita é a que
lhe atribui origem onomatopaica pois, como observou Jean de Léry, o
vocábulo não tinha significado religioso entre os tamoios.
Os
Jesuítas

Jesuíta é nome
comumente
dado aos membros da Companhia de Jesus, ordem religiosa masculina fundada em 1540 por santo
Inácio de Loiola, sacerdote espanhol, como "um esquadrão de
cavalaria ligeira" à disposição do papa. A atividade intelectual,
pedagógica, missionária e assistencial dos jesuítas se realizou
sempre sob o lema Ad Majorem Dei Gloriam ("Para a maior glória de
Deus"), abreviada pela sigla A.M.D.G. Pela dedicação a seus
objetivos, os jesuítas receberam as mais radicais reprovações e os
mais exaltados elogios.
Fundação e expansão
Durante a convalescença de um ferimento
recebido em 1521, na defesa de Pamplona, o jovem aristocrata e
militar Inácio de Loiola experimentou uma profunda conversão
espiritual, inspirada pela leitura de livros sobre as vidas dos
santos, o que o levou a dedicar-se ao serviço de Cristo. Retirado em
uma gruta, perto do santuário catalão da Virgem de Montserrat, na
cidade de Mauresa, ali redigiu e praticou seus Exercícios
espirituais.
Mais tarde, enquanto estudava teologia em Paris, atraiu, com os
Exercícios espirituais, seis entusiastas companheiros; juntos
fizeram votos de pobreza, castidade e obediência e de peregrinar a
Jerusalém, formando assim o núcleo da futura ordem. O papa Paulo III
aprovou, em 1540, a nova ordem, com o nome de Companhia de Jesus e, no
ano seguinte, Loiola foi eleito superior geral.
A ânsia de dar maior agilidade e eficácia à nova ordem, levou Loiola
a suprimir a obrigatoriedade de algumas práticas tradicionais, como
a assistência diária ao ofício litúrgico no coro ou determinadas
penitências e jejuns. Em troca, deu ênfase à obediência, reforçando
o princípio da autoridade e da hierarquia e introduzindo um voto
especial de obediência ao papa.
Durante o século 16, a Companhia de Jesus estendeu-se rapidamente
por toda a Europa e incentivou a reforma interna da Igreja Católica
para contrapor-se à Reforma luterana. Participou ativamente do
Concílio de Trento e das disputas teológicas; empenhou-se na
pregação religiosa e no ensino -- baseado na chamada Ratio studiorum
-- que ia desde a difusão do catecismo entre as crianças e "pessoas
rudes", até a criação de seminários, como o Colégio Romano (1551),
posterior Universidade Gregoriana; assistia aos humildes,
encarcerados e soldados. Desde o começo, a ordem se dedicou a
missões entre os infiéis e deu santos à Igreja, como Francisco
Xavier, missionário na Índia e Japão e morto ao entrar na China, e
Pedro Clavel, que se proclamou escravo dos escravos negros
desembarcados em Cartagena, na Colômbia.
A ordem está organizada em províncias, espalhadas por todo o mundo,
governadas por um provincial e agrupadas em assistências. O poder
supremo dentro da ordem compete à congregação geral, formada pelos
provinciais e delegados eleitos, por períodos determinados, por cada
congregação provincial. A congregação geral elege um superior que,
embora vitalício, pode ser deposto pelo papa, por decisão própria ou
por sugestão da congregação geral. As constituições feitas por santo
Inácio só podem ser modificadas com a aprovação do papa.
Jesuítas no Brasil
Em 1549 chegaram ao Brasil os primeiros
missionários da Companhia de Jesus. O primeiro grupo tinha como
superior o padre Manuel da Nóbrega e foi integrado pelos padres João
Navarro, Antônio Pires, Leonardo Nunes e os irmãos Vicente Rodrigues
e Diogo Jácome. Colaboraram com Tomé de Sousa na fundação da cidade
de Salvador e criaram o colégio da Bahia. Em seguida estenderam a
assistência religiosa às capitanias de Ilhéus, Porto Seguro,
Espírito Santo e São Vicente, para o Sul, e às de Sergipe del Rei,
Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em 1553, foi criada a
província jesuítica do Brasil. Nesse mesmo ano, chegava ao Brasil,
ainda como estudante, o padre José de Anchieta, cognominado o
Apóstolo do Brasil.
Até 1605, vieram para o Brasil, em 28 levas ou expedições, 169
religiosos da Companhia de Jesus, entre padres e irmãos. Não se
incluem nesse total os quarenta religiosos da expedição de 1570,
chefiada pelo padre Inácio de Azevedo, aprisionados em alto- mar
pelos homens de Jacques Soria e assassinados ou atirados à água; nem
os 12 jesuítas da expedição chefiada pelo padre Pero Dias, que em
1571 morreram nas mãos de Jean Capdeville e seus corsários franceses
e ingleses.
Representava grande esforço para a recém-criada Companhia de Jesus o
envio para o Brasil desse grande número de estudantes e sacerdotes,
entre os quais se incluíam não apenas portugueses e espanhóis, em
larga maioria, mas também belgas e italianos. Daí a determinação do
padre Manuel da Nóbrega de instalar o noviciado no Brasil, logo no
início, aproveitando a vocação para o sacerdócio dos próprios filhos
da terra. Em poucos anos os resultados obtidos provariam o acerto de
sua decisão.
Em 1605, os jesuítas já estavam estabelecidos em todo o litoral
brasileiro, de Natal (1597), no Nordeste, a Embitiba (1605), na
atual divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nesse período
de expansão, além de contribuírem para a edificação das cidades de
Salvador e Rio de Janeiro, fundaram por iniciativa própria a cidade
de São Paulo, em Piratininga, no interior da capitania de São
Vicente.
Com as bases que lançaram no século 16, os jesuítas conquistaram o
mérito de introduzir o ensino, inclusive das artes e ofícios
necessários à vida cotidiana, como medicina e arquitetura; de
promover o teatro; de preservar as línguas indígenas; e de registrar
os fatos importantes da história de seu tempo.
No plano econômico, marcaram presença pela criação de gado e animais
domésticos, como ovelhas, porcos, galinhas, patos e cães, tendo
esses últimos causado grande fascínio entre os indígenas. Com o gado
iniciaram a indústria de laticínios. Introduziram também no País
numerosas espécies vegetais européias e asiáticas, e plantaram, em
suas residências, uvas, cidras, limões, figos, cacau, legumes,
algodão e trigo, ao mesmo tempo em que procuravam iniciar os
indígenas em novas técnicas agrícolas. Das frutas faziam conservas.
Iniciaram também o cultivo da cana-de-açúcar.
Repressão
Na Europa, no século
17, muitos reis tomaram jesuítas
como confessores (Luís XIV da França, Mariana da Áustria -- esposa
de Filipe IV de Espanha -- João IV de Portugal, Augusto II da
Polônia). Os ataques dirigidos contra eles por pensadores como o
francês Blaise Pascal, representante das idéias jansenistas, eram
voltados contra o pragmatismo moral e as atividades políticas da
companhia. Nas missões, os jesuítas Roberto Nobili e Mateo Ricci
iniciaram uma revolucionária adaptação aos costumes dos brâmanes
hindus e dos mandarins chineses, o que suscitou grandes
controvérsias. No Paraguai, a ordem criou as chamadas reduções, um
tipo de organizações política e social que agrupava os indígenas,
sob a direção dos padres.
As idéias dos enciclopedistas e os governos europeus do século
18, com seu espírito anticlerical e contrário à intervenção do
papado em assuntos políticos, investiram especialmente contra os
jesuítas, que foram expulsos de Portugal, França e Espanha, e no
Paraguai tiveram que abandonar as reduções dos índios. Por decreto
de 3 de setembro de 1759, o marquês de Pombal, poderoso
primeiro-ministro de D. José I, expulsou os jesuítas de Portugal e
de seus domínios ultramarinos, inclusive o Brasil. No ano seguinte,
mais de 600 sacerdotes fecharam seus colégios e abandonaram as
aldeias indígenas brasileiras. Os numerosos bens da Companhia de
Jesus foram confiscados e incorporados à coroa por cartas régias de
25 de fevereiro e 5 de março de 1761. Na Espanha, Carlos III
decretou em 1767 a expulsão dos jesuítas de todo o seu reino.
A pressão das monarquias obrigou o papa Clemente XIV a decretar em
1773 a supressão da Companhia de Jesus, mediante o breve Dominus ac
Redemptor. No entanto, os jesuítas continuaram na Prússia até 1780 e
se mantiveram na Rússia, onde o decreto papal nunca vigorou. Em
1814, o papa Pio VII restabeleceu a Companhia de Jesus, ante a
demanda geral para que prosseguisse seu trabalho de ensino e
evangelizao missionária.
Posteriormente, os jesuítas chegaram a
ser a ordem religiosa masculina mais numerosa. Ao Brasil, os
jesuítas voltaram em 1841, quando era geral da Companhia de Jesus o
padre holandês João Roothaan. Instalaram-se novas casas, abriram-se
noviciados e novos colégios.
A atividade variada dos jesuítas alcança atualmente especial
relevância na educação, com instituições de ensino médio e superior,
destacando-se entre elas a Universidade Gregoriana, em Roma. Sua
ação se estende também ao campo das comunicações, bem como aos
movimentos ecumênicos e de âmbito social e trabalhista em geral.
Atualmente os jesuítas promovem de maneira especial a vida
religiosa, com os Exercícios espirituais de santo Inácio, e a
promoção da fé e da justiça.
Fonte: Enciclopédia Britânica
PADRE JOSÉ DE ANCHIETA

José
de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em San Cristóbal de La
Laguna, na ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias, colônia da
Espanha situada próxima à costa africana. Veio para o Brasil em
1553, na frota que conduzia o segundo Governador Geral daquela
colônia na América do Sul, Dom Duarte da Costa (que ficou no cargo
de 1553 a 1557). Ele estava na primeira leva de padres jesuítas da
Companhia de Jesus que vieram ao Brasil como o objetivo de
catequisar os índios. Os nativos chamavam-nos de "avarê".

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